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Dentre a diversidade de talentos musicais produzidos por Eunápolis, está Jorge Reis, um compositor que aprendeu a tocar violão aos 16 anos com composições próprias. “Tinha dificuldade para tirar músicas de outros compositores e então passei a fazer as minhas próprias músicas. Com dois meses já tocava de tudo”. Hoje, com 45 anos, Jorge tem mais de 300 composições de estilos variados.
O ritmo de que mais gosta é o forró, com linguagem a mais popular. “Sou um camarada do povão, gosto de farinha, pimenta e cuscuz. Meu estilo romântico se aproxima muito do que o povo gosta”. Jorge busca os elementos de suas composições na rua, onde o linguajar popular é exercido e transformado todo o tempo.
Os temas de suas composições povoam o imaginário popular e dele fazem parte, dentre outras figuras, a traição e a condição sexual. “Há alguns anos, uma amiga minha pegou o marido no flagra com outro homem e eu fiz uma música bem brega, chamada o Domador de Cobra, que vai sair em um CD até o fim do ano”.

Jorge Reis questiona a dita classificação de uma música como brega, ao lembrar que Caetano Veloso gravou uma de Fernando Mendes, considerada brega, mas que fez grande sucesso para o público que consome a dita MPB. “Pessoas formadas e metidas a besta discriminam, mas, na verdade, mais da metade do povo brasileiro é simples, humilde e a linguagem é simples mesmo”.
Jorge sofre do mesmo mal da imensa maioria dos artistas que não circula pelo eixo Rio-São Paulo e não tem um empresário: a invisibilidade. Segundo o compositor, “é tanta gente batendo às portas das gravadoras que não há por que olhar para o interior”.
As gravadoras têm à disposição um exército de artistas vindos de lugares onde as políticas públicas para a cultura não passam de promessas, em época de eleição, e as rádios são apenas papagaios que repetem o eco das gravadoras.
Eunápolis é um exemplo de celeiro de talentos sem o devido reconhecimento. A desvalorização começa em casa. Jorge escreveu uma música para o Pedrão, em que homenageia a história da cidade e os compositores locais. Segundo ele, depois de muito implorar, duas rádios tocaram a música algumas vezes, mas não teve a mesma sorte para sensibilizar a prefeitura, que usou uma música de Luiz Gonzaga para a edição 2008 do Pedrão. “Eu adoro o Luiz Gonzaga, mas acho que poderiam valorizar o artista de casa”.
É por essa e por outras que Jorge é a favor da pirataria, pois, para ele, faz o músico do interior aparecer. Segundo Jorge, “investiram mais de R$ 1,5 mi para promover a filha da Elis Regina e o CD custa uma fortuna para a maioria dos brasileiros. Enquanto que em São Paulo há gravadoras que cobram R$ 1,5 mil pela gravação de mil CDs e o artista vai para a rua vendê-los”.
Jorge ainda não tem nenhuma música gravada por artista reconhecido nacionalmente, mas não desiste e gravou 49 músicas e ofereceu os CDs às bandas Calypso, Saia Rodada, Calcinha Preta, Cavaleiros do Forró, que se apresentaram no Pedrão 2008. As músicas foram gravadas pela banda O Tigrão do Forró, da qual ele é um dos vocalistas e o principal letrista.
Entrevista: Guilherme Ferreira
Fotos: Urbino Brito