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As 27 famílias invasoras de área do Município, no bairro Cidade de Águeda, aguardam uma solução para conseguirem moradia fixa. Segundo eles, ninguém sai do local sem uma casa. "Queremos uma casa, assim como todos", diz Katicilene Silveira. Outro ocupante, Frank Júnior, afirma: "aqui somos todos trabalhadores, não tem vagabundo e não é barraco como disseram que era e muito menos queremos favela, mas é o que temos. É a nossa casa e não vamos sair".
Ivanilda Cardoso, que cuida de um terreno invadido pelo filho, ressalta que há muitas casas vazias no bairro. Casas essas entregues à população através do programa "Minha Casa Minha Vida". "São casas que foram entregues e a pessoa simplesmente fechou e não tem ninguém morando nelas. Então porque não pegam essas casas e distribuem novamente entre aqueles que não tem onde morar", indaga.
Vanderlei Oliveira da Rosa, desempregado e com três filhos, tendo o menor deles somente quatro meses, enfatiza que praticamente todo o bairro é irregular. Ele, assim como muitos dos invasores, aponta uma casa pré-fabricada, de uma invasão passada, e que ficou para trás. "Se não tirarem essa casa nós também não saímos. Se seguem a lei, esta deve ser válida para todos"
O secretário da Habitação, Roberto Dutra, informa que a administração municipal encaminhou o processo para a Procuradoria na mesma semana da invasão. "Nós fizemos nossa parte. Fizemos o levantamento das primeiras invasões, que aconteceram nos dias 1º e 2 de setembro deste ano e as famílias foram notificadas". Afirma que no feriado de 7 de setembro houve a demarcação de mais 30 terrenos e a Secretaria foi lá novamente. "Constatamos e notificamos todas as famílias. Fizemos inclusive um levantamento fotográfico e encaminhamos para a Procuradoria Jurídica, que já pediu a reintegração de posse".
Novas construções
Dutra informa que vai continuar a construção das 161 unidades habitacionais restantes do programa Minha Casa minha Vida. "Já temos a empresa que venceu a licitação para essas unidade, que irão completar o projeto das 300 casas. E até a empresa já está acertando a documentação junto à Caixa Econômica Federal para iniciar a construção". O secretário frisa, no entanto, que estas unidades não serão destinadas aos invasores. "Essas casas já têm as famílias definidas".
Sobre a queixa das casas entregues e abandonadas, Dutra diz que uma coisa nada tem a ver com outra. "O que acontece é que muitas pessoas receberam, quitaram, venderam ou deixaram a casa fechada. Mas é deles. São casas quitadas, e os proprietários podem fazer o que quiserem". Em relação a casa pré-fabricada, aponta que a reintegração envolve também essa casa. "Quando todos saírem, ela sai também. Não sou condescendente com isso. Se tem dinheiro para comprar uma casa pré-fabricada é porque tem dinheiro para comprar um terreno".
As especulações de que a Secretaria de Habitação não faria mais nada, pois de janeiro em diante Rio Grande terá nova administração, foi negada por Dutra. "Sou secretário até 31 de dezembro e farei o que tem que ser feito". Ele aproveitou para anunciar o começo de uma nova etapa de construção de mais 2 mil e 200 casas já na virada do ano, contemplando trabalhadores na faixa salarial de até três salários. Estas serão construídas nas proximidades do Aeroporto, Cidade de Águeda, Castelo II e Furg. "É uma questão do novo governo dar continuidade ou não ao projeto".
Questionado se estas serviriam para os invasores da Cidade de Águeda, Dutra foi claro: "não dou prioridade para invasor. Dou sim para nomes que existem na lista de inscrição e esperam há três anos". Para o secretário, o que está agravando a situação no Rio Grande é a vinda de muita gente a procura de um emprego. "Eles vem para cá e nem sabem se há emprego para eles. Rio Grande tem muito emprego, mas para mão-de-obra qualificada".
Ele exemplificou citando o caso de um homem que invadiu um terreno na Cidade de Águeda e que é de Novo Hamburgo. "Ele veio tentar um emprego já trazendo a mulher e os três filhos. Não tem cabimento. O que temos que fazer urgente é um trabalho de controle. Sou amplamente favorável a isso. Vem o trabalhador com a família, se tem emprego fica. Se não tem, a municipalidade paga a passagem de volta a cidade de origem. Se não for feito um trabalho neste sentido, vamos ficar cercados por cinturões de miséria, pois estas invasões não vão parar", finaliza.
Por: Anete Poll
anete@jornalagora.com.br