Moisés Reis, o Pioneiro

Por: Teoney Guerra
09/06/2012 - 14:59:26

Por: Teoney Guerra

Série de episódios, transcrito de um livro que está sendo escrito por Antônio Reis, filho de Moisés Reis, um dos pioneiros de Eunápolis. A publicação que será lançada este ano, como homenagem pelos 100 anos do nascimento de Moisés Reis, tem como fonte, anotações de uma espécie de diário deixado pelo seu pai.


EPISÓDIO I
Capítulo do livro, em que o autor descreve as impressões que foram registradas pelo pioneiro Moisés Reis, quando, no dia 18 de setembro de 1944, ele e sua equipe de trabalho cruzaram os mais de 10 quilômetros que separam a Sapucaeira da margem esquerda do rio Buranhém. Onde é hoje, parte dos bairros Juca Rosa, Rosa Neto, a região central de Eunápolis e parte dos bairros Pequi e Urbis I e II.

Especificamente nesta parte que transcrevemos, é interessante notar como era naquela época, o córrego que depois foi denominado de Córrego do Gravata. Hoje um esgoto que corre a céu aberto, na cidade de Eunápolis.

Auxiliares que arregimentamos para a missão, dentre os quais Vicente “Bataria”, que sendo caçador e conhecedor da região, fora contratado como mateiro para conduzir a ‘bandeira” até o ponto final, na margem esquerda do Rio do Peixe. Assim, munidos de foices, facões, espingardas e suas respectivas “munições”, além de um “bornal” com farofa de carne seca com farinha de mandioca, que seria o almoço daquele dia, partimos para os últimos 10 quilômetros da jornada. Após caminharmos cerca de 200 metros entramos na em uma mata de árvores seculares e portes gigantescos. E hoje recordo como era lindo o esplendor da natureza; podíamos assistir o bando de macacos a fazer acrobacias e guinchar, inocentemente descendo para os galhos mais baixos para ver de perto o seu maior inimigo: o ”bicho homem”. O pio do macuco, o canto do chororão, o martelar da araponga e o fofô-ri-fiu do “bastião tropeiro” eram uma constante, e alguns voavam em nosso redor quando  fazíamos um movimento mais brusco, éramos surpreendidos por uma sinfonia ensurdecedora.

Lá pelas 10 horas, alguns dos componentes da equipe reclamaram de sede, pois o calor e o esforço desprendido na abertura da picada faziam o corpo reclamar por água. Vicente Fernandes, o “Bataria”, assim chamado pelo seu estridente modo de falar, disse para a “turma”, que estávamos prestes a chegar em um córrego. Naquele momento a equipe caminhava nas imediações de onde hoje é a rua Marques de Tamandaré no Bairro Moisés Reis. Continuamos, e passando pelo local da atual praça Dr. Gusmão, começamos  a descer para o hoje Córrego do Gravatá, no local onde hoje se situa o mercado municipal e a feira de hortifrutigranjeiros.

Chegamos à beira do riacho e avistamos as suas águas cristalinas, sentindo a sensação de pureza e frescor, só de vê-las a correr no seu leito de areia branca. Sob aquele teto verde da natureza exuberante, tudo era paz e tranquilidade”.

Todos queríamos beber ao mesmo tempo, uns usando as  mãos em conchas, outros cortando “patiobas”, a forma como eram conhecidas as palmeiras de um modo geral quando ainda as suas folhas não são “penadas”. Uma vez saciada a sede, foi dado um intervalo de 15 minutos para fumar, tendo todos sacado de suas capangas, os seus pedaços de fumo de rolo, papel de cigarro ou palha de milho, e após picarem o fumo cada qual do seu jeito, improvisar ali o seu cigarro e acende-lo usando o ‘artifício”, uma espécie de isqueiro  rústico, composto de uma diminuta cremalheira que atritava uma pedra, produzindo uma faísca indo inflamar um pavio que às vezes tinha o comprimento de 50 centímetros, previamente carbonizado na extremidade.   Para acendê-lo, ajeitava-se com a unha a parte carbonizada, aproximando-a da cremalheira que era chamada de “fuzil”, e num golpe.

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