Moisés Reis, o Pioneiro (Parte III)

Por: Teoney Guerra
19/06/2012 - 20:49:33

Por: Teoney Guerra

Série de episódios, transcritos de um livro que está sendo escrito por Antônio Reis, filho de Moisés Reis, um dos pioneiros de Eunápolis. A publicação que será lançada este ano, como homenagem pelos 100 anos do nascimento de Moisés Reis, tem como fonte, anotações de uma espécie de diário deixado pelo seu pai.

EPISÓDIO III

Terminado o serviço de locação da futura estrada BA 02 – hoje BR 101 – no trecho compreendido entre a Sapucaeira e o rio Buranhém, Moisés Reis voltou a Salvador. Porém, em 1949, cinco anos depois, retornou a Eunápolis.

Nesse texto que reproduzimos, ele descreve como era o pequeno povoado que se formava.
Como eu havia estado muito tempo fora, a estrada adiantou e o novo barracão já se encontrava no final, km 64,5, onde eu havia entroncado as duas estradas, ou melhor, as duas locações. Quando chegamos, encontramos uma clareira maior, no meio da qual parou o velho Chevrolet, do qual descemos com os nossos “cacáios”, colocando-os sobre toras de madeiras que foram roladas para a margem, ficando ali empilhadas. Acendemos, cada qual, um cigarro, “fizemos o reconhecimento do terreno”, estávamos sob a sombra da mata, minha velha conhecida.

Percebemos que à direita de quem chegava, onde hoje se entra para a rua 5 de Novembro, já havia uma pequena loja, ou venda, como se chamava, que vendia até tecidos. Minutos depois de termos chegado, avistamos ao longe um rapaz que se aproximava montando uma bicicleta. Parando no barracão, de nós se aproximou, saudando Vicente Bataria, tendo este nos apresentado mutuamente. Tratava-se de Raimundo Fernandes de Almeida, funcionário da Construtora, que substituíra Ivan de Almeida Moura, no armazém de subsistência que atendia ao pessoal da Empresa. Raimundo já estava construindo o seu “estabelecimento” comercial para comprar cacau, farinha de mandioca, piaçava, e venda de gêneros de primeira necessidades, tais como querosene, açúcar, pólvora, chumbo, espoletas etc. que seria então a 2ª casa de tabuinhas do 64.

Esse rapaz foi o sujeito mais prestativo do povoado, tirando dúvidas do pessoal, “receitando”, fazendo injeção, dando conselhos, tendo sempre uma solução para os problemas. Como estávamos com fome,  perguntei-lhe onde poderíamos almoçar, tendo ele me apontado um barraco de pau-a-pique, coberto de palhas de palmeiras, onde encontrei um caboclo de nome Januário Néris dos Santos, que era o dono da “Pensão 64”.

Terminado o almoço, após um breve bate-papo, perguntei-lhe por Joaquim Quatro, tendo Januário me informado que ele havia vendido a posse para Ivan, e sumido da região, sem deixar endereço.    Despedimo-nos de Januário e Raimundo, pusemos os cacáios às costas e partimos na direção do meu “pedaço de mundo” – seguiu para a propriedade que havia demarcado e legalizado, tomando posse da mesma.

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