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Por: Teoney Guerra
No próximo dia 12 de junho, completará 100 anos do nascimento de Moisés Reis. Um dos pioneiros do município de Eunápolis.
Moisés Reis foi a primeira pessoa a desbravar a mata onde é hoje a cidade de Eunápolis, numa exploração que foi realizada no dia 18 de setembro de 1944, quando ele, que era Técnico Agrimensor, comandando uma equipe que fazia o reconhecimento do provável percurso para a futura estrada BA-2, percorreu a pé, com a sua equipe, o trecho de mata compreendido entre a fazenda Sapucaeira e o rio Buranhém.
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Na época, ele estava a serviço da secretaria de Viação e Obras do Estado da Bahia.
Moisés Reis fez o serviço de locação – definir o trajeto – da BA 2 – hoje BR 101 – no trecho compreendido entre o então povoado de Itagi – hoje cidade de Itagimirim – e o rio Buranhém, bem como dos 8 quilômetros finais do então Ramal – estrada que liga Eunápolis a Porto Seguro.
Comemorando o centenário do seu nascimento, o filho Antônio Reis está concluindo um livro com a biografia de Moisés Reis, uma publicação que está sendo escrita, tendo como fonte de informações, anotações de uma espécie de diário deixado pelo pioneiro, que conta muito da história do povoado 64. O livro deverá ser lançado, no dia 5 de novembro.
O autor nos cedeu algumas “passagens” do livro, que publicaremos a partir de amanhã, em postagens diárias, numa série de episódios, denominada de “Moisés Reis, o Pioneiro”, para que os eunapolitanos conheçam um pouco mais da história dele e desta terra.
Inicialmente, transcrevemos abaixo, impressões daquele dia 18 de setembro, relembradas pelo próprio Moisés Reis e publicadas na revista “Eunápolis”, editada em 1985, sob a responsabilidade do jornalista Jeová Franklin de Queiroz.
“A gente trabalhava na seção de Estudos. Saía da locação de uma estrada, passava para outra. Então, em 1944, nós terminamos a locação da estrada Canavieiras-Camacã. Aí tivemos ordem de vir para o Extremo Sul da Bahia fazer um reconhecimento, do Rio Jequitinhonha ao Rio Buranhém. É um rio que passa daqui a 4 quilômetros. Partimos de Pedra Branca, atual Itapebi, chegando aqui na Fazenda Sapucaeira. A partir daí, não havia mais nem picada. Sapucaeira era o fim da picada. Tivemos que atravessar nove quilômetros da mata cerrada até chegar ao Rio do Peixe, o Rio Buranhém. Foi então que, no dia 18 de setembro de 1944, atravessamos a mata, chegamos ao rio e voltamos. Não encontramos nenhuma onça, só rastros, muitos rastros. Havia entretanto muita caça, macuco, xororão, araponga e macaco”.
Relata que, depois de chegar ao rio e voltar, a “noite caiu” justamente no local em que hoje é Eunápolis. Onde fizeram uma fogueira para passar a noite.
“Foi aí que encontrei o mateiro Joaquim Quatro, empenhado na construção de um rancho, onde está a atual rua Dom Pedro II. Foi este senhor que abriu a primeira clareira, marcando o nascimento da povoação. E ele não é nome de nenhuma rua aqui. Botaram o nome dele ali, no aterro do lixo, com a denominação de Largo Joaquim Quatro. Pelo que ele representou na história da cidade, acho que merece até um busto. A única fotografia dele está comigo.”
Continua em postagem de amanhã.