
Queda nas cotações reflete expectativa de safra recorde, pressão da oferta e ajustes no mercado internacional
Por: Urbino Brito
O mercado do café iniciou esta quinta-feira (30) com leve recuo nas cotações, confirmando uma tendência que já vinha sendo desenhada ao longo das últimas semanas. O café arábica registrou queda de 0,02%, sendo negociado a R$ 1.774,50 por saca de 60 kg em São Paulo. Já o café robusta (conilon) apresentou retração mais expressiva, de 1,29%, cotado a R$ 940,88.
Mas essa movimentação não é pontual — ela faz parte de um cenário mais amplo e estrutural do mercado cafeeiro em 2026.
Tendência de queda: não é coincidência
Segundo dados do CEPEA, os preços do café vêm em trajetória descendente desde o início de abril. Esse movimento acompanha uma sequência de desvalorizações tanto no mercado físico quanto nas bolsas internacionais.
Entre o final de março e o início de abril, por exemplo, o arábica já acumulava queda superior a R$ 90 por saca . Além disso, indicadores mostram que os preços atuais já são os menores desde meados de 2025 .
Ou seja: não é uma oscilação diária — é uma correção de mercado.
O principal fator: expectativa de safra maior
O principal motor dessa queda é a expectativa de uma safra robusta para 2026/27.
Quando o mercado enxerga maior oferta no horizonte, o efeito é imediato:
pressão baixista nos preços.
O próprio CEPEA já apontava que apenas a expectativa de safra recorde foi suficiente para derrubar os preços desde fevereiro.
Fatores globais também pesam
Não é só o Brasil. O café é uma commodity global, e vários fatores externos estão influenciando:
1. Clima mais favorável
Após anos de problemas climáticos (secas e geadas), as lavouras apresentam recuperação, aumentando a oferta global.
2. Reequilíbrio de estoques
Embora ainda relativamente apertados, os estoques começam a se recompor, reduzindo a pressão de alta
3. Mercado internacional
Os preços internacionais também vêm recuando, com queda acumulada no último mês .
4. Movimento de correção
Após um ciclo de forte valorização em 2024 e 2025, o mercado entrou em fase de ajuste natural
Arábica x Robusta: diferenças no impacto
Apesar de ambos estarem em queda, existem nuances importantes:
Dados mostram que o robusta vem registrando perdas ainda mais intensas, chegando a mínimas de até dois anos.
Volatilidade segue no radar
Apesar da queda atual, não dá pra cravar estabilidade.
Especialistas apontam que 2026 será um ano de alta volatilidade, influenciado por:
Ou seja: o mercado pode cair… mas também pode reagir rapidamente.
O que esperar daqui pra frente?
Curto prazo (próximas semanas):
Médio prazo:
Longo prazo:
O mercado do café vive hoje um momento de ajuste após um período de forte valorização. A queda atual não é sinal de crise, mas sim de reorganização baseada em fundamentos sólidos, principalmente o aumento da oferta.
Para produtores, o cenário exige atenção redobrada e estratégia.
Para compradores, pode ser uma janela de oportunidade.
E para quem acompanha o agro:
estamos diante de um mercado cada vez mais técnico, globalizado e sensível a múltiplos fatores.