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Vista da chegada da fazenda Serra da Divisa. |
Cerca de 70 quilômetros de estrada de chão, quase três horas de viagem, muitos buracos, balanço e paisagens bucólicas recheadas de vacas, pastos, pequenas plantações, trechos de mata e gente simples. Depois dessa aventura a equipe do Nossa Cara.com deparou com um verdadeiro paraíso ecológico localizado no município de Guaratinga, já na divisa da Bahia com Minas Gerais – Fazenda Serra da Divisa .
São 800 hectares de propriedade e 60% ainda mantêm a mata original. Além de cincos cachoeiras já foram encontradas mais de 60 nascentes todas dentro da propriedade. Serra da Divisa está localizada numa região que guarda significativas reservas da Mata Atlântica – o extremo sul da Bahia. Espécies como Ibiruçu, Jequitibá, Angico, Jacarandá e Vinhático, além da Copaíba, espécie utilizada na indústria de cosméticos são facilmente encontradas.
Preservação
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Árvore de Bicuiba cujo fruto tem propriedades medicinais e é chamada de Nóz Moscada Silvestre. |
Um convite para conhecer o selvagem extremo sul da década de 1960 foi o primeiro contato do empresário Lucas Souza Reis com a região. A visita se tornou morada e anos mais tarde Lucas adquire a propriedade. Em mais de 30 anos o espaço foi pouco modificado. “Para chegar lá era um Deus nos acuda” exclama ao lembrar as dificuldades de transporte naquela época. Lucas inicialmente comprou 25 hectares, o restante foi assimilado ao longo dos anos.
Os 30% restante da fazenda é utilizado para criação de gado. Quando perguntado sobre o que pretende Lucas é enérgico. “A gente não tem o que fazer, a não ser preservar”. Ele ainda informa a possibilidade de desapropriação para criação de uma reserva. O Governo Federal o procurou e chegou a fazer algumas medições. Outro caminho apontado é a exploração do turismo ecológico. Mata intacta, rios, cachoeiras e um modo de vida simples são os principais atrativos.
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Uma das belissímas cachoeiras existentes na fazenda. |
O turismo ecológico pode se apresenta como um caminho para o desenvolvimento sustentável da região extremo sul. Extensas áreas de mata associadas ao ambiente marítimo fazem da região um oásis para os amantes da natureza. Além das riquezas naturais a proximidade com a região sudeste e a presença de um aeroporto internacional são agentes facilitadores. Mesmo assim, o extremo sul está sendo ocupado por extensas áreas de eucalipto.
Eunapolitano de coração
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Lucas de Souza Reis que há 30 anos luta para a preservação do que resta da Mata Atlântica. |
Lucas Souza Reis, ou o popular Tio Lucas, chegou em Eunápolis em 1962 para inaugurar um comércio de “secos e molhados”, ou, um armazém com um pouco de tudo. O negócio era em sociedade com o cunhado José Dantas. Os dois não desconfiavam que seus nomes entrariam para a história eunapolitana.
Tio Lucas se lembra da época em que a viagem entre Itabuna e Eunápolis durava 10 horas e a passagem pelo rio Jequitinhonha era de canoa, pois a ponte ainda não existia. Natural de Ribeira do Pombal, ele hoje já se considera um eunapolitano de coração. Mais do que assistir a cidade crescer, Lucas participou ativamente da construção de Eunápolis. Além de comerciante foi vereador e se candidatou ao cargo de prefeito.
Tio Lucas afirma ter escolhido Eunápolis e aqui ele ainda permanece com sua família, esposa, filhos, netos e muitas histórias.
Fotos: Urbino Brito
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Vista da serra da divisa de onde se tem uma vista magnifica. | Lamina de água de mais de 30 cm dentro da mata. |

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Árvore de Copaiba, cujo óleo tem própriedades medicinais e, é muito usado pelos povo da roça. | Bromélia florida |