História do Cacau

Por: Mercado do Cacau
25/09/2016 - 08:18:41

O cacau é uma palavra que deriva do termo Kakaw, de origem maia. Segundo alguns estudiosos a palavra pode ser traduzida como "suco amargo", mas em essência Kakaw é um fonema e era usado para se referir ao cacaueiro. 

Os pesquisadores mexicanos encontraram em vasos de cerâmica o fonema "ka", que estava representado pela forma estilizada de um peixe, marcado com dois pontos para indicar que o fonema foi repetido duas vezes. 

Não se sabe ao certo quem foram os primeiros povos a cultivar o fruto, mas conta à história que os Astecas, no México, e os Maias, na América Central foram os primeiros povos a cultivar o cacau. Mas, fala-se também que antes mesmos dos primeiros colonizadores espanhóis chegarem à América, o cacau já era cultivado pelos índios. 

Segundo os historiadores, o cacaueiro, também chamado cacahualt, era considerado sagrado pelo povo. Isto porque o próprio profeta Quatzalcault ensinara aos Astecas como cultivar a planta, tanto para o alimento como para embelezar os jardins da cidade de Talzitapec, no México. E todo o cultivo era acompanhado de solenes cerimônias religiosas. 

Em 1758, o botânico sueco Carlos Linneo chamou a planta de Theobroma cacao L, que significa ?Manjar dos deuses?, talvez, inspirado em toda a simbologia que envolvia o cultivo do cacau. 

As sementes de cacau eram consideradas tão valiosas, que eram usadas como moeda. Conta-se que quatrocentas sementes valiam um countle e 8.000, um xiquipil. O imperador Montezuma costuma receber anualmente 200 xiquipils (1,6 milhões de sementes) como tributo da cidade de Tabasco, que corresponderia hoje a aproximadamente 30 sacas de 60 quilos. 

Afirma-se que um bom escravo podia ser trocado por 100 sementes na época. Peter Martyr da Algeria escrevia em 1530, ainda sobre o uso do cacau como moeda, no livro DE OURBE NOVO PETRI MARTYRES AB ALGERIA: ?Abençoado dinheiro, que fornece uma doce bebida e é benefício para a humanidade, protegendo os seus possuidores contra a infernal peste da cobiça, pois não se pode ser acumulado por muito tempo, nem escondido nos subterrâneos?. 

O fruto de ouro 

O cacaueiro tem folhas longas que nascem avermelhadas e logo ficam de um verde intenso, medindo até 30 cm. Seus frutos também podem medir até 30 cm de comprimento, apresentando coloração verde, vermelha ou amarronzada, cores que tendem ao amarelo, quando amadurecidos. No interior do fruto são encontradas de 20 a 50 sementes recobertas por uma polpa branca e adocicada, fixadas e uma placenta com as mesmas características. A flor do cacau tem cinco pétalas e é polinizada por pequenos insetos, ao longo de todo o ano. Entre a polinização e o amadurecimento do fruto decorrem cerca de 180 dias. 

Os botânicos acreditam que o cacau é originário das cabeceiras do rio Amazonas, tendo-se expandido em duas direções principais, originando três grupos importantes:  Criollo, Forastero e Trinitário. 

Criollo: A palavra significa ?hispanoamericano, nativo? em espanhol e foi a primeira variedade cultivada nos territórios onde hoje estão Honduras, Costa Rica e México, pelos povos da chamada mesoamérica (Olmecs, Mayas, Toltecas e Astecas). Também cultivado na América Central e no norte da América do Sul. Suas amêndoas são grandes e de coloração clara ou rosácea, de baixa acidez e pouco sabor amargo. Foi considerada a mais nobre das variedades de cacau, mas é pouco produtiva e muito sensível a doenças. Atualmente responde por cerca de 5% da produção mundial de cacau.

Forastero: É o cacau que tem origem na bacia amazônica. Tem amêndoas achatadas de cor violeta, de média acidez. Considerado um cacau produtivo e resistente a doenças. Responde atualmente por cerca de 80% da produção mundial, e é cultivado especialmente na África e no Brasil. Tem frutos amelonados, e algumas subespécies produzem cacau de excelente qualidade.

Trinitário: É um cacau híbrido, resultado do cruzamento das duas outras variedades, reunindo as características de ambas. Foi criado em Trinidad, após 1727, quando plantações de cacau Criollo foram destruídas por ciclones e tempestades. Trinta anos depois monges capuchinhos teriam trazido e plantado mudas de Forastero, que terminaram por cruzar com remanescentes de Criollo. Tem excelente qualidade, e reponde hoje por cerca de 15% da produção mundial.

A chegada ao Brasil

O cacau foi ganhando importância econômica com a expansão do consumo de chocolate, e com isso várias tentativas foram feitas visando à implementação da lavoura cacaueira em outras regiões com condições de clima e solo semelhantes às de origem. E assim, suas sementes foram se disseminando gradualmente pelo mundo. 

Em meados do século XVIII, o cacau tinha atingido o Sul da Bahia e, na Segunda metade do século XIX, foi levado para a África. Oficialmente, o cultivo do cacau começou no Brasil em 1679, através da Carta Régia que autorizava os colonizadores a plantá-lo em suas terras.

Antonio Dias Ribeiro, em 1746, recebeu algumas sementes de cacau, do tipo Amelonado ? Forastero, do colonizador francês, Luiz Frederico Warneau, do Pará e introduziu na Bahia. O primeiro plantio no estado foi feito na fazenda Cubículo, às margens do rio Pardo, no atual Município de Canavieiras. Só em 1752 foram feitos plantios no Município de Ilhéus.  

O cacau se adaptou ao clima e solo do sul da Bahia, e a região alcançou produção de até 95% do cacau brasileiro, ficando o Espírito Santo com 3,5% e a Amazônia em 1,5%. O Brasil é 5° produtor de cacau do mundo, ao lado da Costa do Marfim, Gana, Nigéria e Camarões.  Em 1979/80, a produção brasileira de cacau ultrapassou as 310 mil toneladas.

Cerca de 90% de todo o cacau brasileiro é exportado, gerando divisas para o país.  No período 1975/1980, o cacau gerou 3 bilhões 618 milhões de dólares.

Além do Chocolate

Que o cacau lembra o chocolate não há dúvidas, sempre foi assim, desde os astecas, que em suas cerimônias religiosas incluíam o Chocolate. O cacaueiro sempre foi cultivado para aproveitar apenas as sementes de seus frutos, que são a matéria-prima da indústria chocolateira. Mas, do fruto do cacaueiro é possível extrair outros subprodutos, já comum a industrialização do suco de cacau, a partir da extração da sua polpa. 

O suco de cacau possui sabor bem característico, considerado exótico e muito agradável ao paladar, assemelhando-se ao suco de outras frutas tropicais. É fibroso e rico em açúcares (glicose, frutose e sacarose) e também em pectina. Algumas das substâncias que compõem o suco de cacau lhe conferem uma alta viscosidade e aspecto pastoso.

Com esta mesma polpa de cacau pode fazer ainda geléias, destilados finos, fermentados - a exemplo do vinho e do vinagre - e xaropes para confeito, além de néctares, sorvetes, doces e uso para iogurtes.

A casca do fruto do cacaueiro, também pode ter aproveitamento econômico. Ela serve para alimentar bovino, tanto in natura como na forma de farinha de casca seca ou de silagem, como também para suínos, aves e até peixes. A casca do fruto do cacaueiro pode ainda ser utilizada na produção de biogás e biofertilizante, no processo de compostagem ou vermicompostagem, na obtenção de proteína microbiana ou unicelular, na produção de álcool e na extração de pectina. Uma tonelada de cacau seco produz oito toneladas de casca fresca.

Who We Are

The Mercado do Cacau website arose from the need to enable the use of the Internet to spread the practices of agribusiness and transactions directly linked to the cocoa market. We are the only website in the country that discusses in detail the issues related to cocoa.

One justification for our existence was the fact that, even with the passing of the years, all business processes were still the same, and so we decided to innovate business procedures of cocoa, seeking to provide interactivity between buyers and sellers through our website, in addition to providing various daily updated information inherent to business, giving support to all chain involved in the industry.

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History of cocoa

Cocoa is a word that derives from the term “Kakaw”, of Mayan origin. According to some scholars, the word can be translated as "bitter juice", but in essence “Kakaw” is a phoneme and was used to refer to cocoa tree.

The researchers found in some Mexican ceramic pots the phoneme "ka", which was represented by the stylized shape of a fish, marked with two dots to indicate that the phoneme was repeated twice.

No one knows for sure who the first people to cultivate the fruit were, but history tells that the Aztecs in Mexico and the Maya in Central America were the first people to cultivate cocoa. But it is also said that even before the first Spanish settlers arrived in America, the cocoa was already cultivated by the Indians.

According to historians, the cocoa tree, also called cacahualt, was considered sacred by the people. This is because the prophet Quatzalcault taught the Aztecs how to cultivate the species, both for food and for beautifying the gardens of the city of Talzitapec in Mexico. And all cultivation was accompanied by solemn religious ceremonies.

In 1758, the Swedish botanist Carlos Linneo called the plant by Theobroma cacao L, which means “food of the gods”. Maybe inspired by all the symbolism surrounding the cultivation of cocoa.

The cocoa beans were considered so valuable that they were used as currency. They used the Aztec vigesimal system. There were specific names, such as the countles consisting of 400 cocoa beans, the xiquipil consisting of twenty countless (8.000 beans). The emperor Montezuma usually receives annually 200 xiquipiles (1.6 million beans) as a tribute of the city of Tabasco, which today corresponds to something about 30 bags of 60Kg.

It is said that a good slave could be exchanged for 100 beans at the time. Peter Martyr from Algeria wrote in 1530, yet about the use of cacao as currency, in the book DE OURBE NOVO PETRI MARTYRES AB ALGERIA: “Blessed money, which provides a sweet drink and is a benefit for mankind, protecting their owners against the infernal plague of greediness, because it cannot be accumulated for a long time, nor hidden underground.”

The Golden Fruit

A cocoa tree has long leaves that are born reddish and soon turn in to a deep green, measuring up to 30cm. Its fruits can also measure up to 30cm long, with greenish, brownish or reddish colors that tend to yellow when ripe. Within the fruit is found 20 to 50 beans coated with a white and sweet flesh and fixed to a placenta of the same type. A cocoa flower has five petals and is pollinated by small insects, throughout the year. Between pollination and fruit ripening elapse about 180 days. 

Botanists believe that cocoa originated from the headwaters of the Amazonas River, and expanded in two main directions, giving rise to three major groups: Criollo, Forastero and Trinitario.

Criollo: The word means “Hispano-American native” in Spanish and was the first variety cultivated in the territories where Honduras, Costa Rica and Mexico are located today, called by the people of Mesoamerica (Olmecs, Mayas, Toltecs and Aztecs) and also cultivated in Central America and northern South America. Their almonds are large and light coloring or rosaceous, low acidity and slightly bitter taste. It was considered the noblest of cocoa varieties, but it is not very productive and very susceptible to diseases. It currently accounts for about 5% of world cocoa production.

Forastero: Is cocoa which comes from the Amazon basin. It has flattened violet almonds, of medium acidity. It is considered productive and disease resistant. It currently accounts for about 80% of world production, and is cultivated mainly in Africa and Brazil. It has melon-shaped fruits and some subspecies produce excellent quality cocoa.

Trinity: It is a hybrid cocoa which resulted from the intersection of two other varieties, bringing together features of both. It was created in Trinidad after 1727, when Criollo cacao plantations were destroyed by cyclones and storms. Thirty years later, the Capuchin monks have brought and planted seedlings of Forastero, which ended up crossing with remnants of Criollo. It has excellent quality, and answers today for about 15% of world production.

The Arrival in Brazil

Cocoa has been gaining economic importance with the expansion of chocolate consumption, and because of that several attempts were made in order to implement the cocoa crop in other regions with climate and soil similar to the original. And so, the seeds were gradually spreading throughout the world.

In the mid-eighteenth century, cocoa had reached the South of Bahia, and in the second half of the nineteenth century, was led to Africa. Officially, cacao cultivation began in Brazil in 1679 by Royal Charter which authorized the settlers to plant it in their lands. 

Antonio Dias Ribeiro, in 1746, received some cocoa beans, the melon-shape Forastero type from the French settler Luiz Frederico Warneau, from Pará, and introduced in Bahia. The first planting was done in the state in the Cubicle farm, on the banks of river Pardo, the current city of Canavieiras. Only in 1752 plantations were made in the city of Ilhéus.

Cocoa has adapted to the climate and soil of southern Bahia and the region now produces 95% of Brazilian cocoa, Espírito Santo produces 3.5% and 1.5% is cultivated in Amazônia. Brazil is the 5th cocoa producer in the world, alongside Ivory Coast, Ghana, Nigeria and Cameroon. In 1979/80, the Brazilian cacao production exceeded 310,000 tons.

About 90% of all Brazilian cocoa is exported, generating foreign exchange for the country. In the period 1975/1980, cocoa generated 3 billion 618 million dollars.

Beyond the Chocolate

There is no doubt that cocoa reminds chocolate, always been like that, since the Aztecs, who in their religious ceremonies included the Chocolate. Cacao has always been cultivated to enjoy only the seeds of its fruits, which are the raw material of the chocolate industry. But the fruit of the cocoa tree is possible to extract other byproducts, as common industrialization juice cocoa, from the extraction of the pulp.

The cocoa juice has a very characteristic flavor, considered exotic and very pleasant to the taste, resembling other tropical fruit juice. It is fibrous and rich in sugars (glucose, fructose and sucrose) and also in pectin. Some of the substances that compose the cocoa juice confer a high viscosity and pasty appearance.

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