No dia da festa do seu Padroeiro, 6 de agosto, um pouco da história de Gabiarra

Por: Teoney Guerra
06/08/2013 - 08:29:21

Por: Teoney Guerra

Crédito da foto:
Arquivo da Família Meira
Reprodução: Urbino Brito

A escolha do Bom Jesus como padroeiro de Gabiarra deve-se ao nome do santo estar ligado aos primórdios da povoação, quando recebeu a denominação de Bom Jesus do Córrego Grande.

Era o início da década de 1930, quando as primeiras moradias toscas de taipa, cobertas de palhas, foram construídas numa clareira aberta na beira do Córrego Grande, região oeste do município de Santa Cruz Cabrália.

No final da década, a povoação era uma vilazinha de duas ruas ainda em formação, habitada por menos de três dezenas de famílias, das quais, apenas uma era de baianos – as demais eram de Minas Gerais.

Na época, gêneros e produtos de primeira necessidade como o querosene, o sal, o sabão, açúcar e outros alimentos vinham de Pedra Branca – hoje, Itapebi -, ou de Porto Seguro, que era o principal centro comercial da região. O abastecimento com esses produtos era feito através das tropas, que cumpriam longas jornadas. Uma viagem de ida e volta a Porto Seguro, por exemplo, podia durar até dez dias. 

Na década seguinte, a povoação ganhou novos habitantes, e acredita-se que, na segunda metade da década, foi instalado no local um Cartório de Registro Civil. Data também dessa época, a mudança do nome de Córrego Grade para Gabiarra – anteriormente, o nome da localidade já havia deixado de ser Bom Jesus do Córrego Grande, para apenas, Córrego Grande.  

 Por volta de 1939, o padre Emiliano passou a dar a assistência religiosa na localidade. Ia sempre em janeiro, para a festa de São Sebastião, dia 20; em agosto, para a festa do Padroeiro, Bom Jesus, dia 6; além de outubro. Normalmente ficava na localidade, em média, uma semana. Nesses períodos, fazia batizados, casamentos e rezava missas. Antes do padre Emiliano, outro sacerdote, João Clímax dos Santos, de Belmonte, frequentara a localidade.

 

No início da década de 1940, Córrego Grande já dispunha de diversos estabelecimentos de comércio, as “vendas”, algumas lojas que vendiam tecidos, roupas, chapéus, calçados, uma alfaiataria, gabinete odontológico, farmácia, escola, cadeia, com a assistência de um subdelegado.

Em 1954, foram construídas duas estradas. Uma, ligando o povoado a Salto da Divisa e outra a Mundo Novo. Por esse tempo, em certas ocasiões, como quando o padre Emiliano ia ao povoado, Gabiarra recebia muita gente vinda de outras localidades, como de Pedra Branca, Salto da Divisa, Itagi  - hoje Itagimirim -, União Baiana, Mundo Novo e de Porto Seguro. Havia algum movimento na localidade, também, em razão do Cartório.

Nessa época, alguns dos mais importantes negociantes da localidade “entraram para a política”. Não se sabe com detalhes, como isso ocorreu, apenas que foram formados dois grupos políticos, um filiado à União Democrática Nacional (UDN), e outro ao Partido Social Democrata (PSD). O “doutor” Áureo, Osório Santos, Benedito Araújo, Zé Rodrigues, Eliezer Leite, Alcides Lacerda, Arnoldo Lima e Aristides Meira, entre outros. O povoado passou então a ter também importante participação na vida política de Santa Cruz Cabrália. Ali, as eleições do município passaram a ser decididas. Três desses políticos – mesmo morando no povoado - foram eleitos prefeito: Eliezer Leite, Arnoldo Lima e Alcides Lacerda. Aristides Meira, que sempre foi candidato a vereador, foi eleito para cinco legislaturas consecutivas – cinco vezes vereador.

Na década de 60, a povoação viveu seus melhores tempos, os “tempos áureos”, e também entrou em decadência. Essa fase de declínio teria começado com a saída de importantes comerciantes, lideranças, políticos e suas famílias de mudança para Eunápolis, povoado, então em franco desenvolvimento. Ciclo esse que se aprofundou com um componente político: a ascensão do então MDB ao poder no município, com a eleição de Alcides Lacerda. Essa ascensão do partido da oposição à Prefeitura de Santa Cruz Cabrália teria causado, por parte do grupo governista estadual, uma espécie de “perseguição” com o corte de verbas do Município. Sem essas verbas, Gabiarra, mais do que a sede do município, teria sofrido com a diminuição do dinheiro em circulação e a consequente queda no movimento do Comércio local. Houve uma sequência de governos do MDB: Alcides Lacerda, Elivar de Moura Ferreira e depois, novamente, Alcides. Processo de decadência do qual a povoação nunca se recuperou.

Esse breve resumo da história de Gabiarra faz parte de pesquisa que está sendo feita por Teoney para a produção de um livro sobre a história de Eunápolis.

 

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