
Por: Bento Quinto
Eunápolis – 31/08/10 – Policiais militares da sétima CIPM participaram do processo de desocupação da área de litígio ocupada por 517 famílias de trabalhadores rurais sem terras, que a um ano e quatro meses sob a Bandeira da FETAG-Ba plantam feijão, milho, melancia, abóbora e outras culturas, além da criação de pequenos animais em mais de mais de quatrocentas hectares reivindicada pela Veracel Celulose como sendo de sua propriedade. O local fica localizado a uma distância de cerca de quinze quilômetros depois do Bairro Alecrim-I, cujo acesso é feito por estrada vicinal e faz fronteira com a Comunidade rural do Projeto Maravilha, no interior do Município.
“Viemos aqui dar confirmação a um ato judicial no qual a gente ainda está concluindo e, graças a Deus, tudo está transcorrendo em paz”, declarou ao NossaCara.com o oficial de justiça Fernando Cezar Moura, acrescentando que a chegada das autoridades ao local se deu por volta das 07h30s da manhã desta ter-feira. E o tenente PM Ival, comandante da operação policial declarou que “na verdade a Policia Militar só veio aqui acompanhar o oficial de justiça dentro desse processo de desocupação e até esse presente momento (13h25s) sem nenhum empecilho, tudo transcorrendo dentro da normalidade”.
Já o líder do Acampamento Dois de Julho alvo da Ação Judicial, José Alves Câmara, o Bolinha, diz que “nós temos aqui quatrocentas e vinte e cinco hectares de terras ocupadas com plantio de mandioca, além de abóbora, melancia, feijão, mamão, café e eles estão se aproveitando dessa situação destruindo nossos barracos erguidos nos roçados, sem poupar nossas telhas de Eternit (amianto) como uma forma de apagar nossos esforços, nosso suor, nossos sonhos e a nossa luta de dispor de terras para plantar, mas não vão conseguir nos fazer voltar para a Cidade”. “Nosso apelo é no sentido de que as autoridades competentes ajam logo vindo nos dar a posse da nossa terra”, diz ainda Bolinha, acrescentando que “por enquanto os trabalhadores rurais sem terras estão sendo escravos da Veracel”.
E o sindicalista e delegado regional da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado da Bahia (FETAG), Wellington Santos, diz que “nós respeitamos o trabalho que está sendo aqui realizado tanto pela Polícia Militar, quanto pelo pessoal da Justiça, mas, sabemos que a nossa luta, a luta do trabalhador rural sem terra é contínua”, exclarecendo que não há nenhuma resistência por parte dos trabalhadores em cumprir essa reintegração de posse.
“Agora, o que nós queremos é dialogar com a direção da própria Veracel junto ao Estado, no sentido de que seja apontada uma área alternativa para que possamos resolver esse problema que não é só relacionado à Bandeira da FETAG, mas que atinge, também, outros movimentos sociais como o MST e o MLT”, acrescentando que na próxima semana estará indo à Salvador para cuidar de processo de discriminatória feito na área através da CDA-Coordenação de Desenvolvimento Agrário, Órgão do Governo.