
Uma tradição de mais de 100 anos, é o que conta os moradores do município mineiro de Salto da Divisa, banhado pelo rio Jequitinhonha. Distante 70 quilômetros de Eunápolis, o carnaval mineiro mescla heranças baianas e a cultura popular do Vale do Jequitinhonha. Salto tem atração para todas as idades como o carnaval de bloco, para crianças e idosos e especialmente os cordões de caboclos que misturam pessoas e idades diferentes num caldeirão que varre a cidade levando alegria.
Carnaval cultural
O município conta com três grupos tradicionais – os Tupinambás, os Caboclos
tupinambás desfilam suas fantasias pelas ruas de Salto. Guaranis e o grupo de Espadas. Segundo Carlinhos Dias, 72 anos, pedreiro e carpinteiro o cordão Tupinambás foi o primeiro a ser fundado, em 1945, pelos mestres Zé Caindo, Jeová, Di e Moreno. Dois anos mais tarde surge o Guaranis, encabeçados pelo mestre Arlindo e o de Espadas com Jonas Rabada.
Mesmo antes da fundação dos cordões o carnaval já era tradicional em Salto. Seu Carrinho, como costuma ser chamado, é líder dos Tupinambás e é ele que comanda a festa pelas ruas de Salto da Divisa, vestido de índio. Ao som de tambores os Tupinambás puxam músicas como Vai Descendo a Serra e Do Outro
Lado Avistei Uma Igreja, canção de apresentação do cordão para a comunidade. São cerca de 300 caboclos e uma multidão de fantasiados que seguem o cortejo. “Eu sinto boa vontade sem maldade” afirma Seu Carrinho ao ser questionado sobre o que sente quando está no cordão.
Já Edimar Tadeu de Oliveira, 43 anos, marceneiro, relembra as influências que teve da avó e do pai, antigos líderes do cordão Guaranis. Tadeu é um dos coordenadores do cordão que ainda conta com o casal Erleni e Dinho. Além dos tambores, o som de bumbas também garante a animação de cerca de 400 caboclos. Ele informa ainda que a tradição dos cordões foi bastante influenciada pelo município baiano Itapebi, também banhado pelo rio Jequitinhonha. A maior parte dos líderes do cordão vem de uma tradição familiar carnavalesca. Nos dois grupos figura personagens como pajé, cacique e caboclo de ronda. O último tem por finalidade ir à frente do cortejo e cuidar para que os cordões não se encontrem. Os moradores mais antigos lembram a rivalidade de outros tempos quando os grupos desfilavam pela cidade e em caso de encontro, era briga certa.
Além das tradicionais fantasias indígenas os cordões ainda contam com trajes trazidos do Rio de Janeiro pelo trio Anastácio, Paulinho e Ana Paula. Já a
coordenação geral da folia fica a cargo da primeira dama Clélia Peixoto e sua equipe. Clélia credita o sucesso da festa ao esforço e dedicação das pessoas envolvidas nos blocos e cordões.
Tradição preservada
Todos os cordões contam com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Salto da Divisa. Para o prefeito José Eduardo Peixoto o estímulo é uma forma de resgate cultural que está garantindo ainda a continuidade dos cordões. “Tentamos dar a maior cobertura possível, é muito gratificante, o povo gosta" detalha.
Outro fato sinal de renovação é a quantidade de crianças e jovens participantes dos cordões. A população de Salto da Divisa também parece apoiar a festa, já que vai em massa para as ruas acompanhar e pular o carnaval.
Fotos: Urbino Brito
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