
“A água faz parte do patrimônio do planeta, cada continente, cada povo, cada nação, cada cidade e cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos”.– Art. 1º da Declaração dos Direitos da Água da ONU.
Durante muito tempo, os homens usaram a água como se ela fosse inesgotável, algo que nunca acaba, podendo absorver lixo, esgoto e voltar a ficar limpinha e pronta para ser usada. Começamos a diagnosticar que, a água em condições de atender aos diversos usos do homem, está se tornando um recurso difícil. A necessidade de promover a recuperação ambiental, e a manutenção de recursos naturais escassos como a água, fez com que, a partir da década de 70 o conceito de Bacia Hidrográfica passasse a ser difundido e consolidado no mundo. Foi preciso reconhecer a Bacia Hidrográfica como um sistema ecológico que abrange todos os organismos que funcionam em conjunto numa dada área. Quando o curso de um rio é alterado para levar esgotos para longe de uma área, acaba por poluir outra, a exemplo do Rio Gravatá; a acumulação de contaminantes agrícolas, a monocultura, o desmatamento de vales como o Jequitinhonha e Buranhém, o esgotamento sanitário precário com um índice médio de atendimento de apenas 28% da população do extremo sul, e outras ações predatórias, mostra-se o quanto torna-se necessário reconhecer na dinâmica das águas que os limites geográficos para trabalhar o equilíbrio ecológico tem que ser o da Bacia Hidrográfica, ou seja, o espaço territorial determinado e definido pelo escoamento, drenagem e influencia da água, do ciclo hidrológico na superfície da terra e não aquelas divisões políticas definidas pela sociedade, como municípios, estados e paises que não comportam a dinâmica da natureza.
Fonte/Autor: Marcos Pinheiro – Engenheiro Civil