
Cerca de 900 mulheres da Via Campesina ocuparam, no início da manhã desta terça-feira (4) a fazenda Tarumã, de 2.100 hectares, no município de Rosário do Sul (a 400 km de Porto Alegre). Segundo informa a assessoria de comunicação da Via Campesina, elas chegaram na área por volta das seis da manhã e imediatamente iniciaram o corte de eucaliptos e o plantio de árvores nativas. Em nota à imprensa, as mulheres justificam a ocupação e acusam a Stora Enso de agir ilegalmente ao comprar terras em área de fronteira:
“Nossa ação é legítima. A Stora Enso é que é ilegal. Plantar esse deserto verde na faixa de fronteira é um crime contra a lei de nosso país, contra o bioma pampa e contra a soberania alimentar de nosso estado que está cada vez mais sem terra para produzir alimentos. Estamos arrancando o que ruim e plantando o que é bom para o meio ambiente e para o povo gaúcho”.

Segundo a Via Campesina, a Stora Enso, empresa sueco-finlandesa, desrespeita a lei n° 6.634, de 1979, e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal que diz que estrangeiros não podem adquirir terras em uma faixa de 150km da fronteira do Brasil com outros países. A Stora Enso vem comprando dezenas de áreas nesta região com o objetivo de formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares e implantar uma fábrica de celulose na região. Para tanto, adquiriu terras em nome da empresa Derflin. Mas como essa empresa também é estrangeira, não conseguiu legalizar as áreas. A Stora Enso criou, então, outra empresa, agropecuária Azenglever, de propriedade de dois brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Ponte (diretor florestal e vice-presidente da empresa para a América Latina, respectivamente). Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já foram compradas pela Azenglever.
No início da tarde, a assessoria de imprensa da Via Campesina divulgou nota denunciando que um efetivo de 50 homens da Brigada Militar agrediu fisicamente algumas das mulheres que se encontravam na entrada da área. O próprio comandante Binsel teria desferido socos e pontapés contra as manifestantes. Jornalistas foram impedidos de exercer sua atividade. “Todos os jornalistas que se encontravam na área foram revistados e retirados com violência. Equipamentos e telefones celulares foram retirados dos jornalistas. Um cinegrafista, que registrou a agressão às camponesas, teve a fita apreendida e foi mantido algemado em um veículo da Brigada Militar por mais de uma hora”, diz a nota. A Via Campesina condena a postura de omissão sobre as denúncias de compra ilegal de terras na faixa da fronteira e o comportamento do governo Yeda Crusius de intransigência e repressão aos movimentos sociais.
Escrito por Marco Weissheimer
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