
Passadas as comemorações do 7 de Setembro, repercutem as manifestações contra o avanço dos plantios do Eucalipto que marcaram o desfile cívico daquele dia em Eunápolis, realizados em pelo menos dois momentos do desfile: durante a apresentação de um pelotão que representava o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Eunápolis (STTR) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAG), e no final do desfile, durante protesto feito por pequenos produtores rurais das comunidades do Ponto Maneca e Ponto Bahia, e de moradores dos bairros Itapuã e Sapucaeira. Tanto os moradores das duas localidades da zona rural como dos bairros se sentem ameaçados pelo avanço das plantações de Eucalipto. 

Nos núcleos rurais, o plantio sem controle do eucalipto no entorno dessas duas localidades põe em risco a própria existência das comunidades, que correm o risco de desaparecer, como ocorreu com o extinto povoado de Maurília, no município de Belmonte, que foi literalmente “riscado do mapa”, desaparecendo, para ceder espaço aos plantios da monocultura.
Da mesma forma, os moradores dos bairros Itapuã e Sapucaeira temem pela “invasão” dos eucaliptos. A comunidade do Sapucaeira vive um confronto com a Veracel em razão de a empresa ter tentado há poucos dias fazer plantios da monocultura em área residencial daquele bairro. No mês de junho, o mesmo tipo de confronto foi registrado no bairro Itapuã, quando a ação da comunidade impediu que uma área
adquirida pela Veracel para a construção de um conjunto habitacional de funcionários –seus- fosse transformada em plantação de eucalipto. 
Porém, os temores, protestos e reclamações contra o denominado “deserto verde” não se limitam a esses grupos da população de Eunápolis. Pequenos empresários do ramo madeireiro e os denominados residueiros –setor que reúne as carvoarias e padarias- têm feito na imprensa local críticas à Veracel. A Associação dos Madeireiros de Eunápolis acusam a empresa de ter descumprido com freqüência acordos e contratos firmados. Enquanto os residueiros a acusam de ter desarticulado o setor, deixando de fornecer a matéria-prima utilizada por eles: as sobras do eucalipto. 
No caso do avanço do “deserto verde”, medidas restritivas já estão sendo tomadas na Câmara Municipal. Os vereadores Vasco Queiroz e Fábio Roldi apresentaram na casa legislativa um Projeto de Lei que prevê a proibição do plantio de eucalipto em áreas urbanas do município. A proposição que foi apresentada na sessão do dia 6 último entra em discussão a partir da próxima sessão ordinária, que acontecerá quinta-feira, dia 13.
Fotos: Urbino Brito
Fonte/Autor: Teoney Guerra - Jornal Opinião