
Por: Jaime Leitão
Texto extraído do site http://jornalcidade.uol.com.br
A fotografia é uma invenção muito antiga que não para de se transformar. Surgiu no ano de 1835, inventada pelo britânico Hanry Talbot e o francês Louis Daguerre, quase ao mesmo tempo, mas o princípio da câmara escura, que deu origem a ela, existe há cerca de dois mil anos ou até mais.
Pena que tenha demorado tantos séculos para se atingir o congelamento da imagem, que antes era captada em uma lata com um buraco, ou mesmo em uma grande sala escura, mas sem que houvesse um meio de capturá-la em um papel, fazendo com que a imagem escapasse e desaparecesse para sempre.
Se tivesse sido inventada séculos antes, poderíamos ter fotos de filósofos gregos como Sócrates ou Platão e de Jesus Cristo, Shakespeare, Camões, Napoleão Bonaparte. A fotografia, além de registrar a imagem fiel de uma pessoa, registra toda uma época, e nos coloca diante da São Paulo de cinquenta anos atrás, com pouquíssimos veículos circulando pelas ruas em relação ao trânsito nos dias de hoje, ou do Rio, dos anos 1940 ou 1950, com Copacabana e Ipanema, vazias de edifícios, com as montanhas tomando conta da paisagem, sem a concorrência do concreto.
Os políticos deveriam fotografar as cidades para ter com elas um contato mais próximo e perceber, através da lente, os inúmeros problemas que existem, para que possam estudá-los melhor e solucioná-los. E nós, hoje com o recurso da câmara digital, podemos fotografar os buracos e outras mazelas presentes no espaço urbano, como muitos já fazem, para enviar aos jornais e aos administradores para, sem palavras, exibir o que precisa ser modificado.
A fotografia, em uma linguagem ultraconcisa, nos revela mundos, paisagens, nos emociona. Hoje, com o Photoshop, a fotografia torna-se presença obrigatória em
galerias, museus e bienais, sem perder o seu objetivo e sem se afastar totalmente da sua natureza de revelar imagens as mais variadas, algumas extremamente criativas e outras desconcertantes.
Hoje, Dia Mundial da Fotografia, vamos fotografar, ver na Internet fotos dos grandes fotógrafos: Henry-Catier Bresson, Sebastião Salgado e, também, buscar o nosso velho álbum de fotografias, esquecido em algum lugar da casa, com nossas fotos da infância. Elas estão ainda lá,um tanto amareladas, mas pulsantes. As fotografias só morrem quando deixamos de olhar para elas. O nosso olhar tem o poder de ressuscitá-las.
Na velha foto, nos reconhecemos e nos descobrimos de uma maneira nova, apesar de terem se passado anos ou décadas daquele dia em que fomos capturados pela máquina que nos captou e nos congelou.
Sem fotos, ficamos sem referência. A casa que foi demolida, o edifício histórico que virou estacionamento, a cidade que não teve o seu passado guardado em imagens tão preciosas. Fotografe agora. Registre o hoje para recuperá-lo amanhã e reacender a memória.
(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. jaimeleitao@linkway.com.br)
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