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Por: Rodrigo Bertolotto
Do UOL, em São Paulo
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http://eleicoes.uol.com.br/2012/uol-pelo-brasil/2012/10/05/dirigente-dos-cornos-de-rondonia-arrisca-vaga-de-vereador-e-tem-ate-projeto-para-o-habitacorno.htm
Presidente da Ascron (Associação dos Cornos de Rondônia), Pedro Soares, sentiu o gosto da traição do eleitor.
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Mesmo com 7.288 associados ao grupo que lidera, ele teve apenas 453 votos para vereador de Porto Velho, capital do Estado.
Ficou muito longe da cadeira na Câmara Municipal. O vereador eleito com menor votação na cidade foi Chico Lata (PP), com 1.563 votos.
O partido do dirigente corno, o PDT, fez apenas um vereador: Cabo Anjos, com 2.300.
Soares se lançou na política após enquete na internet apontá-lo na corrida pela prefeitura da capital rondoniense.
O personagem folclórico bateu várias figuras da política local na pesquisa com internautas. A realidade das urnas foi diferente: ele não se conseguiu nem a vereador.
Associação tem 30 anos de existência, psicólogos, advogados e desconto no comércio
A Ascron surgiu em 1982, quando Soares “pegou chifre” e teve a ideia de unir os maridos atraídos em uma associação, afinal de contas, como ele próprio diz: “corno unido é melhor que corno solitário”. Hoje, a associação tem sede própria, 7.288 membros com carteirinha, cinco advogados e três psicólogos, além de descontos em supermercados, farmácias, táxis e mototáxis. “A gente ampliou o grupo. Tem corno mulher, corno gay, corno sapatão”, explica a expansão.
Só com seus associados, Soares seria eleito como o mais votado da cidade, já que o vereador preferido em 2008 teve pouco mais de 4.000. Com 2.000 votos, a chance de ser eleito é grande. Mas, se a abstenção eleitoral for igual à inadimplência da mensalidade da associação, Soares vai ter outra dor de cabeça: metade dos integrantes não cumpre com suas obrigações financeiras. “Se eu ganhar ou perder, eu estou no lucro”, já adotou Soares com discurso para o resultado deste fim-de-semana.
De qualquer forma, a iniciativa inspirou similares em todo o país, como a Associação dos Homens Mal-amados do Ceará e outros. “Na década de 1980, era normal o cara ser atraído e sair matando ou se matar. Tinha sujeito que queria pular de cima do prédio, esquecendo que não ganhou um par de asas, e sim um par de chifres. Agora a chifrada é mais aceita, e a pessoa consegue assimilar a situação”, analisa Soares. Até o humor com que eles tratam a traição ajuda a diminuir a dor.
O líder dos cornudos afirma aumentou o número de afiliados após a Lei Maria da Penha, que em 2006 criou penas mais rigorosas aos maridos agressores para tentar reduzir os índices alarmantes dos crimes domésticos. “Somos pela não violência. O cara já perdeu a honra, não deve perder a cabeça. Assumir a cornidão e entender o que aconteceu é melhor que fazer uma besteira e acabar preso”, sintetiza Soares.
Ele mesmo passou por esse processo ao descobrir a traição e fundar a associação.
“Encontrei um radialista amigo meu com a minha mulher. Mas o mais sofrido é que eles quiseram me agredir na hora. Sai, fui beber, pensei em matar o safado, mas me veio a ideia de formar um grupo de traídos. Hoje, eu agradeço a Deus porque posso contar minha história.”
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O jingle que toca nos alto-falantes no teto do seu carro lembra pela melodia e pela voz o do deputado federal Tiririca (PR-SP), o mais bem sucedido dos candidatos folclóricos. Resta saber se Pedro da Ascron vai se tornar sua versão rondoniense.
Nota da redação. Caros internautas dizem que chifre não existe é psicológico "É algo que botaram na cabeça do cidadão".