Meio rural empreendedor

Por: NossaCara.com
24/07/2008 - 13:43:03

Em poucos meses de empossada, a nova Diretoria do Sindicato dos Produtores Rurais de Eunápolis dá um importante passo e toma a iniciativa de trazer uma injeção de ânimo ao que sobrou do modo de produção regional, o agrário. Principalmente depois da invasão da praga eucalipto.

Pouco mais de ¼ do auditório da CEPLAC foi ocupado, no dia 21 de julho, das 19:00h às 20:00h, por trabalhadores rurais, tanto proprietários quanto operários. Durante menos da metade do tempo, os trabalhadores ouviram uma palestra do Superintendente do Senar, na Bahia, o Dr. Márcio Sabino, sobre como empreender bem o trabalho na terra.

Em pouco mais de meia hora, Dr. Márcio Sabino apresentou o Programa Empreendedor Rural, que nasceu no Paraná e foi criado "para estimular as competências e o trabalho”. Todo proprietário, operário, assentado, ou pessoa ligada ao meio rural e que possua o ensino médio completo, pode concorrer a uma vaga no curso.

Em bom baianês: o ousado do curso é preparar líderes trabalhadores rurais cujas ações não se limitem apenas ao processo da produção em si, mas que seu contexto ambiental, social, político econômico seja sustentável. Isso permite, por exemplo, que a produção rural crie mais postos de trabalho no campo e na cidade.

Dr. Márcio Sabino lamentou o fato de a agricultura não gozar do mesmo prestígio das organizações dos meios industrial e financeiro: "apesar de o meio rural ser o sustentáculo do PIB brasileiro".

O Superintendente citou casos como o de uma pessoa do Paraná, que está auferindo R$ 1.500,00, pela primeira vez na sua vida, Produzindo bicho da seda. "Os 27 superintendentes do Senar assistiram a apresentação desse caso, choraram de emoção".

Será considerado apto aquele ou aquela participante que cumprir o curso na sua totalidade. Antes de iniciar, assina-se um compromisso de responsabilidade pelos cronogramas de apresentação dos resultados da elaboração de um projeto, que é sugerido como primeira e única tarefa dentro das mais de 300 horas de curso.

Depois de Ilhéus, Eunápolis é o segundo município da Bahia a receber o programa, que será desenvolvido em Ipiaú, Itapetinga, Valente, entre outros. A decisão de escolher Eunápolis, segundo o superintendente; "foi porque consideramos Eunápolis o eixo central do sul e extremo sul da Bahia".

O Processo

A Presidente do Sindicato, Eliane Oliveira, foi uma das pessoas, do estado da Bahia escolhida para fazer as 136 horas das três fases do curso de instrutora. Cada fase dura uma semana, incluindo sábado e domingo, das 08:00h às 22:00h. O pré-requisito para fazer o curso de instrutor é ser formado em ciências agrárias.

A primeira fase chama-se Gestão do Conhecimento e Desenvolvimento Humano e trabalha com a estrutura da personalidade e como atuam todos os estágios do ego. Segundo Eliane, que passou pela primeira fase, "faz o trabalhador refletir sobre sua identificação com o meio rural, com perguntas sobre como você é como pai ou mãe".

A segunda fase é a da implantação e integração dos cursandos, quando, segundo Dr. Márcio Sabino, "os participantes vão se integrar ao programa e passar a entender o que ele significa".

A terceira fase é o exercício da liderança. De acordo com o superintendente, "é a de maior evasão". É quando os projetos têm que se justificar com planejamento e contabilidade, e sua exequibilidade será julgada por uma comissão técnica.

Ao todo, são 13 módulos presenciais; quatro com encontros de dois dias e dezesseis horas e nove de um dia e oito horas. Os encontros são semanais e todo o processo dura quatro meses.

Mobilização.

A produção baseada no conhecimento empírico é, talvez, o principal gargalo da proposta. A falta de hábito de produzir sob um padrão metodologicamente diferente e de difícil compreensão para uma região cuja média de escolaridade é o segundo ano primário, torna-se uma das principais dificuldades para sensibilizar um trabalhador que produz há 40 anos de uma determinada maneira.

Dr. Márcio Sabino ressalta a importância da mobilização de todas as instituições ligadas ao campo, no sentido de difundir o programa e convencer os trabalhadores da necessidade de se implantar massiçamente. "O início do programa em Eunápolis depende da adesão".

Texto: Guilherme Ferreira Silva
Fotos: Urbino Brito

 

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