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Por: Diogo Vaz Pinto
Dezenas de polícias franceses apoiados por um helicóptero e por agentes da gendarmaria (força militar) estão empenhados numa grande operação de caça ao homem em Paris, depois de um atirador ter disparado uma caçadeira no edifício do jornal de esquerda "Libération", deixando um jovem fotógrafo entre a vida e a morte.
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A operação de larga escala estava a concentrar-se na área em volta dos Campos Elísios, em busca de um homem com uma espingarda de canos serrados e um saco de desporto contendo granadas. A polícia descreveu o suspeito como um europeu entre os 40 e os 45 anos de idade, de cabeça rapada coberta por um boné, com um casaco verde e um colete possivelmente à prova de bala. De estatura mediana e encorpado, o homem que uma testemunha disse ter mostrado um ar "sereno e determinado" causou o pânico atravessando a cidade através de transportes públicos e do sequestro de um carro privado.
Chegando ao átrio principal do "Libération" pelas 10h15 da manhã (hora local), o homem fez dois disparos antes de escapar a pé, sendo visto mais tarde no movimentada área de negócios de La Défense, atirando desta vez sobre a sede do segundo maior banco francês, Société Générale.
O atirador foi ainda avistado na Avenida dos Campos Elísios a uma hora em que compradores e turistas a enchiam, isto depois de ter forçado um condutor a transportá-lo até ali.
O ataque ao "Libération", no nordeste da capital francesa, surge dias após um homem armado ter invadido as instalações do canal de notícias 24 horas BFMTV. Com ténis verdes, boné preto, calças pretas e um casaco sem mangas, o atirador apareceu à frente de Philippe Antoine, editor-chefe da BFMTV, e, atirando dois cartuchos para o chão, disse-lhe: "Da próxima vez não me escapas." E desapareceu. "Tudo terminou em segundos", explicou Antoine.
Os media franceses avançaram entretanto que a polícia tinha já comparado os cartuchos encontrados no átrio do "Libération" com os que ficaram na BFMTV, além das imagens das câmaras de segurança da estação televisiva e do jornal, tendo determinado que o autor dos dois ataques seria o mesmo homem. As redacções dos principais órgãos noticiosos em Paris ficaram ontem sob protecção policial.
O jovem de 27 anos atingido no peito e no braço pelos tiros de caçadeira encontra-se em estado crítico, e o jornal adiantou que trabalhava como assistente de um dos fotógrafos.
O editor do "Libération", Nicolas Demorand, disse que os funcionários foram "testemunhas horrorizadas" do drama. "Quando acontece alguém com uma caçadeira entrar num jornal numa democracia, isso é algo muito muito grave, qualquer que seja o estado mental da pessoa." E acrescentou: "Se os jornais e os meios de comunicação tiverem de se transformar em bunkers, então há algo de errado na nossa sociedade."
Manuel Valls, o ministro do Interior, disse que a polícia estava a esforçar-se para apanhar um indivíduo "perigoso", e adiantou: "Enquanto ele estiver a monte e não conhecermos as suas motivações, representa uma ameaça séria. Temos de agir depressa."
François Hollande, o presidente francês, de visita ao Médio Oriente, disse que tinha ordenado que "todos os meios possíveis" fossem usados para encontrar o atirador.