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Das 200 armas que emitem choque, recentemente compradas, apenas 25 estão em uso durante a folia momesca
Do iBahia, Equipe de Jornalismo
Uma grande polêmica foi criada antes do carnaval em relação às 200 pistolas elétricas, não letais, adquiridas recentemente pela Polícia Militar Baiana e divulgadas como principal reforço para o Carnaval. Nesta segunda-feira (23), no entanto, apenas 25 homens do efetivo da PM baiana estavam de posse das armas.
Segundo o comandante geral da PM, coronel Nilton Mascarenhas, a aquisição do armamento coincidiu com o Carnaval e, ao contrário do que foi amplamente divulgado pela comunicação da PM baiana, o Carnaval não é seu principal propósito. “As armas atenderão às necessidades futuras, não serão utilizadas no Carnaval para amedrontar. Por exemplo, elas serão usadas para gerenciar tentativas de suicídio”, contou.
Até o dia de hoje, o coronel informou que as armas não foram disparadas uma única vez e garantiu que elas estariam na posse de tropas especializadas. No entanto, no Comando Especializado da Policia Militar (CEPM), no circuito Barra-Ondina, nenhum dos homens do efetivo estava de posse das armas.
De acordo com o tenente-coronel Rovaldo Veloso, responsável pelo CEPM, a arma não letal pode trazer prejuízos para a imagem da corporação. “Há um receio sobre o uso dessas armas. A princípio, ela pode ser usada em qualquer cidadão, mas pode trazer consequências como ataques cardíacos, quedas. As armas foram compradas próximo ao Carnaval, mas somos nós, que temos conhecimento técnico, que avaliamos a conveniência”, pondera.
Para Veloso, as armas são dispensáveis em uma festa como o Carnaval e tem melhor aplicação para momentos de confronto, como brigas de torcidas rivais, em estádios de futebol, distúrbios provocados por pequenos grupos e confrontos com grandes multidões. “O choque não mata, mas pode trazer uma sensação de terror no folião”, explica.
Cada cartucho da pistola custa em média US$32 (o equivalente a R$65). Segundo consultor-chefe de segurança da Ability BR (empresa fabricante da pistola), Paulo Luz, os impulsos elétricos das pistolas emitem uma baixíssima amperagem no corpo humano (0,004 ampere). “Se compararmos com um choque na tomada de parede comum (110 volts), que é igual a 16 amperes, veremos que o equipamento não representa risco”, disse.
Taser - O modelo usado pela polícia baiana é a Taser M-26, o mesmo utilizado em 14 mil departamentos de polícia de 73 países. No Brasil, o equipamento é usado há cerca de três anos pela polícia do Senado Federal, pela Polícia Federal, pelo Departamento de Segurança da Justiça Federal, pela Marinha do Brasil, pela PM do Mato Grosso e de Goiás e por algumas guardas municipais.
As armas não-letais emitem ondas T (forma de onda semelhante à cerebral), com ação direta sobre o sistema nervoso sensorial motor do oponente, de forma a paralisá-lo, reduzindo ao máximo qualquer possibilidade de dano físico em decorrência da ação da mesma. A arma permite ao operador controlar o tempo do disparo, podendo prolongá-lo continuamente sem intervalo ou instantaneamente interrompê-lo.
A arma dispara dardos com alcance de até 10,6m, através de cartucho propelido por nitrogênio (substância não tóxica, não inflamável, não poluente e não explosiva). Para fins de registro e controle, tanto a arma quanto os cartuchos possuem um número de série específico.
Para fins de auditoria, a arma armazena, em memória digital interna, a data e o horário dos disparos, sendo que o cartucho, por sua vez, contém em seu interior uma quantidade não inferior a 20 “confetes identificadores” com o mesmo número serial do cartucho, de forma que este, ao ser deflagrado, libere automaticamente os respectivos confetes na cena do disparo.