De tudo um pouco

Por: NossaCara.com
03/05/2008 - 06:04:25
Ely Oliveira, escritor e agora também colaborador do Nossa Cara.com Ex integrantes das Forças Armadas do Brasil.
Experiência em expedições militares fora do país.
Participou da revolução de 64.
Hoje é comerciante em Porto Seguro (Arraial).
É autor dos livros Áquila o Rei dos Únicos e Memorias Anônimas.
Contatos: (73) 9999-0054
E-mail benaia99@hotmail.com
















A RELIGIÃO E A POLITICA.


Qual deve ser a atitude, politicamente correta, de um crente evangélico, num país democrático como o Brasil? Creio que, no que toca aos evangélicos, o exercício do voto é mais que um simples exercício do dever de cidadania; também deve ser um ato de gratidão para com os políticos e ao país. Isto se deve ao fato de vivermos sob um regime de plena liberdade religiosa. Agora, não devemos confundir o dever de votar – de todos -, com o de participar, de alguns, mesmo que seja num envolvimento em campanhas eleitoreiras. É preciso haver separação.

Políticos é uma coisa, crentes é outra. O crente, evangélico, cristão ou religioso que si preza; consciente da sua condição de criatura regenerada, nascida de novo, que leva uma vida voltada para uma evolução espiritual, é uma pessoa comprometida com “um reino que não é desse mundo”, cujo Rei é o Senhor Jesus Cristo, e sua constituição é a bíblia sagrada.

E, para que se chegasse a essa condição foi necessário haver um doloroso processo, envolvendo humilhação, sofrimento, agonia e morte; ressurreição, glorificação, ascensão, e exaltação celestial do rei desse reino, o Senhor Jesus, o qual está sendo esperado de volta a terra, onde assumirá seu governo pelo tempo de 1000 anos, desmantelando todo o sistema político mundial. Loucura? Parece ser loucura sim!

Mas, tais coisas não podem ser desprezadas, pois, os seres humanos que voluntariamente se dignam participar do dito processo político celestial sabem e aceitam isso como verdade absoluta. Sendo assim concluímos que: os crentes militantes dessa ordem política transcendental são subversivos espirituais. Quanto aos crentes que se envolvem na política terrena, ignorando os objetivos do plano divino, como se classificam? Logicamente, é uma espécie de traidores camuflados pelo termo “infidelidade partidária”. Pois, são enganados com a idéia de haver possibilidade de mudar a opinião de Deus, sob pretextos de alterar certas medidas voltadas a interesses mesclados com religião e ordem pública.

Mais interessante que ser crente político é saber administrar a liberdade que o regime democrático proporciona as religiões, e discernir os reais interesses do Filho de Deus no planeta Terra. Apelações sem sabedoria é bobagem! Pode converter todos os integrantes dos três poderes da república brasileira que nada vai alterar o rumo profético traçado pelo poder divino. – “O que é já foi; o que há de vir também já foi; Deus fará renovar tudo o que se passou”.

A política na esfera objetiva, aparentemente é bem mais vantajoso que a da esfera subjetiva. Os resultados imediatos e concretos – anteriores ao tumulo, são mais preferíveis que os mediatos e abstratos, após a morte.

O poder político social não faz exigências psíquicas como, por exemplo:

1) - Negar a si mesmo.

2) – Tomar a cruz.

3) – Seguir a Jesus.

4) – Amar ao próximo.

5) – Não cobiçar, etc.
- “Porem...!” Dirão alguns. “... A política é um recurso social imprescindível; não podemos viver sem ela”.

Correto! Todos dependem direta ou indiretamente de política. Todavia devemos observar que usá-la em nosso viver, não significa depender dela para viver.

Cocaína na dose certa é remédio que alivia a dor; em excesso é veneno que pode matar.

Não podemos ignorar a diferença comportamental e decisiva entre um crente fiel e um político, diante, por exemplo:

a) da vontade Deus.

b) da vontade do povo.

c) da voz do Espírito Sagrado

d) da voz do povo.

Qual vontade e qual voz devem ser escolhidas a ser obedecida por cada um deles?

Que mortal consegue impor a vontade e a voz de Deus num plenário político terrestre? Que crente consegue impor a vontade e a voz do povo dentro da Igreja-corpo de cristo? Não estamos subjugando a soberania de Deus, em nenhum dos casos. Ele faz acontecer como Lhe aprouve, onde e quando julgue necessário.

Também devemos observar a conivência de certas organizações denominadas igrejas que aprovam e apóiam a política, e que seus membros pleiteiem cargos públicos com nítidas intenções de levarem algum tipo de vantagem. Isso não chega a ser uma atitude profana, herética, ilegal ou imoral, contudo cabe uma interrogação: O Deus que dizemos acreditar precisa de apelar para tais tipos de expediente para levar avante o seu plano eterno, no qual está incluso a crucificação do Seu Filho Jesus Cristo?

Admitamos sem rodeios: é uma vergonha que aja lobistas “evangélicos” tentando defender os interesses de Deus junto aos poderes públicos. Basta perguntar ao mais humilde dos brasileiros qual a sua opinião, para sentirmos a fragilidade do dom de discernimento de certos indivíduos rotulados de evangélicos. Que a política é boa para certas organizações religiosas, é inegável; mas, benéfica para a NOIVA DO CORDEIRO, nunca!

Um outro ponto que nos impressiona é o seguinte: na política democrática o alvo principal é respeitar e fazer valer a vontade do povo, a qual, em democracia é soberana e às vezes chega suplantar outros poderes acima do seu como aconteceu no julgamento de Jesus, onde Pilatos, apesar de saber da Sua inocência O entregou nas mãos de seus algozes para ser crucificado. Baseado em que ele tomou tal atitude? Na vontade de um povo desestabilizado politicamente; subjugado pelo império romano, mas que mesmo assim obtiveram sua vontade satisfeita. Pilatos, o governador, agiu politicamente; desprezou a verdade em favor de uma ação politicamente correta. Entretanto teve sua atitude repreendida pelo silêncio como resposta da sua última pergunta feita ao Senhor Jesus: “O que é a verdade?”. (O silêncio de Jesus teria sido em desaprovação a subestimação da verdade a favor das exigências circunstanciais da política?) Como fica um crente fiel ao Senhor Jesus tendo que decidir numa situação parecida como esta?
Vamos esclarecer as coisas. As benesses oferecidas pela democracia precisam ser aproveitadas pelos evangélicos com muita sabedoria. Senão vira arma nas mãos do inimigo. A liberdade religiosa dos países democráticos tem produzido uma avalanche de seitas e organizações religiosas chamadas de igrejas. Já são conhecidos mais de 10.000 nomes de organizações de cunhos religiosos. Isso não é saudável para a esperada volta de Jesus. Porque isto não acontece nos países não democráticos e principalmente no lado oriental do planeta?
Outro detalhe que vale ressaltar é a seguinte: qual a diferença de um político corrupto ou honesto que aceita Jesus numa determinada igreja, e um crente, fiel ou não, que decide entrar na política?
Quantas coisas o político tem que abandonar, e quantas o crente tem que assumir? Isso sintoniza com os princípios apostólicos doutrinários da Igreja de Cristo Jesus? A bíblia diz que há festa nos céus quando um político (pecador) se converte (arrepende), mas, será que acontece a mesma coisa quando um crente entra na política?
Vejo a política como uma arte que deve ser executada por POLITICOS. No mesmo sentido creio que ser CRENTE - membro do corpo de Cristo - é uma pessoa portadora de uma dádiva divina, que, deve ser exercida com uma habilidade intuitiva acima da razão. Fora dessa realidade estão os “crentes e políticos”, também PERITOS, mas sim, na arte de representar artisticamente qualquer papel que lhes chegue às mãos.

Sejamos “simples como as pombas, mas astutos como a serpente”: disse Jesus. Tanto política como a Igreja de Cristo tem paradigmas éticos inalteráveis. São eles que modelam seus adeptos e não como pensam muitos que se julgam capazes de executar mudanças revolucionárias em suas normas de ações. Não sejamos infantis. Políticos e líderes religiosos são guiados e limitados. Os presunçosos sempre acabam mal. Oferecer ao povo o que Deus quer que Lhe peçamos e falar em Seu nome o que Ele não ordenou é muito perigoso. O evangelho de Cristo nos ordena a obedecer todas as autoridades constituídas, mas em lugar algum está escrito que devemos nos candidatar ou escolher alguém para ocupar cargos com intenções de ajudar o Senhor a proteger Sua igreja.

Plagiando superficialmente Voltaire, o filosofo incrédulo, declaro:

-- “Não concordo com a participação de crentes na política, mas defendo o direito de o fazê-lo”.

Agradeço a Deus por viver no Brasil, um país cujo regime político concede liberdade religiosa irrestrita, a todos os credos religiosos, para cultuarem seus deuses e o direito, a todos os seus membros, seguidores e simpatizantes, de se candidatarem livremente a cargos eletivos.

Todavia, faço minha, uma advertência dita pelo Senhor Jesus...
– “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às Igrejas”.


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