
Informações prestadas à reportagem do Jornal Opinião por um diretor do SINDICELPA (Sindicato dos Empregados nas Indústrias de Celulose e Papel) que esteve em Eunápolis em meados do mês passado, dão conta de que há um clima tenso entre os operadores da fábrica da Veracel, em razão dos acidentes registrados na fábrica de Celulose nos dois anos de funcionamento, que podem ter como causa o fato da unidade industrial estar operando acima da sua capacidade de produção. Além disso, a empresa não estaria cumprindo a Norma Reguladora Nº 13 (NR 13) que estabelece critérios de segurança na operação de caldeiras e vasos de pressão. 
O não-cumprimento da NR 13 foi constatado por uma equipe de fiscais do Ministério do Trabalho (MT) que esteve naquela unidade industrial entre os das 16 e 19 de outubro fazendo uma inspeção. O que quase motivou a interdição das atividades industriais até que a Veracel resolvesse todos os problemas –a falta de válvulas de segurança- nos vasos de pressão: caldeiras e tanques. Para evitar a paralisação da fábrica, a Veracel teve que assinar, no dia 19, um Termo de Compromisso (TC) se comprometendo a sanar todos os problemas até o dia 30 de maio de 2008. Nossa reportagem teve acesso ao TC.
A mesma fonte cita os vários acidentes já registrados na unidade industrial da Veracel. O que não é pouco, no seu entendimento, levando em conta o pouco tempo de operação da empresa: dois anos e um mês.
Entre os acidentes mais graves, o sindicalista cita o registrado ainda no segundo semestre de 2005, quando uma funcionária que fazia a coleta de amostras quase foi esmagada entre duas esteiras rolantes. Resultado: fratura da bacia e perfuração da bexiga entre outros problemas físicos. No primeiro semestre de 2006, uma forte explosão numa caldeira causou sérios danos nos prédios do controle e laboratório. Talvez por ter ocorrido â noite não fez vítimas fatais, salientou o sindicalista. Em setembro deste ano, antes da explosão do dia 21 -a mais forte e que provocou a fiscalização do MT-, foi registrado também numa caldeira, outra forte explosão que teria causado danos materiais.
De acordo com o Relatório de Gestão disponível no site da empresa, no ano de 2006* a produção de celulose alcançou 976 mil toneladas, enquanto a capacidade nominal da unidade industrial é de 900 mil. E conforme informação do sindicalista, a previsão de produção para este ano é de 1.040.000 toneladas. Esses dados talvez expliquem os acidentes, como afirmou o sindicalista.
*O ano de 2006 foi o primeiro ano de operação da empresa comercialmente.
Fonte/Autor: Teoney Guerra