
Entre as mais recentes descobertas, constam pagamentos feitos a uma doméstica que recebe como se fosse assessora parlamentar. Já a filha do ex-presidente Fernando Cardoso, vem recebendo salários desde o ano de 2003. Imaginem quantas Lucianas não existem espalhadas pelo Congresso Nacional.
O deputado federal licenciado Alberto Fraga (PMDB-DF) suspeito de usar os serviços de uma doméstica paga com dinheiro público como se ela fosse uma assessora parlamentar, admitiu nesta segunda-feira (30) que “agora realmente ficou complicado de explicar [a contratação da empregada]”.
Izolda da Silva Lima trabalha na casa do deputado licenciado, que ocupa a Secretaria de Transportes do Distrito Federal. Suas tarefas, entretanto, nada tem a ver com a função do deputado.
“Ela faz serviço no meu gabinete. Ela paga contas, ela serve cafezinho, é uma empregada que presta serviços domésticos. Perdão, presta serviços externos...e agora realmente ficou complicado de explicar”, disse Fraga à imprensa.
Ela é contratada pelo gabinete do deputado Osório Adriano (DEM-DF), suplente de Fraga, como secretária parlamentar. A doméstica disse que recebe R$ 1.080,00 por mês, mas que presta serviço particular ao secretário de transportes.
Osório Adriano assumiu a vaga de Fraga quando ele virou secretário de
Transportes do Distrito Federal. Ele disse que Isolda trabalha para Fraga como parte de um acordo político. “Eu vou comunicar ao Fraga, pedir ao Fraga para, se é realidade o que está sendo dito, pedir a ele para regularizar essa situação.”
Fraga disse que pediu nesta segunda a exoneração da doméstica ao seu suplente. Assim que tomei conhecimento deste ato entrei em contato com o deputado Osório Adriano. Em minha vida pública sempre cumpri a lei e vou continuar cumprindo”, afirmou, por meio de uma nota.
Segundo relatos da imprensa, Isolda trabalha como empregada doméstica na residência de Fraga. Ela confirmou que dorme na casa do deputado licenciado. “Minha família gosta muito da família dele e aí pedi para ele pra ver se podia dormir lá [na casa do deputado]”, afirmou.
Uma decisão de 1997 da Mesa Diretora da Câmara, entretanto, determina que o secretário parlamentar deve trabalhar exclusivamente no gabinete do deputado, que tem a obrigação de controlar sua frequência.
O primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT –RS), disse que vai levar o caso à Mesa Diretora. Na avaliação do deputado, como Fraga não está exercendo o mandato, ele não pode ter funcionários pagos pela Câmara –muito menos prestando serviços particulares que nada tem a ver com a função de deputado.
Filha de ex-presidente com salário para ficar em casa
Com um salário de R$ 7,6 mil mensais, a filha do ex-presidente Fernando Henrique, Luciana Cardoso, afirmou que "trabalha mais em casa" porque faz "coisas particulares" para Heráclito Fortes. Luciana justificou ainda que não vai ao Senado porque "é uma bagunça e o gabinete é mínimo".
Eis alguns motivos para tanta desigualdade social e também para a falta de recursos junto às questões sociais como educação, saúde e segurança pública.
Por: Evandro Lima