
O Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais de Eunápolis - STTR, as Federações de Trabalhadores na Agricultura da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo – FETAGs e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura realizaram no auditório da CEPLAC, nos dias quatro e cinco de março, um seminário sobre reforma agrária e agronegócio.
De acordo com o Diretor de Política Agrícola da Contag, Paulo Carallo, “os principais objetivos do seminário são o de discutir com os trabalhadores problemas comuns por conta da expansão das monoculturas, principalmente a do eucalipto e suas conseqüências, como o êxodo rural, o desemprego e a violência”. 
Carallo afirmou que o seminário foi convocado para a classe estabelecer ações pontuais e agendadas no sentido de chamar a atenção das autoridades constituídas sobre o contraponto do agronegócio em relação à agricultura familiar. Enquanto o primeiro cria um desenvolvimento econômico favorável o mercado de exportação ao tempo que cria uma degradação social, a segunda fortalece a economia interna e estimula o desenvolvimento social.
Após as apresentações, os participantes formaram três grupos para discutir os resultados de uma reunião que ocorreu em Eunápolis, no dia 08 de fevereiro. Entre
os temas, podia-se destacar: acentuado êxodo rural nas três regiões; ingerência de empresas privadas sobre os três poderes, nos três níveis de governo; financiamentos bilionários para empresas estrangeiras e dificuldades de acesso do pequeno produtor a financiamentos, entre outras questões.
Durante a apresentação dos resultados, os grupos perceberam que eles não diferiram muito entre si. Os grupos se reuniram novamente para estabelecer uma agenda conjunta de ações. Para estabelecer os prazos da agenda, foi criada uma comissão que se reunirá no dia primeiro de abril, em Nanuque.
As ações prioritárias são: ocupação da BR 101; ocupação das áreas com plantações de eucalipto e cana-de-açúcar e de órgãos públicos, simultaneamente; greve em toda a cadeia produtiva do eucalipto/cana-de-açúcar, desde a plantação/fabricação, transporte, fornecimento de alimento, corte, envolvendo os sindicatos dos rodoviários e transportes de cargas; ocupação do Poder Judiciário; ação de massa de ocupação nas áreas em que as famílias estão à espera por muito tempo, principalmente em terras devolutas já vistoriadas e decretadas; ocupação nas empresas, por tempo indeterminado.
A indignação dos trabalhadores com a lentidão do processo de reforma agrária, ao tempo que assistem a célere Justiça legitimar a ocupação de terras por empresas estrangeiras, está provocando reações diversas. O Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Medeiros Neto, Davino Oliveira Silva, citou como exemplo o ato do qual ele participou em julho de 2007, quando 2100 pessoas ocuparam uma fazenda e derrubaram 60 hectares de eucalipto. Davino explicou que a área havia sido declarada improdutiva pelo INCRA, mas com a demora do processo, o proprietário vendeu à Suzano, que não perdeu tempo em formar eucalipto.
Os trabalhadores denunciaram que não agüentam mais fazer levantamento de terras devolutas e os órgãos oficiais dos três poderes e nos três níveis de governo, entregarem com toda rapidez às empresas. Um levantamento feito pelo Engenheiro Agrônomo Paulo Adriano de Morais informa que 30.788,84 dos 119.316,76 hectares de Eunápolis, são devolutos.
Os trabalhadores fecharam o seminário com a certeza de que somente a união entre os movimentos sociais fará frente ao agronegócio. Davino relatou aos participantes a cena que presenciou, no hotel onde ficou hospedado. Segundo ele, “era um besouro bem criado e grande, carregado por pelos menos uma centena de formiguinhas que dava trabalho enxergar”.
Matéria: Guilherme Ferreira
Fotos: Urbino Brito