
Por: Gil Rocha
A vizinha cidade mineira de Salto da Divisa está vivendo um clima de total expectativa e muita tensão. Depois do dia 5 de outubro, quando a população eleitoral foi às urnas para decidir quem vai administrar o município pelos próximos quatro anos, deparou com um impasse onde o resultado das urnas ainda depende da decisão da Justiça Eleitoral.
O clima é tenso. As opiniões estão divididas; quem será o prefeito? Dois candidatos disputam a decisão da justiça: José Eduardo Peixoto, (PMDB), atual prefeito e que obteve o equivalente a 53,99% dos votos válidos, luta junto com seus advogados para obter o direito de continuar no cargo por mais quatro anos, respeitando a vontade expressa da maioria da população. Por outro lado o candidato derrotado que ficou em segundo lugar na preferência do eleitorado, Ronaldo Atahyde da Cunha Peixoto, (DEM), vem usando de todos os truques jurídicos para assumir o cargo que a maioria da população deu ao seu maior concorrente.
O atual prefeito José Eduardo tem uma pendência no Tribunal de Contas que está atrapalhando sua vida. Impugnado em primeira instância, José Eduardo resolveu, tendo por base as garantias de seus advogados, enfrentar as barras dos tribunais e seguir em frente com sua campanha rumo à reeleição; obtendo resultado positivo.
E agora o impasse reina na pequena cidade de pouco mais de seis mil habitantes. A cada amanhecer; uma nova realidade...será hoje o resultado? Informações de todos os teores. Todos se transformam em especialistas políticos; cada um dá uma versão para o caso que está deixando a população de cabelos em pé.
Com a aproximação do dia determinado pela justiça para se realizar a diplomação dos candidatos eleitos nos municípios pertencentes à Comarca instalada na cidade de Jacinto, aumenta a agonia, especialmente daqueles que participaram diretamente das campanhas. Também o clima de instabilidade deixa agonizantes servidores da Prefeitura que temem em perderem seus cargos; fato comum na política brasileira. Ninguém quer perder seu emprego, enquanto outros pleiteiam os cargos. Há quem garante que já tem cadeira marcada no novo prédio da Prefeitura, esperando apenas o tão esperado dia 1 de janeiro.
Vale ressaltar que a diplomação não garante efetivamente o direito ao cargo quando há disputa judicial em trâmite. Vejamos o exemplo da cidade de Eunápolis, quando, em 2004, a justiça eleitoral diplomou uns e quem assumiu foram outros.
O ex-prefeito Paulo Dapé, impetrou uma ação judicial contra o resultado da eleição daquele ano, que elegeu o atual prefeito Robério Oliveira, por apenas 34 votos de vantagem. Diante das denúncias apresentadas por Paulo Dapé a justiça lhe concedeu o diploma, juntamente com seu vice o guarda rodoviário mais conhecido por Ferreira e, para surpresa dos dois e dos seguidores de Dapé, Robério Oliveira conseguiu uma Liminar para ser empossado e está até hoje no cargo. Talvez essa informação sirva de alento para muitas pessoas de Salto da Divisa, que vivem nesse momento o mesmo clima de incertezas que viveu a população eunapolitana na eleição de 2004.
O que resta é esperar. As últimas informações dão conta de que os advogados de José Eduardo já conseguiram resultados positivos em seu favor e que, no dia 17 desse mês, data marcada para a diplomação, a Justiça Eleitoral daquele estado estará o diplomando, juntamente com seu vice o funcionário público federal dos Correios e atual vereador Almir Gomes Lima.
A cidade pode estar em risco com o clima tenso, muita gente está preocupada com as reações que poderão ocorrer em salto da Divisa dependendo do resultado. Há muita especulação e tititis, em torno da possibilidade de haver quebra-quebra na cidade, especialmente de prédios públicos. Essa possibilidade poderá ser concretizada, segundo afirmam alguns moradores, se a justiça entender que o atual prefeito não poderá assumir o cargo no dia 1º de janeiro. A reportagem do canal20 esteve na cidade nos dias 2 e 3 desse mês e pode constatar o clima de tensão e medo por parte de grande parte da população.
Já o prefeito José Eduardo encara os fatos com serenidade, para ele que afirma não ter cometido crime que o desabone diante da população, espera que a “soberania popular” tão defendida pela Carta Magna brasileira prevaleça para que reine a paz em sua cidade.