Moradores do Pequi continuam alojados no Nilza Barbosa

Por: NossaCara.com
24/01/2008 - 15:21:00

Continua sem solução a situação das 21 famílias do bairro Pequi alojadas na escola municipal Nilza Barbosa, depois de terem suas casas comprometidas pelas fortes chuvas no mês de novembro do ano passado. O número de desabrigados é maior, já que algumas famílias estão em casa de parentes e amigos. É o caso do torneiro mecânico Edson Freitas, morador da rua Belmonte. Sua moradia, uma casa de alvenaria de cinco cômodos, apresenta várias rachaduras. Ele afirma que na época das chuvas chegou a ver dois postes serem levados num deslizamento
de terra, juntamente com algumas árvores. Mais três casas vizinhas à de Edson estão condenadas. “Lutei para comprar isso aqui e ficar sem casa é difícil” detalha.

Segundo o morador a Prefeitura Municipal não deu posição nenhuma de como irá resolver a situação. “Eu dei telefone, endereço, fui até a Assistência Social, mas ninguém me procurou” reclama. Edson e a família estão na casa de uma tia, mas só poderão permanecer no local até fevereiro. “Eu vou voltar para dentro de casa, mesmo se não resolver nada. Em último caso vou trabalhar sozinho em obras de sustentação de minha casa” desabafa.

Sofrimento coletivo

Já chega a quase dois meses a estadia das 21 famílias desabrigadas. Banheiros, espaço para higiene e água são compartilhados em regime coletivo na escola. Cada família ocupa uma sala e há também pessoas abrigadas num prédio da Prefeitura na rua Lomanto Junior. Entre os desabrigados está Maria Correia da Silva, 52 anos, moradora da rua Belmonte. Ela afirma morar a 40 anos no local numa casa de madeira de quatro cômodos em péssimas condições. O quintal da senhora é uma armação de madeira também bastante precária. Maria informou que um funcionário da Prefeitura prometeu construir uma casa nova. “Eu tô no colégio e não saio enquanto não ajeitarem minha casa” afirma. Ela espera receber ao menos o material de construção.


Um funcionário da Prefeitura, identificado pelo nome Ângelo, responsabilizou os próprios moradores pela situação, por terem construído em local impróprio, é o que informa a dona de casa Damiana da Silva, 22 anos. “A gente não tem condição de construir num lugar melhor, tem que ser alí” desabafa Damiana. Quem também reclama é a dona de casa Normildes de Jesus, 37 anos,  principalmente do abastecimento de água. Normildes, apesar da pressão alta, carrega baldes de água na cabeça para reservar, já que o abastecimento é feito apenas duas vezes por dia, quando a bomba d’água do prédio é ligada. “Minhas pernas estão inchadas” reclama.

Outra família que está numa situação difícil é a do cozinheiro Carlos da Silva, 28 anos. Ele, a esposa, uma enteada e duas crianças viviam numa casa de madeira na rua Bela Vista. Ele conta que na noite do último dia de chuva um barrando deslizou e invadiu parte de sua propriedade.  O cozinheiro acreditava que a situação podia ser contornada e que não seria necessária a retirada dos moradores. “Tentamos fazer algo pela manhã, mas o barranco começou a ceder” detalha.

Precariedade

Os moradores foram retirados pela Prefeitura Municipal de Eunápolis com a ajuda de funcionários da Secretaria de Assistência Social e a de Infra-Estrutura. Segundo Carlos eles tentaram levar as famílias para o Ginásio de Esportes, mas após resistência, desistiram da idéia e encaminharam as 21 famílias para a escola Nilza Barbosa. Quem ainda permanece no local, ruas Bela Vista e Belmonte principalmente, está com medo. Os postes caídos foram recolocados, mas falta iluminação.  A moradora Nilzete Martins Mota, 37 anos, reclama do aumento da violência e receia novas chuvas. “Aqui quando começa a chover ninguém dorme” detalha.

A Prefeitura chegou a pedir estado de calamidade pública, mas o que poderá ser decretado é estado de emergência. Enquanto isso não acontece o funcionário identificado pelos moradores aconselhou a voltarem para suas casas. As famílias ouvidas informaram que só voltam quando a Prefeitura dar uma solução. Muitas delas esperam uma indenização ou reformas nas casas, bem como obras de recuperação e sustentação do barranco.

Até o dia 21 de janeiro a Secretaria de Assistência Social não apresentou nenhum parecer. Segundo informações a secretaria esteve em recesso entre os meses de dezembro e janeiro. Ao que parece nenhum funcionário ficou encarregado de acompanhar os moradores. A secretaria chegou a doar algumas cestas básicas quando o alojamento foi formado. A expectativa agora é que o estado de emergência seja decretado e que a Prefeitura enfim resolva a situação. 

Fotos: Urbino Brito 

Fonte/Autor: Mterias NC

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