
O auditório da CEPLAC, dia 28/02, abrigou a Primeira Conferência da Juventude da história de Eunápolis. As conferências municipais respondem à convocação do decreto 10.460 de setembro de 2007, que estabelece a primeira Conferência Estadual de Políticas Públicas de Juventude que, por sua vez, atende ao chamado federal da Secretaria Nacional de Juventude, que estabelece a Conferência Nacional da Juventude, a se realizar no mês de abril, em Brasília. De Eunápolis sairão os delegados representantes que participarão da etapa territorial, em Teixeira de Freitas, 6 de março.
A Conferência de Eunápolis seria municipal e eletiva se a prefeitura a tivesse convocado até o dia 02 de novembro de 2007. O segundo parágrafo do Art.19 do Regimento Interno Estadual da 1ª Conferência de Políticas Públicas de Juventude da Bahia determina: se a municipalidade não fizesse a convocação essa prerrogativa passaria para a sociedade civil. Estudantes, profissionais liberais e a Pastoral da Juventude se uniram e passaram a convocar os jovens a levantar suas bandeiras no dia 28.
A prefeitura alega que não recebeu comunicado algum sobre a convocação para a etapa municipal. Da mesma forma, nem a prefeitura e nem os organizadores sabem explicar os motivos que levaram o Estado transferir de Eunápolis para Teixeira de Freitas a sede da etapa territorial. Desencontros a parte, prefeitura e sociedade civil se uniram e a conferência foi um sucesso, apesar de um expressivo baixo número de participantes.
Ao abrir os trabalhos e expor os temas a serem debatidos pelos segmentos sociais ali presentes, quais sejam: educação, trabalho e cultura, o baixo número de participantes foi contemporizado pela chefe do cerimonial e uma das organizadoras do evento, Luciana Oliveira, com a legítima justificativa do pouco tempo para divulgação e pelo fato de o assunto: políticas públicas para juventude ser relativamente novo no Brasil. 
Em seguida foi a vez da Secretária de Assistência Social, a Professora Nevolanda Menezes, fazer uso da palavra. Entusiasmada, ela quer, a partir dessa conferência, ver mudar o quadro social da juventude eunapolitana. A Professora lamentou por Eunápolis não ser mais a sede da etapa territorial, mas aposta nos representantes daqui. "Temos que encaminhar jovens com garra de brigar por uma vaga para a estadual e a nacional. Eunápolis já encaminhou uma representante para uma conferência nacional da criança e do adolescente", disse a Professora.
Quanto às políticas públicas municipais para a juventude, Nevolanda, em entrevista para o site Nossa Cara, citou iniciativas próprias e em parceria com o Governo Federal. O Reconto Refazendo o Conto, que atende 14 jovens em conflito com a Lei, é coordenado pelo padre José Carlos com o apoio de instalações e servidores municipais. Da mesma forma é o trabalho de alfabetização com mulheres bordadeiras no bairro Moisés Reis. A Casa de Apoio abriga o projeto federal Sentinela, de combate à exploração sexual de crianças, que este ano, segundo a Professora, não distribuiu camisinhas no carnaval. "Porque o foco da campanha esse ano eram as crianças", disse ela.
A conferência seguiu com a palestra do Coordenador Pedagógico do Projeto
Juventude Cidadã, de Vitória da Conquista, o Historiador Marcelo Lopes. Em 40 minutos de palestra ele contou como o sucesso de um projeto que está colocando três mil jovens no mercado de trabalho serviu de inspiração para ser implantado em Recife, uma cidade com um contingente muito superior de jovens, que Vitória da Conquista.
Marcelo disse que apesar de políticas públicas para juventude ser um assunto novo no Brasil, em relação a países como Argentina e Uruguai, por exemplo, que há décadas as desenvolvem, as políticas estabelecidas a partir de 2004 são bem articulada entre todos os órgãos federais.
Quando o projeto se iniciou, a equipe com a qual Marcelo trabalha se deparou, segundo ele, com 70% dos jovens sofrendo de uma profunda baixa auto-estima. "Em relação ao futuro, à política, aos estudos, ao trabalho e a eles mesmos". As demandas eram muito urgentes e, por isso, "o planejamento andava junto com a execução", contou Marcelo. Os resultados positivos, refletidos na capacidade de o projeto se exportar, de acordo com Marcelo, "é a seriedade com que foi levado adiante".
Depois da palestra, os participantes se reuniram em três grupos para debater os temas propostos pela Conferência. As conclusões foram muito parecidas. De uma forma geral, os grupos concordam que Eunápolis possui ensino público fundamental, médio e superior.
Mas também concordam que os ensinos médio e superior estão mais acessíveis à elite, que é egressa do ensino particular. Servidores da Secretaria da Educação que participaram da Conferência relataram que é grande a evasão de estudantes do CEFET, por não suportarem o nível de exigência, principalmente quando se trata de estudantes que tiveram sua formação fundamental no ensino público.
Em relação à cultura, os grupos concordaram que a absoluta falta de instrumentos culturais, como: teatro, cinema, galerias, entre outros, condena os jovens à alienação da produção cultural de massa.
A despeito de Rodrigues, os participantes foram unânimes quanto à falta de políticas públicas e a não participação da iniciativa privada como fatores determinantes que impedem a juventude de se organizar e contribuir para o desenvolvimento social de Eunápolis.
Durante a conferência foi formada a comissão que vai elaborar a criação do Conselho da Juventude. Segundo o representante da Pastoral da Juventude, Tobias Albino dos Santos, "o conselho fiscalizará os benefícios que vêm para a juventude do município e vai atuar junto à sociedade para esclarecer os direitos da juventude".
A Conferência foi encerrada com muitas palmas depois da apresentação do cantor Odair e do poeta Osmar Machado, ambos representantes do Liceu de Artes Fundação Antônio Conselheiro.
Guilherme Ferreira da Silva
guilherme.ferreira.silva@gmail.com
Fotos: Urbino Brito