
Quando o assunto é política, não há crise que atrapalhe
Como o assunto do momento é a crise econômica que já atinge o mundo inteiro, o Brasil também vive lá suas preocupações no sentido de se encontrar uma saída bastante salutar para a grave situação. O pior de tudo isso, no entanto, é quando interesses políticos (no sentido de se atender este ou aquele segmento), acaba por desviar as atenções dos seus respectivos destinos.

Vejam só que engraçado: O mesmo governo brasileiro que retirou bilhões de reais do orçamento previsto para o ano de 2009, visando diminuir gastos com o detrimento de penalizar algumas das suas pastas, é no entanto o mesmo governo que autorizou o direcionamento financeiro para o atendimento a mais 1,3 milhões de famílias que serão beneficiadas pelo programa da bolsa escola. Por conseguinte, é claro que recebeu o aval de governistas que já preocupados com as eleições vindouras para deputados, eis aí um prato cheio para se cobrar votos de pobres inocentes alienados por este Brasil à fora.
Já pelo outro lado, a oposição não poderia deixar de tecer seus comentários negativos, meio a um jogo político que só pende para um lado, a situação.
Eunápolis – Bueiro agora, só na fotografia
Tradicionalmente conhecida como “feira do bueiro”, a área onde se encontra instalado o novo mercado municipal Paulo Souto, no bairro Dr. Gusmão, acaba de passar por uma revitalização que há muita vinha sendo anunciada pelo prefeito Robério Oliveira, desde que assumiu o seu primeiro mandato para prefeito do município de Eunápolis, a partir do ano de 2005.
Como as prioridades foram sendo executadas, em todos os seus quadrantes, este lado foi ficando para depois, até que ao clarear de um novo período administrativo acabou por despertar que já era hora de se acabar com toneladas de entulhos então armazenados numa espécie de cortiço que se envolvia em torno do velho casarão identificado por mercado municipal. Aliás, quem teve o desprazer de assistir acabou por se assustar ao presenciar várias caçambas de lixo que foram retiradas do local, cedendo espaço para um sistema padronizado de boxes que se estendem ao longo da sua extensão, formando um novo visual que por certo já agrada a todos aqueles que costumam freqüentar a tradicional feira do bueiro que... de “bueiro” mesmo resta apenas o nome ou na fotografia.

Lembrança – Que Lembrança! Parte 02
Veio em tão boa hora a idéia deste colunista em despertar na mente dos filhos da cidade de Coaraci, cidade do Sul da Bahia, a necessidade de se resgatar os seus valores sócio-culturais, como forma de manter viva toda a sua história que teve início ainda com o nome de Ribeirão dos macacos, Guaraci e por último Coarací. Pena que os filhos de hoje talvez não tenham o mesmo privilégio daqueles que viveram nas décadas de 50, 60,70 e 80, fase áurea do seu desenvolvimento.

Abrimos a discussão na parte 01, direcionando as nossas lembranças ao cantor e compositor Dido Oliveira, hoje representando muito bem a nossa cidade de Coarací nos palcos de Copacabana, Rio de Janeiro. A partir daí, foram tantos depoimentos de lembranças e saudades, que pedimos permissão aos autores para juntos refletirmos:
- Depoimento de Suely
Ana Suely Mutton anasuelym@yahoo.com
Data: 22/01/2009
Queridos amigos:
Nas minhas recordações lembro de muitos de vocês, com certeza se encontrá-los hoje não conseguirei me lembrar, mesmo porque nunca fui boa fisionomista.
Adorei as lembranças de todos vocês, falando da nossa querida Coaraci. Lembro de ter saído aos berros já morrendo de saudades da vidinha na minha querida cidade. Hoje moro em SP, mais precisamente em São Bernardo do Campo, no grande ABC paulista cidade que eu amo muito. Estou casada, tenho duas filhas, uma já casada e morando em Santiago do Chile e a menor se formando esse ano em engenharia de materiais.
Contarei um pouco das minhas lembranças e espero que alguns de vocês se identifiquem com elas.
Morei na rua JJ Seabra por muito tempo, lá brincávamos na rua de macaco, de corda, roda, bambolê, chicotinho queimado, de matar, capitão, eram muitas brincadeiras, adorava tudo aquilo. Lembro também como tinha medo de Gogó de Sola, Marca Passo e Jeep, que apareciam algumas vezes na cidade. Adorava o picolé de "O BAMBU", as quermesses da Igreja com o parque que chegava a cidade. Aparecer no domingo de manhã no Clube Social procurando o meu pai. Ele jogando buraco com os amigos. Lembro muito bem do meu querido Jorge de Alberto Aziz que me chamava de Suéle, e depois, ir ao Clube dos Bancários brincar no parquinho e ver também o Five Blue jogar. O Colégio Pestalozzi (antes da aula começar, íamos ao salão nobre cantar os hinos do Brasil, Estados Unidos e do Colégio. Lembram disso?), o Colégio de Coaraci, onde a minha saia caiu no meio da quadra e eu morri de vergonha (imagine com 12 anos, foi o caos pra mim... rsrsrs). Não esqueço, é claro, das matinês no cinema e o quanto os meninos batiam nas cadeiras quando a cavalaria chegava pra detonar com os índios.
Evandro, lembro muito de vocâ na minha casa e da sua mãe, uma pessoa maravilhosa.
Jacaré meu querido amigo com quem me casei na festa junina.
Narinha, minha irmã que eu amo demais, brinquei muito com a sua bicicleta.
Aída que sentávamos no muro da casa dela pra chupar limão com sal.
Selma, Jandalmira, Mary, Aldinha, Angélica, Pinda, as filhas da D. Eunice, meu saudoso amigo Rose, muita gente legal, cidade de pessoas maravilhosas.
Sinto pelo que está acontecendo hoje na nossa querida Coaraci e rezo para que ocorram grandes mudanças.
Será que conseguiram me identificar?
Eu sou Suely, filha de José Andrade e Terezinha.
Um beijo enorme a todos
Suca.
- Depoimento de Pedro Ruy
Primeiro, parabéns por repercutir de forma tão ampla, proveitosa,
competente, precisa e prazeirosa "as lembranças de Coaraci", série
iniciada por Bandinho - no Blog de Paixão (A TARDE - Política e Cidadania)
e trazida à este grupo de discussão pelo grande amigo Evandro.
Realmente, sem bairrismo, Coaraci tem algo diferente das outras cidades.
Nos atrai, magnetizando nosso infinito apego às suas coisas (nossas
coisas), as brincadeiras, as travessuras, as estórias e histórias, os
abnegados, os valentes, os folclóricos, os heróis e heroínas...
É cultural, parte de um comportamento social onde não só uma e outra rua
era democrática, mas todo o município. Haja vista o nosso prazer, juntos,
"os com cacau e os sem cacau", em mergulhar nas águas da ponte nova (ainda
ecologicamente equilibradas), ou até, nos deslizes dos pais, nas já
poluídas águas do pau-de-Peri.
E, ainda mais, nos memóraveis pic-nic's e forrós das fazendas Bela Visão
(Gilson, Luzia), de Anísio Evaristo e Duas Barras; nas quadrilhas juninas
dos ginásios e dos clubes; nas puladas de muro para os babas no Clube dos
Bancários e, nas farras homéricas, à toa, em todos os cantos - da Lagoa a
Itamotinga, de São Roque à Ruinha: lá estávamos todos nós, "os com cacau e
os sem cacau".
Transcedendo o ludicismo das nossas saudades, lembremo-nos das ações de D.
Venancinha e D. Vitorinha, apenas para citar dois ícones do passado - com
desculpas às tantas outras pessoas abnegadas na função de fazer o bem e
aquelas que ainda hoje, ou anônimas, ou através de associações civis e
religiosas continuam entregues ao sentimento de que um mundo melhor,
sempre é e será possível.
Mais democrático, impossível. Daí vem a diferença, não nos diferenciamos
uns dos outros e, assim, formamos a verdadeira comunidade de coaracienses.
E hoje, nos vem as lembranças do que foi nossa terra e "lamentamos a sua
situação atual". Certo?
Errado! Erradíssimo. Vimos que não mudamos, as lembranças com saudades das
coisas boas são nossos alicerces e foram construídas, solidamente, a
partir de lá. Achar que a cidade mudou para pior e que lamentamos "muito o
que está acontecendo", está construindo o paradigma do pior - da coisa sem
jeito.
Ora, o jeito de ser coaraciense, permanerce. Olha aí, quantos amigos se
manifestando mostrando que não há omissão, pois estão falando, se
indignando. Agora, se só continuar assim: pronto tá tudo perdido mesmo...
Política partidária-eleitoral, à parte. Somos nós, os de fora e os de
dentro, que devemos reconhecer o que tiramos e que devemos devolver à
nossa terra: nossa sociabilidade, nossa biologia, nossa ascenção cultural
e intelectual, e até nossas lembranças aqui, visceralmente, expostas neste
espaço.
Transformemos, pois, nossas boas lembranças e indignações, em poderosas
armas contra as drogas, a criminalidade, a preservação ambiental e a favor
da paz, para retornar nossa cidade à condição de inimitável produtora de
bem estar e qualidade de vida para os seus habitantes e agregados.
Está posta a discussão...
Abraços a todos
Pedro Rui Barbosa
- Depoimento de Bete 7
Elizabete batista elizabete_batista@yahoo.com.br
Date: 2009/1/27
Como é gratificante ler coisas boas de Coaraci.
Precisamos sim nos reunir e levantar a nossa cidade, pois ela é a nossa história.
Basta boa vontade e seguirmos em frente.
Vocês sabem que estou sempre disponível.
Bete 7
- Depoimento de Jorge de Nonô
Agradecemos ao companheiro Jorge de Nonô pela forte lembrança das fotos que abaixo registramos, com gentileza, é claro, do portal mix do nosso conterrâneo Rodrigo.
Concentração cultural na Praça Getúlio Vargas, centro principal de Coarací. Veja que no fundo aparece o nome da casa Benevides do Sr. Raimundo Benevides, pai do nosso amigo Érico Benevides.
-Depoimento de Carlos Bastos – China
Carlos Bastos chinabastos@yahoo.com.br
Date: 2009/1/27
Velho amigo bolacheiro, no sentido coaracience e não alagoano da palavra, você foi fantástico nesse texto. Desde domingo, depois do seu telefonema que venho aguardando ansiosamente por ele. Não imaginava que sua provocação fosse ser tão brilhante.
Realmente mano, está na hora de nos unirmos para que as nossa lembranças não tornem apenas coisas do passado, e só!. Concordo ipsis literis com suas proposições e creio que devemos realmente começar a debater os problemas que afligem a nossa cidade. Não apenas debater por mero diletantismo ou por puro academicismo, mas fazer um debate sério no intuito de, identificar os problemas e tentar encontrar as soluções.
Lembra-se companheiro, final dos anos 70, as inúmeras reuniões que fazíamos para conquistar a residência Estudantil de Coaraci em Salvador? Pois é, não conseguimos a residência, mas criamos um fórum bastante interessante de discussão naquela época.
Pegando o seu gancho, proponho que formemos um fórum de debates sobre os problema da cidade para que possamos, os de dentro e os de fora, tentar identificar os problemas e possíveis soluções. Como você diz muito bem, sem as amarras da "Política partidária-eleitoral".
Forte abraço meu irmão.
China
-Depoimento de Pimenta
-"Luiz Pimenta" pimenta@norauto.com.br
Date: 2009/1/10
Amigos de Coaraci,
Como é bom ver pessoas fazendo essas declarações de Amor a Coaraci.
Eu amo essa terra e tenho uma vontade muito grande em poder continuar contribuindo para o seu desenvolvimento.
Um grande abraço a todos
Luiz Pimenta.
-Depoimento de Pamponet
Nara Pamponet npamponet@hotmail.com
Date: 2009/1/9
Caros Coaracienses!
Sou também muito saudosista em relação a nossa querida terrinha.
Às vezes me pego lembrando de momentos marcantes citados no texto de Antonio Soares e tantos outros, como os passeios de bicicleta com amigos, minhas companhias nas brincadeias, Selma Santiago, Ana Suely Santos, Angélica, Adelha, Cecília, Dica, Ney, Lalinha, meus primos Gennyson, Eduardo e Hélder.
Tive a melhor infância que uma pessoa pode ter.
Realmente é tudo muito vivo.
Nara
-Depoimento de Augusto
Antonio Augusto Soares augusto1306@ig.com.br
Date: 2009/1/8
Caro Evandro,
Compreendo suas saudades, pois tenho as minhas, também: Morro de amor pela minha adorada Coaraci, pelos natais das quermesses, do parque cruzeiro do sul, dos campos verdes do alto da colina, dos papa-capins e curiós fisgados nas sercas das fazendas de Secundino e Zé Gualberto, do Five Blue do nidalvo quinto, do santos de Wanderley, do Botafogo de Toinho e Massa, dos cines Glória e Hage, dos passeios `a fazenda de D. Noélia Leal, da minha portuguesa, dos GETS nos bailes do clube dos bancários, da Verinha, do Jaime, do VAnildo, do Ditão, do sorriso e das belas curvas de NEIDE a mais bela normalista do lugar - ainda hoje não apareceu outra igual, do Joelson Melo, do Nenga Melo, do Zequinha, das nossas idas e vidas pra a fazenda restauração, dos babas no campo da burundanga, do Rio Almada e, muito, muito mesmo, da insquecível PRIMEIRO DE JANEIRO. Essa belas recordações não passaram, ficaram para sempre. Quando reencarnar vou pedir ao BOM DEUS pra fazer-me filho, novamente, da minha amada Coaraci, minha pátria, meu lugar, meu canto de DEUS!!!
Para completar Lembrança – 02, Vejam abaixo e abram novos depoimentos
Obs: Essas fotos foram oferecidas ao então balconista Evandro Lima Alves que trabalhou em companhia da família Sandes entre os anos de 1970 a 1973, época em que o jovem estudante seguiu para a cidade do Rio de Janeiro, em companhia do seu tio por parte de mãe, Djalma Lima de Araújo.
Frase da Semana: “A vida é uma luta constante na qual sempre vencem os mais fortes”. Irene Sandes/Novembro de 1973.