Práticas antiquadas prejudicam produtores de farinha de Eunápolis

Por: NossaCara.com
15/09/2010 - 00:05:47

Por: Teoney Guerra

A produção estimada em 7 mil sacas por mês gera um faturamento em torno de R$ 350 mil. O que é pouco, para um setor que poderia até triplicar o seu faturamento. Essa é a realidade do setor de mandiocultura em Eunápolis, um segmento da economia local que tem tudo para crescer, mas vivencia a estagnação, em razão dos produtores ainda adotarem práticas seculares.

“O setor resiste à modernização”, garante José Gomes do Couto Filho, agente de Desenvolvimento do Banco do Nordeste do Brasil. Ainda segundo a opinião de Gomes, a farinha é o subproduto da mandioca que dá a menor remuneração ao produtor, entretanto é o carro-chefe da linha de produção caseira, que inclui ainda os beijus, tapioca, polvilho e biscoitos, cujo fabrico se dá em pequenas quantidades.

Segundo o bancário, há menos de um ano, prepostos da rede Atacadão estiveram no Ponto Maneca, principal centro produtor de farinha do município, vistoriando as condições das oficinas, interessados em fechar contrato com fornecedores de farinha para a rede. Entretanto, em razão das práticas antiquadas que ainda são utilizadas, desistiram de comprar o produto aqui no município. “Ao invés de ser fornecedor, Eunápolis compra farinha de Nazaré das Farinhas (BA) e do Paraná”, reclama Gomes.

O bancário explica que o setor ainda não se modernizou, por pura falta de visão dos produtores. “O Banco do Nordeste tem tentado investir na modernização do setor: trocar equipamentos, capacitar a mão-de-obra, e até trazer técnicos da Embrapa de Cruz das Almas – o núcleo de referência do setor da mandiocultura da Bahia – para transferir tecnologia, melhora a mão-de-obra e melhorar a qualidade da produção, mas ainda não conseguimos sensibilizá-los”, lamenta.

O técnico do BNB explica que os produtores daqui, jogam fora subprodutos que dão quase tanto dinheiro quanto a farinha. “Aquela água da mandioca que aqui denominam de manipueira, é muito valorizada na indústria de biscoitos, assim como a raspa, que tem bom preço, eles também jogam fora. A parte aérea – folhas – da planta, triturada, é excelente para a ração animal, e aqui vira refugo”, critica o bancário.

De acordo com o bancário, o BNB está elaborando um novo projeto visando modernizar o setor. Assim, está tentando reorganizar esses produtores para, a partir daí, disponibilizar capacitação, crédito e até abrir novos mercados. “Creio que essa será a nossa última tentativa. Se não quiserem...” termina a frase com um gesto muito significativo: de quem lava as mãos.

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