RESPEITO PELO PEDESTRE: EXISTE?

Por: NossaCara.com
12/06/2009 - 18:11:35

 O caos na cidade de São Paulo é questão corriqueira. No trânsito não seria diferente. A começar pelo excesso de veículos particulares e a qualidade dúvida dos transportes públicos. O metrô é uma das maravilhas do mundo. Isso quando as greves e a paralisação parcial ficam de fora. Olha que de volta em meia elas acontecem. Dentro do carro, nem a música do Cidade Negra tem poder de sempre neutralizar o incômodo que o trânsito lento provoca. Daí a irritação, o mau-humor.

Representante do conselho de Medicina, eu fico feliz quando me vejo convocado para as viagens no interior. Sem meu carro, geralmente ando a pé ou com motorista particular. O trânsito flui. Umas cidades interioranas, no momento de pico, com ruas, semáforos, multidão, exibem aspectos parecidos com a realidade paulistana. Mas apenas parecido. Num momento, a semelhança se desvanece. As ruas limpas. Circula-se. As casas centrais pouco ou nada pichadas.

Na cidade de Bragança Paulista fiquei boquiaberto. Nada a ver com a famosa lingüiça. O aspecto gastronômico é de destaque, mas nada de me deixar com o queixo caído. O que me chamara atenção, causando uma profunda impressão, é o respeito que o motorista mostra um para com o outro, e principalmente para o pedestre.

Um lugar onde se respeita o pedestre quando este passa pela faixa? Eu estaria vendo coisa? Esfreguei os olhos incrédulos. Sim, o motorista que nos levava, habituado à falta de respeito paulistano, teve dificuldade para se adaptar e por pouco não causa um acidente. O transeunte olhou a placa de São Paulo, e compreendeu a barbeiragem.

Uma senhora com dificuldade em atravessar a rua e que se desloca a pouca velocidade, tendo uma fila de carros a esperar-lhe a travessia? Na capital paulista, seria suicídio.

Na cidade de Bragança permaneci durante uma semana. Nesse meio tempo, nada vi de inconveniente no trânsito. Obviamente há imprudências. Motoristas arrogantes, estúpidos, e que deveriam ter a carta suspensa estão por toda parte, não somente na capital paulista. Na verdade, há belas exceções de bons motoristas paulistanos. A coisa não é unicamente por causa do número de habitantes, do arsenal automobilístico. Visitei cidades interioranas de porte médio onde barbáries atrás do volante nada perdem para a metrópole.

Assim que entramos na São Paulo, senti saudades de Bragança. À frente, a Marginal do Tietê. Os motoqueiros apressados, os motoristas impacientes, o trânsito lento.

O que conta é que vou curtir minha família. E se sobrar uma vaga para o interior, eu vou agarrar. Aí, adeus paulicéia poluída e sem respeito.

* Ronaldo Duran, romancista, colabora neste jornal toda semana.
Contatos:
ronaldo@ronaldoduran.com 
Blog:
www.informativoliteraturaviva.blogspot.com 

 

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