Alfabetizado pela mãe, garoto ganha ouro em matemática em 2008

Por: NossaCara.com
12/02/2010 - 20:44:16

Matéria publicada no site cujo link está abaixo

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=54516


O Presidente Lula, discursa tendo ao lado o estudante Ricardo Oliveira da SilvaPara ir à escola, Ricardo, que é deficiente, é levado pelo pai em um carrinho de mão. Cearense, ele venceu pela segunda vez as Olimpíadas de Matemática das Escolas Públicas; professoras ajudam levando a lição até a casa dele

Nas estatísticas, a presença de Ricardo Oliveira da Silva, 19, na sétima série do ensino fundamental contribui para a alta defasagem escolar -repetência- no país. No mundo real, é a história de um vencedor.

Vítima de amiotrofia espinhal (doença neurológica que causa a atrofia da medula espinhal e fraqueza muscular), Ricardo foi condecorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem, no Teatro Municipal do Rio, com sua segunda medalha de ouro nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas, ocorrida no ano passado, um galardão destinado aos 300 melhores do país, numa disputa que envolveu 17,5 milhões de estudantes.
Ricardo, que vive em Várzea Alegre (CE), a 467 km de Fortaleza, foi alfabetizado pela mãe, a dona de casa Francisca Antônia da Conceição, 45, que cursou só até a sexta série. Ela lhe ensinou regras de português e as quatro operações básicas de matemática (soma, diferença, multiplicação e divisão).

"Não tenho internet. Comecei a estudar com livros do meu irmão. Agora estudo
com livros emprestados lá da escola. Meu irmão foi medalhista de bronze estadual no ano passado. Quem me matriculou foi o diretor da escola, que soube da minha história e foi me procurar", conta em tom de voz baixo, parte por timidez, parte pelas dificuldades motoras causadas por sua doença, que o obriga a usar cadeira de rodas.

Atualmente, para fazer as provas na escola municipal Joaquim Alves de Oliveira, seu pai precisa carregá-lo por cerca de 1 km em um carrinho de mão. As professoras levam matérias e exercícios a sua casa.

Ricardo vive em um pequeno sítio cujo acesso é apenas por estrada de barro e pedra. Sua família sobrevive com plantação de arroz, feijão e milho -para subsistência-, R$ 100 da bolsa de iniciação científica que ganha devido às olimpíadas e R$ 76 do Bolsa Família.
A Prefeitura de Várzea Alegre não oferece condução para Ricardo freqüentar o colégio. "Quando chove fica impossível andar por ali", diz o pai, Joaquim Oliveira da Silva, 43. As medalhas de ouro lhe garantem ainda aulas particulares com o professor de matemática Valberto Rômulo Feitosa, 33. "Ele consegue, com livros simples, criar teorias matemáticas. É uma honra dar aula para um aluno como ele."

O estudante Ricardo Oliveira sendo cumprimentado pelo Presidente Lula durante a solenidade de entrega das medalhasOntem, na cerimônia de entrega das medalhas para os 300 melhores alunos das Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas, Ricardo foi ovacionado pela platéia do Teatro Municipal do Rio. Ao fazer o discurso final do evento, o presidente Lula pediu que o estudante ficasse a seu lado e o citou como exemplo para os demais alunos.

"O Ricardo diz que quer fazer um curso superior e seguir a carreira na área de ciências exatas, matemática ou computação, se o [banco] Itaú der um computador. Ele sonha ajudar o país com seus conhecimentos e diz que, hoje, é o Brasil que está lhe ajudando, mas, amanhã, pode ser ele que esteja ajudando o Brasil", afirmou o presidente Lula.

"A deficiência física não atrapalha, o que conta é o talento e o esforço. Todo mundo tem algum defeito. Algumas pessoas parecem perfeitas, mas têm defeitos muito graves como a preguiça e o desinteresse, por exemplo", declarou.

A referência ao banco Itaú foi uma cobrança bem-humorada feita por Lula -e, anteriormente, também pelo governador Sérgio Cabral- pelo fato de o banco, parceiro do governo também na organização da primeira Olimpíada de Língua Portuguesa, ter distribuído laptops apenas aos alunos vencedores da olimpíada por três anos seguintes. Ambos sugeriram ao banco que, da próxima vez, premie os 300 alunos que receberam medalhas, e não apenas os tricampeões.

"Diga-se de passagem, com o lucro que o Itaú está tendo, isso não vai custar nada", disse o presidente. (Ítalo Nogueira, Folha de SP, 27/2) O Teatro Municipal do Rio de Janeiro foi o palco da premiação dos três mil vencedores da 3ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

Ministros, secretários de estado, organizadores e o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, entregaram as medalhas às delegações de todos os estados brasileiros. O presidente Lula fez questão de entregar as medalhas aos alunos de Minas Gerais, estado que teve o maior número de vencedores.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, citou em discurso uma conversa que manteve com os medalhistas na manhã desta terça-feira, 26, durante encontro no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa).

Segundo o ministro, as perguntas que recebeu dos competidores apontam a necessidade de maior apoio e dedicação do poder público e um maior compromisso do magistério com a educação no país. "Para isso, é necessário resgatar a importância do professor no país", destacou.

Haddad ainda ressaltou que a boa notícia desta semana é o estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que aponta o acréscimo de 39% no salário dos professores da rede pública nos últimos quatro anos, ante uma inflação de 17% no mesmo período.

"A aprovação do novo piso salarial do magistério é mais um passo no caminho de retomada da valorização do professor", afirmou. O presidente Lula, em seu pronunciamento, concordou com a afirmação e disse que o trabalho, agora, é de recuperar a auto-estima dos docentes. "Os professores foram tratados, por muitas décadas, como cidadãos de segunda classe e isso os desmotivou."

Sobre a olimpíada, Lula enfatizou que, para alguns alunos, significa superar obstáculos e que a motivação pode trazer bons resultados. "Vocês são o orgulho de uma nova geração que o Brasil está produzindo", disse aos medalhistas.

O presidente caracterizou a olimpíada como um desafio, por crescer a cada ano e por já ser a maior do mundo. Em tom de brincadeira, disse que o Brasil só perde essa condição se a China ou a Índia decidirem fazer suas próprias olimpíadas.

A 3ª edição da Obmep teve número recorde de participantes: 17,3 milhões de alunos inscritos, 38,5 mil escolas e 98% dos municípios. (Assessoria de Comunicação do MEC).

Vencedores contestam fama de "vilã" da matemática

André Macieira da Costa, de Minas Gerais, Camila Ramalho Almeida, da Bahia, e Marcelo Silveira Pereira, do Ceará, foram os representantes dos medalhistas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).

Eles falaram da importância da Obmep como forma de incentivar o ensino da matemática. "A matemática precisa deixar de ser a vilã das matérias. Pode ser divertida e trazer reconhecimento ao aluno", disse Camila. Para Marcelo, a disciplina nunca é citada como a melhor. Segundo ele, os alunos sempre falam nas outras matérias e fazem da matemática "a pior do mundo". Ganhador de medalhas nas três edições, André afirma que o incentivo ao estudo da matemática passa pela Obmep.

Segundo os medalhistas, as fórmulas para a boa participação nas olimpíadas são conseqüências das boas notas na escola: bons professores, estímulo dos pais desde cedo e não olhar a disciplina como algo muito difícil.

O ministro Fernando Haddad lembrou-se de um professor de matemática que trabalhava a questão de forma lúdica e desafiadora ao salientar que a olimpíada, com o foco na matemática, contribui para ampliar o horizonte da educação brasileira. Falou ainda da Olimpíada da Língua Portuguesa, lançada nacionalmente no dia 19. De acordo com o ministro, as duas olimpíadas, compreendidas no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), ajudam a qualificar a educação brasileira.

De forma descontraída, Haddad disse aos estudantes que era mais difícil estar ali como vencedor da Obmep do que na Seleção Brasileira - uma alusão ao fato de 17 milhões de alunos terem participado da olimpíada. Segundo ele, o desafio do Ministério da Educação é fazer o resultado dos medalhistas chegar a todas as escolas públicas do país.

Ao final, indagado por um aluno sobre a questão da formação de professores, Haddad relatou todo o esforço do MEC nesse sentido, com a criação do piso nacional e com o Capes, que terá como nova função formular a política de preparação de professores da educação básica. Um dos exemplos citados foi a Universidade Aberta do Brasil (UAB), que tem como prioridade a formação de professores para essa etapa do ensino.

Recorde

A terceira edição da Obmep teve um número recorde de participantes. Estiveram envolvidos 17,3 milhões de alunos, 38,5 mil escolas e 98% dos municípios do país. A competição foi criada em 2005 para estimular o estudo da matemática e identificar jovens talentos. A primeira Obmep teve a participação de 10,5 milhões de alunos de 31 mil escolas. A segunda edição contou com 14 milhões de estudantes de 32,6 mil instituições de ensino.

Além das medalhas de ouro, prata e bronze para os vencedores, todos os premiados receberão bolsas de iniciação científica do CNPq. Também serão concedidos certificados de menção honrosa a até 30 mil alunos.

A iniciativa é dirigida a alunos da quinta à oitava série (sexto ao nono ano) do ensino fundamental e a estudantes do ensino médio das escolas públicas municipais, estaduais e federais. A inscrição é feita pelas escolas, que concorrem a prêmios, assim como professores e municípios. Os professores são contemplados com cursos de aperfeiçoamento e as escolas, com computadores portáteis e livros. Os municípios com maior pontuação recebem troféus.

A ação é promovida pelos ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação, em parceria com o Impa e a Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). (Assessoria de Comunicação do MEC).

Esta matéria foi públicada em 27 de fevereiro de 2008.

        

 

 

 

PUBLICIDADE

Últimas Notícias



PUBLICIDADE

Copyright © 2003 / 2026 - Todos os direitos reservados
NossaCara.com é propriedade da empresa Nossa Cara Ponto Comunicações e Serviços Ltda.
CNPJ: 07.260.541/0001-06 - Fone: (73) 98866-5262 WhatsApp