SOS ao Credieunápolis

Por: NossaCara.com
05/09/2008 - 07:47:24

Nosso repórter Guilherme Ferreira, entrevista Pedro Vailant, novo presidente do CredieunápolisHá 10 anos se instalava em Eunápolis, o SICOOB, atual Credieunápolis. Uma instituição financeira em forma de cooperativa cujo principal produto é o crédito rural. Sendo o comércio um elo da cadeia produtiva do campo, também teve acesso ao crédito mais barato da instituição, justamente por não se tratar de um banco.

“Correu um boato”, como diz a música, que a cooperativa está quebrada por administração fraudulenta. O histórico brasileiro de falências bancárias dá conta de casos escabrosos em que os fraudadores saem incólumes dos kafkianos e promíscuos escaninhos da Justiça. Econômico, Aroeira, BRB, Nacional, Marka são casos recentes.

Coincidência ou não, o conselho local da Cooperativa de Crédito Rural Eunápolis Ltda, convocou 852 associados para assembléia geral, no dia 31 de julho de 2008, na Loja Maçônica Obreiros de Eunápolis, para, entre outras deliberações, eleger nova Presidência.

O Engenheiro Florestal Pedro Vailant foi eleito Presidente; o auditor de inspetoria fazendária e empresário, Geraldo Nunes, vice-presidente e a empresária Elizabeth Checon, Secretária.

Segundo o Executivo Pedro Vailant, está sendo apurado se foi má gestão, mas a imagem que ficou na cidade é que a cooperativa estava fechada. “Na verdade, ela está recuperada, mas precisa ganhar novamente a credibilidade para que os associados voltem a movimentar seus recursos e se beneficiem das vantagens que uma cooperativa pode dar”.

O Presidente informou que os novos diretores estão trabalhando voluntariamente e sem receber por isso. “Não somos especialistas em rotina bancária, mas empresários que sabem como gerir uma empresa. Estamos emprestando nosso nome para resgatar a credibilidade da instituição”.

Vailant afirmou que está descartada a hipótese de qualquer intervenção do Banco Central, “que tem sido um grande parceiro nesse processo”. O Presidente fala diariamente com técnicos do BACEN, que orientam em relação a técnicas operacionais de banco. “Não se cogita intervenção. O que faremos é uma detalhada auditoria externa, que deve se iniciar na primeira quinzena de setembro, por uma empresa de Belo horizonte, especializada em cooperativas”.

Enquanto a auditoria não começa, a nova diretoria prioriza ações como a de negociar com grandes devedores, que valem por 20 pequenos, segundo Vailant. “Estimamos receber 70% do que a cooperativa tem na rua”. Ela tem cerca de 9,5 milhões de crédito para receber e deve R$ 5,5 milhões. Um saldo teórico de quatro milhões de reais.

Os serviços voltam a serem oferecidos, paulatinamente, como a custódia de cheques, empréstimos a pessoas físicas e jurídicas. Segundo o Presidente, são as menores taxas do mercado. O sítio do BACEN, em 03 de setembro, informava que o Credieunápolis não informou à instituição o valor dos serviços prestados.

Vailant acredita que o impacto da hipotética falência da cooperativa seria muito mais psicológico que econômico-financeiro. “Seria uma vergonha perder uma entidade por quem todos lutam para ter”.

Por: Guilherme Ferreira
Fotos: Urbino Brito

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