
No dia 1º de junho de 1961, ou seja, há exatos 48 anos, José Dantas da
Conceição, um sertanejo de Ribeira do Pombal que chegara ao então povoado de Eunápolis no dia 18 de abril, registrava na representação local da Junta Comercial do Estado da Bahia uma firma, cuja razão social levava o seu nome. Alguns dias depois, quando já era o mês de julho - num dia que seu Zé Dantas não se lembra -, a empresa iniciava suas atividades na então praça do Mercado, hoje rua 5 de Novembro.
Outro sertanejo de Pombal a chegar ao povoado de mudança pouco depois foi Francisco Ribeiro Dantas, hoje mais conhecido como “Chiquinho da Bomba”.
Naquele tempo, a pequena povoação remanescente do acampamento da Construtora CILA - empresa que abriu a estrada BR 367, que ligava a cidade Porto Seguro à BA 02 – se expandira, formando parte do centro comercial da hoje cidade de Eunápolis.
As cartas enviadas por Zé Dantas à sua família levavam as notícias de um povoado em desenvolvimento e cujas perspectivas eram as melhores, uma vez que estava prevista a construção de um trecho da rodovia federal BR 101, que cortaria todo o extremo sul, ligando a região cacaueira ao estado do Espírito Santo. Notícias essas que incentivaram outro pombalense, Lucas de Souza Reis – Tio Lucas, como ficou mais conhecido – para Eunápolis. Lucas em meados de 1962.
A partir daí, dezenas de pombalenses também vieram para o então povoado. Entre eles: Sinval Alexandre de Jesus, Francisco Ribeiro Dantas, hoje mais conhecido como “Chiquinho da Bomba” e Ariston Alves dos Reis, que abriram grandes armazéns que vendiam diversos produtos, alimentos e bebidas para toda a região. Foram esses armazéns que vendiam no varejo e no atacado que consolidaram Eunápolis como principal centro de negócios e principal centro fornecedor regional.
Hoje, alguns desses “pioneiros” se mantêm na ativa, e novos empreendedores têm surgido. Muitos descendentes dos pombalenses pioneiros também optaram pela atividade comercial, mantendo o que pode ser considerada uma vocação. Tanto que em Eunápolis, especialmente, quase uma centena deles têm no comércio a sua atividade econômica. Na maioria, eles são donos de mercadinhos e mercearias que estão espalhadas por quase todos os bairros da cidade. E segundo cálculos dos próprios pombalenses, hoje eles são cerca de mil pessoas em Eunápolis e quase três mil em todo o extremo sul baiano.
Esse importante capítulo da história do Comércio eunapolitano, e da própria cidade de Eunápolis é o objeto de uma pesquisa que foi feita pelo jornalista Teoney Guerra, e está sendo editada numa publicação que deverá ser disponibilizada na próxima semana.
Esta matéria é parte de uma pesquisa do jornalista Teoney Guerra, sobre os pombalenses que foram os precursores do comércio de Eunápolis.