
Solução desenvolvida em Boa Vista combina concreto e plástico reciclado para reaproveitar resíduos urbanos, reduzir desperdícios nos canteiros e propor uma alternativa ao tijolo tradicional em obras residenciais, comerciais e industriais.
Um bloco de concreto desenvolvido em Boa Vista, em Roraima, usa plástico reciclado granulado na composição e foi criado para reduzir desperdícios na construção civil, com aplicação prevista em obras residenciais, comerciais e industriais.
Chamado Plasbloc, o produto reaproveita resíduos como garrafas PET e materiais recolhidos em postos de coleta e sucatas, transformando parte do plástico descartado em peças voltadas à alvenaria.
A tecnologia é assinada por Almir Ribeiro de Oliveira, técnico em edificação estrutural e idealizador da Plasbloc Blocos Inteligentes, empresa que atua na produção e comercialização de blocos ecológicos fabricados com materiais reciclados.
Segundo a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Roraima, a proposta nasceu da observação do volume de plástico descartado por trabalhadores em uma obra de construção civil.
Diferentemente de um tijolo feito apenas de plástico, o Plasbloc mantém uma base ligada ao concreto, combinando cimento, areia, água, catalisador e plástico granulado reciclado usado como agregado graúdo.
Essa composição permite aproximar a solução da construção tradicional, ao mesmo tempo em que cria uma destinação para resíduos plásticos que poderiam seguir para descarte irregular, aterros ou lixões.
No processo proposto, materiais plásticos de vida útil curta podem ser triturados, granulados e reinseridos em uma peça de maior durabilidade, conectando reciclagem urbana e engenharia civil.
Além da composição, o desenho do bloco integra a inovação apresentada pela empresa, já que o formato foi pensado para otimizar recursos, reduzir desperdícios e facilitar a montagem em diferentes tipos de obra.
Entre os diferenciais apontados por Almir está a dispensa de argamassa na elevação da alvenaria, característica associada à tentativa de reduzir custos e simplificar parte do trabalho no canteiro.
Em declaração à Agência Sebrae de Notícias de Roraima, o empreendedor afirmou que o material busca baratear a obra porque não exige argamassa para levantar a parede nem acabamento da forma tradicional.
Com essa proposta, o produto mira uma etapa sensível da construção civil, em que o consumo de materiais, o tempo de execução e o desperdício influenciam diretamente o custo final.
Ainda assim, qualquer aplicação em edificações depende de comprovação técnica, ensaios laboratoriais e atendimento às normas brasileiras, especialmente porque blocos usados em paredes precisam garantir resistência, segurança e desempenho.
O desenvolvimento do Plasbloc recebeu apoio do Programa Centelha-RR, iniciativa voltada ao estímulo de empreendimentos inovadores no estado e executada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Roraima.
Por meio do programa, projetos selecionados recebem capacitação, recursos financeiros e suporte para transformar ideias em negócios, o que ajudou a tecnologia a avançar na parte técnica.
No caso da Plasbloc, o apoio foi citado como essencial para viabilizar estudos laboratoriais, aprimorar a resistência do material e aproximar o produto das exigências normativas da construção civil.
Almir afirmou que trabalha no sistema construtivo há 18 anos, mas conseguiu desenvolver a proposta em Boa Vista depois de superar dificuldades ligadas a custos de laboratório e ajustes na liga do material.
A origem do plástico usado nos blocos envolve materiais reciclados obtidos em postos de coleta e sucatas, criando uma cadeia que começa no descarte urbano e termina em um insumo de construção.
Ao reaproveitar esse material, o projeto transforma resíduos de consumo cotidiano em componentes aplicados em edificações, setor que utiliza grandes volumes de insumos e costuma gerar desperdícios durante a execução das obras.
Na prática, o apelo do Plasbloc está na combinação entre reaproveitamento de resíduos, redução de etapas e busca por menor custo, sem afastar completamente o produto da lógica da alvenaria convencional.
Durante uma oficina sobre sustentabilidade e inovação empresarial realizada em 26 de junho de 2023, no Edifício Airton Dias, em Boa Vista, Almir apresentou o projeto e associou a tecnologia à preservação ambiental.
Na mesma ocasião, o empreendedor também relacionou o uso do bloco à redução de gastos na construção, reforçando que a proposta pretende unir benefício ambiental e viabilidade econômica em uma solução aplicada ao canteiro.
Embora o uso de plástico reciclado seja o elemento mais chamativo, a tecnologia precisa ser analisada dentro dos critérios técnicos exigidos para qualquer material utilizado em obras.
Blocos empregados em paredes devem atender requisitos de resistência, segurança e desempenho compatíveis com cada tipo de aplicação, por isso os testes laboratoriais são parte decisiva do desenvolvimento do produto.
O caso de Roraima mostra como uma solução criada a partir de um problema cotidiano, o descarte de embalagens plásticas em obras, pode chegar ao setor produtivo com apoio de programas de inovação.
Ao transformar resíduos plásticos em blocos de concreto, o Plasbloc amplia a discussão sobre construção sustentável, redução de desperdício e alternativas ao tijolo tradicional em obras que buscam menor custo e maior eficiência.