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Ex integrantes das Forças Armadas do Brasil. Experiência em expedições militares fora do país. Participou da revolução de 64. Hoje é comerciante em Porto Seguro (Arraial). É autor dos livros Áquila o Rei dos Únicos e Memorias Anônimas. Contatos: (73) 9999-0054 E-mail benaia99@hotmail.com |
O sentimento por Isabella.
Quando eu era adolescente sofria muita dor de dentes. Lembro-me que numa tarde de inverno, próximo das 16 horas, que uma das tais dores me deixava desesperado. Mas, minha vida de moleque travesso era mais forte que a dor, e nada me impediam de estar na rua à procura dos colegas afim de uma brincadeira qualquer. E foi assim que apareceu uma turma me convidando a participar de uma “pelada” de rua: nome que se dava ao jogo de bola sem regras e local certo. Mesmo torturado pela dor, aceitei e me enfiei no jogo. Rua calçada de paralelepípedo, uma pequena bola de camurça, e lá estávamos nós, todo mundo alegre e eu curtindo sem dar a perceber, a dor do malfadado dente.
Após algum tempo decorrido me aconteceu algo inesperado e maravilhosamente terrível: ao empregar toda a força na minha perna para chutar a bola no rumo do gol, o meu pé, por estar próximo do meio fio, não livrou um dos meus dedos de ter sua unha pendurada pelo chute ter sido na pedra e não na bola.
Que horror! Parecia que eu estava amaldiçoado. O dente doendo; num latejar infernal e alem disso lá estava eu agachado agarrando o dedo quase sem cabeça, sentindo uma dor maior ainda que a do dente. Porem, inesperadamente algo me aconteceu: sem saber como, a dor do meu dente desapareceu. Senti tanta alegria que fiquei parado; não me mexia, tentando entender o que podia ser aquilo. Sumindo a dor constante do dente a do dedo que era passageira não significou nada; não demorou a me deixar apesar de ter arrancado minha unha. Da posição de agachado passei a estar sentado no meio fio, sem querer me movimentar com medo da dor de dente voltar. Pus-me a imaginar na intenção de compreender como aquilo pode me acontecer. Não me lembro se a dor voltou ou não; somente sei que há 60 anos esse fato não me sai da lembrança.
A conclusão que cheguei foi a de que uma coisa ruim pode ser perfeitamente eliminada por uma pior.
Quanto a inocente Isabela, o meu sentimento é que tal qual a cabeça do meu dedo, ela foi sacrificada a fim de chamar a atenção das autoridades e da sociedade, para ver o mal que vem se alastrando, no Brasil e no mundo, no que se refere à criança. Infelizmente apesar de não ser novidade, a hediondez desse crime foi muito noticiada. Auxiliada pela exposição do avanço técnico pericial até então desconhecida, a mídia colocou o crime no ponto mais alto da missão de informar, dando-lhe uma notoriedade acima da realidade do que vem acontecendo com milhares de outras crianças.
Até certo ponto isto é bom. A sociedade e as autoridades policiais, políticas e religiosas foram alertada. Os criminosos tarados, estupradores, pedófilos, sádicos, torturadores e os irreligiosos estão sendo obrigados a fazerem uma trégua.
A menininha, inocente como os cordeirinhos sacrificados nos antigos cultos judaicos, os quais tipificavam o Senhor Jesus: o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, não morreu em vão. Ela foi sacrificada pelo pecado de toda a sociedade brasileira, cuja conduta moral vem matando multidão de Isabelas.
Numa reação parecida com o amassamento e o arrastamento de uma explosão nuclear os efeitos dessa tragédia atingiram a consciência cada um de nós, levando-nos a uma serie de indagações sem respostas. A principal é: Quem seria capaz de cometer um crime tão terrível e inexplicável?
Um bandido, assassino, doente mental, uma vingança, ciúmes, etc., explicariam o crime; mas, o pendor da suspeita apontar o pai e a madrasta, não! Pelo amor de Deus! A menininha teria de ter cometido algo muito grave para merecer a ira do casal e o desprezo dos familiares que acredita na inocência deles. Não! Isto não tem sentido. Para mim aquela criança foi um “objeto expiatório” de um mal muito superior à periculosidade do infeliz instrumento usado contra ela. Eu vejo nisso a vitória da imundície contra a pureza; da maldade contra a inocência; das trevas contra a luz.
Se eu estiver certo; se esses detalhes estiverem corretos, cada um de nós deve parar pra pensar no que está acontecendo com a produção de seres humanos. Somos produtos e fabricantes da única espécie que esta acabando com a esperança do nosso futuro. Somos ou não somos a imagem e semelhança de Deus? A obra prima do universo; o centro da criação divina, ou... Será mesmo que somos uma real evolução primata, que, evoluímos com a teoria da criação e estamos voltando à irracionalidade da origem primitiva?
Temos que ser realistas. O caso da Isabela não foi o primeiro nem será o ultimo. O Brasil e o mundo esta cheio de terríveis atrocidades, praticadas por seres humanos contra seres humanos. Estamos vivendo aterrorizados, não por medo de guerras, doenças, bichos, ou catástrofes naturais; nosso maior medo é de gente. O perigo esta por todos os lados. O que antes era só no baixo mundo, agora acontece indiscriminadamente em todos os lugares como escolas, quartéis militares, postos policiais, delegacias, etc. e etc., chegando ao cumulo de destrocar a segurança do asilo inviolável da família: o interior das nossas casas. Há batalhas de Pais contra filhos e de filhos contra pais. Irmãos contra irmãos, litígios matrimoniais incontáveis, e coisas absurdas de se justificar, mas, o caso da menina Isabela extrapolou. Chegou num ponto aonde nos é impossível não ver a derrota moral da nossa sociedade. Aberrações como terremotos, maremotos, erupções vulcânicas, fome, pestes, guerra e uma tenebrosa onda de crimes e corrupção, são concebíveis. Isto é apocalíptico. Profético. São prenúncios do fim do mundo, porem, a ação predadora do homem contra a sociedade e as tragédias domésticas do tipo que vem acontecendo, assusta com razão quem ainda tem um pouco de equilíbrio moral.
Que me perdoem os que não podem me entender, mas, a verdade foi que senti compaixão do casal suspeito de serem réus do crime, saindo presos e algemados ruma ao presídio, tendo que deixar seus filhos: duas outras vitimas inocentes, ainda mergulhadas no lago humano onde reside a incerteza do futuro. Meu sentimento pelo casal foi pelo avaliar da situação duvidosa de seus destinos. Isabela está nas mãos de Deus. Seu processo eterno está decidido. Ela herdou legitimamente vida eterna. Já, com os infelizes indiciados ocorre ao contrario: eles estão nas garras da lei. O sofrimento da vitima acabou; dos acusados e de seus familiares está apenas começando, com um serio agravante: a possibilidade de irem parar num lugar avesso ao da menininha.
Como deixar de lado uma coisa tão chocante? Mesmo não sendo do meu feitio, busquei na minha consciência as respostas capazes de satisfazer meu ego. Mas, ao chegar ao meu interior, deparei com minha consciência exigindo uma analise imparcial, não como fazem os juizes que julgam segundo a lei embasada na pura justiça, nem como os pais, parentes e amigos que julgam segundo o amor; mas julgar de conformidade com uma lei que julga aplicando, conjuntamente, justiça e amor. Para tanto é preciso ter discernimento para interceder – aos céus - em favor do(s) criminoso(s) condenado e preso, no sentido de que seja apiedado, gerando motivos de exame de consciência de todos, a fim de perceberem a parcela de culpa moral que cabe a cada um de nós, nesse e de todos os outros casos igualmente estarrecedores.
Todavia, isto só e possível se tivermos a participação de Deus – do começo ao fim - do processo. Somente Deus é capaz de aplicar a lei, com amor e justiça, de maneira correta como Ele notavelmente o fez, aplicando justiça e amor ao nos condenar à morte por causa “dos nossos delitos e pecados”; e sendo esplendidamente amoroso morrendo em nosso lugar, na pessoa do Seu filho Jesus Cristo.
Baseado nisso foi que cheguei a seguinte conclusão: esse crime não me parece coisa de criminosos, mas sim de pecadores, e a justiça está atrasada no seu julgamento. Ato de matar não é crime, mas uma terrível punição. Quão terrível seria para o casal – caso seja os criminosos – serem absolvidos, onde eles poderiam viver em liberdade? Como viveriam com suas consciência? Seria como Caim, o assassino de seu irmão Abel: - “Assim qualquer que matar a caim será vingado sete vezes. E pos o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontre.”.
Por isso, - se fosse possível -, pediria a competente equipe pericial que mudasse o rumo das investigações e apurasse os seguintes índices:
A) Verificar as raízes genealógica, genética, psíquica e religiosa, do pai, mãe e madrasta a partir de seus progenitores.
B) Averiguar o estado moral dos pais, quando ocorreu a fecundação da mãe de
Isabela. C) Se eram legalmente casados.
D) Motivo da separação.
E) Como foi que Isabela chegou a ter mãe e madrasta.
F) Se a madrasta é esposa legitima do pai.
G) Qual o motivo que levou Isabela a estar - com quem ela estava – quando foi morta?
H) O porquê do silencio da mãe biológica.
I) Os motivos da ferrenha defesa dos parentes dos acusados.
J) Onde estava e o que fazia a mãe biológica quando a menina foi morta?
K) O porquê de o pai ser tão dependente da família?
Estas medidas não seriam para fins judiciais. Seria uma tentativa de desvendar os designos secretos dos corações envolvidos, diretamente ou não, no caso em questão. Inclusive chamar a atenção dos formadores de opinião para que analisem seus julgamentos segundo; se são imparciais ou tendenciosos e se estão de acordo com princípios fundamentados na ética evangélica.
Uma coisa é certa: é muito fácil chorar com a mãe que perdeu a filhinha, mas poucos são os que sentirão o drama da mãe – se legalmente condenada – presa, separada das crianças que sofrerão a ausência dos pais presos por ter matado sua irmã.
Em termos proporcionais, qual tragédia é maior?
É óbvio que absolutamente nada justifica a morte de Isabela. Porem, alguém acredita que uma pessoa normal, com temor a um Deus criador e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, com apenas um minuto para refletir, cometeria tal desatino?
A sociedade tão ávida por justiça pode ser a comunidade telepática indutora de trágicas ocorrências desse tipo. Estar condenando segundo a justiça, não esconde a responsabilidade do desamor. Os parentes estão defendendo por causa do amor, mas será que estão sendo justos?
Quanto à esfera judicial, se eu fosse o promotor, faria o mesmo que ele: pediria a prisão. No lugar da defesa: pediria pra soltar. Se fossem meus filhos: declarava-os inocentes. No entanto há outro fator impenetrável para a perícia e a justiça: a razão desta tragédia. E por ser tão complexa, se pudesse ser desvendada, o processo poderia mudar o resultado amplamente desejado. Refiro-me aos secretos desígnios formados e arraigados - pelo poder do mal - nos corações humanos; que passa de geração para geração e somente é descoberto quando uma consciência escapa da prisão de sua esfera mental e denuncia o estrago que esse mal está causando aos seres humanos, em toda a Terra. A situação urge que aja tomada de posição contra o mal, mais que aos malfeitores. Trata-se de um sistema maligno tão poderoso que até o próprio Deus necessitou tomar drásticas medidas a fim de desmascará-lo: mandou seu Filho unigênito para morrer na cruz. E, se justiça terrena fosse capazes de detectá-lo os acusados poderiam ser declarados culpados – dolosos pelo que fizeram, mas culposos pela forca indutora que os levaram a praticar o crime. -“Quem não tem pecado atire a primeira pedra”; -“Vá, não peques mais”: disse Jesus, aos julgadores e a meretriz condenada à morte por apedrejamento por ter sido pega em adultério.
Em sendo assim, pela amplitude do problema todos nós estamos inseridos nessas desgraças globais. Somos coniventes com as aberrações porque – enquanto não nos tornamos diretamente vitimas ou réus – adoramos praticar as deliciosas imoralidades geradoras de tais desgraças.
Somos receptores e transmissores de uma herança psíquica oriunda da conduta moral que apresentamos, antes, durante, e depois do relacionamento sexual no qual há concepção de vidas humanas. Recebemos e legamos uma herança psíquica capaz de determinar nossa ida tanto para o céu como para o inferno.
Todas as espécies de crimes são praticadas por seres humanos mal produzidos e diabolicamente orientados. A finalidade precípua do poder do mal é se vingar de Deus, desmoralizando a obra prima da Sua criação: o homem, que, estando vazio de Deus, é como um tambor de lixo: tudo que entra nele torna-se sujo.
Não devemos nos enganar. O Espírito Sagrado nos dá uma fresta luminosa da realidade que se apresenta no campo da sexualidade, alertando-nos do perigo que representa o ignorar a responsabilidade de colocar gente no mundo sem observar a devida importância da ordem recebida de Deus.
– “Crescei e multiplicai; enchei a terra...”, Mas...
– “Digno de honra entre todos seja o matrimonio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros.”
Às vezes é duro ter de cuspir pra cima e parar com a cara, contudo é melhor que ficar com ela abaixada fingindo que ta tudo bem; que nada temos que haver com o que esta acontecendo!
Ely Oliveira é autor dos livros Áquila o Rei dos Únicos e Memorias Anônimas