Estado participa de discussões sobre políticas públicas culturais

Por: NossaCara.com
16/03/2007 - 11:22:00

Foto: Leonardo Costa

Aconteceu entre os dias 06 e 08 em Salvador o II Ciclo de Debates sobre Políticas Públicas Culturais. O evento foi promovido pela Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (Ubfa). Estiveram presentes no primeiro dia (06) o representante do Ministério da Cultura (Minc), Juca Ferreira e o secretário de cultura do Estado, Márcio Meirelles. Nos demais dias (07 e 08) passaram pela mesa do evento os superintendentes da Secretaria de Cultura do Estado (Secult) Ângela Andrade e Paulo Henrique Almeida, além dos novos responsáveis pelas fundações e instituições ligadas à área cultural. São eles Póla Ribeiro, presidente do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia (Irdeb); Frederico Mendonça, do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac): Gisele Nussbaumer, presidente da Fundação Cultura; e Ubiratan Castro, presidente da Fundação Pedro Calmon.

O evento voltado para produtores, pensadores, agentes e interessados em cultura foi também um canal de apresentação das novas diretrizes da Secult, que nessa nova gestão foi desvinculada da área de turismo. Todos os representantes tiveram a oportunidade de apresentar planos de ações, bem como relatar a situação em que se encontra o aparato cultural estadual.

Presença

A maior parte da platéia do debate foi composta por pessoas de

Foto: Leonardo Costa

Salvador. Mesmo assim, um pequeno grupo de agentes culturais do interior da Bahia marcou presença no evento. Presenças importantes, já que um dos pontos discutidos foi justamente o estreitamento nas relações com o interior. O Extremo Sul foi representado por Luciana Oliveira, uma das integrantes da equipe da Orquestra Sinfônica de Eunápolis. A participação só foi possível graças a uma parceria com a Prefeitura Municipal de Eunápolis, uma das mantenedoras do projeto. A prefeitura vem dando apoio tanto na manutenção dos profissionais envolvidos como suporte nas diversas atividades que a orquestra realiza. A participação no evento da Ufba é um exemplo do sucesso dessa parceria. A orquestra a partir de março atenderá 250 crianças da rede municipal de ensino. Na oportunidade a iniciativa foi apresentada aos superintendentes da Secult responsáveis pelo interior.  

Bahia em destaque

Luciana Oliveira             Foto: nossacara.com

Para Juca Ferreira do Minc a Bahia sempre ocupou um papel de destaque no universo cultural do país. Por outro lado, também acredita que o estado vem perdendo essa posição. O representante do Minc em seu discurso alçou a cultura para o centro da discussão sobre o desenvolvimento do Brasil em todos os aspectos. “Não é possível pensar no Brasil como um entreposto comercial, é preciso pensar como uma nação” detalha. Nesse sentido, ele pontua as políticas culturais como a melhor saída, mas se pensada de forma ampla. “A questão cultural deve levar em conta outras manifestações fora do eixo Rio-São Paulo” aconselha, criticando a centralização de estruturas e incentivos culturais nessa região. Uma das inovações do Minc apontadas por Juca é a ampliação do conceito de cultura. A instituição passou a enxergar e valorizar outras manifestações a exemplo das ações de resgate de tradições orais.

Um estreitamento das relações com o interior e a descentralização dos

Foto: Leonardo Costa

trabalhos da Secult foram os pontos destacados na fala de Márcio Meirelles. Ele identificou uma “cultura da cultura” na Bahia, ou seja, uma certa maneira de enxergar a produção cultural como um espaço privilegiado, um balcão de negócios, onde o “toma-lá-dá-cá” sempre foi a tônica. A proposta do secretário é criar políticas públicas de uma forma coletiva a partir de um “sistema mais amplo e includente”. Mesmo valorizando o artista, Meirelles informou que o foco da Secult se desloca agora para o público, pensamento herdado do Minc. “Isso é bom para o artista” afirma ao esclarecer que o artista e o produtor cultural são extremamente fundamentais para o Estado, porque é o meio pelo qual as ações serão executadas.

A reorganização do papel do Estado e dos grupos culturais é o ponto mais importante para quem atua no interior. “O Estado não pode ser produtor, deve ser fomentador” afirma Márcio. A idéia é avançar para os 417 municípios baianos e não transformar a Secult num reduto cultural da capital Salvador. Já foram criadas duas superintendências para viabilizar outros tipos de financiamento. A secretaria conta hoje com apenas duas frentes: o Faz Cultura e o Fundo Estadual de Cultura.

Uma das principais ações da Secult esse ano é a realização da II Conferência Estadual de Cultura. Estão previstas conferências regionais para mobilização de artistas, produtores culturais, autoridades e outros representantes de manifestações populares. A idéia é que esses agentes discutam os principais problemas e possíveis soluções para a área em que atuam. O resultado desses encontros deve ser sintetizado e apresentado na conferência que acontecerá em Salvador no mês de junho. O trabalho de mobilização baseia-se na divisão do estado em 15 zonas econômicas.

Extremo Sul

Foto: Leonardo Costa
O Extremo Sul é formado por 21 municípios que além de uma economia diversificada, apresenta também manifestações culturais peculiares. No contexto de conferência cultural uma reunião entre representantes da Secult e alguns agentes culturais aconteceu em meados de janeiro em Porto Seguro. Até agora nenhuma outra ação aconteceu, apesar da região possuir inúmeras entidades que atuem na área cultural.

Durante o ciclo de debates em Salvador a superintendente de Formação e Integração Regional, Ângela Andrade, apresentou o plano de Projetos de Ação Territorial Integrada da Secult a ser implantado em três regiões da Bahia: Baixo Sul, Nordeste e Sudoeste. Ao ser questionada sobre a ausência do Extremo Sul Ângela afirmou que a conferência é uma boa oportunidade de se discutir a importância e papel dessa região e que a Secult não pretende esquecê-la. Esse dado faz urgente a necessidade de organização e discussão sobre uma forma de representatividade eficiente não só para a conferência, mas em todas as ações e estruturas da Secult.

 

Fonte/Autor: Luciana Oliveira

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