Derrubada de Mata Atlântica em Itabela permanece impune

Por: NossaCara.com
08/11/2010 - 15:02:12

Por: Mário Bitencourt
Matéria publicada no jornal A Tarde de 07/11/2010

Árvores nativas da Mata Atlântica, algumas delas com mais de 50 anos, vem sendo derrubadas de forma ilegal na estação experimental da CEPLAC em Itabela, a 671 km de Salvador, no extremo sul da Bahia. Ninguém foi preso ou interrogado até o momento.

Os roubos vêm sendo investigado pelo Instituto Brasileiro de Biodiversidade e dos recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e pela Policia Ambiental de Ilhéus, no sul do Estado. A gerente do IBAMA de Eunápolis, Cleide Guirro, informa que, pelo tipo de madeira retirada, presume-se que seja para artesanato.

Outro fator que aponta que a madeira retirada é para artesanato são os cortes feitos em forma de toras de no máximo um metro. “Sabe-se também que a maior parte da madeira é destinada aos povoados de Montinho, Monte Pascoal e Itabela, para produção e comercialização destes produtos”, diz Cleide.

Dente as espécies de madeira retiradas estão o paraju, angelim-coco, angelim-pedra, copaíba e arruda que está em extinção. Com elas, pode-se fazer artesanato como gamela, colher de pau, pentes, colares, brincos e utensílios de cozinha.

“Não se sabe a quantidade de madeira retirada, já que a extração ocorreu a corte raso, não se conseguindo estimar o tamanho de cada árvore”, explica Cleide. A administradora da estação, Cláudia de Paula Resende, contabilizou 35 árvores derrubadas. A estação tem área de 643 sendo 500 hectares de mata nativa.

Cláudia afirma que muitas destas árvores demoram mais de 50 anos para chegar a 10 metros de altura. No mercado legal, informa Cláudia, o metro linear destas madeiras vale R$ 1,8 mil; de forma clandestina, a venda fica em torno  de R$ 100 a 150 o metro. Ela explica que as estradas na área da estação dão acesso a fazendas vizinhas e isso facilita a ação dos criminosos. Outro fator que contribui para a ação dos meliantes é que não há segurança. “Eles cortam as árvores sempre à noite e deixam já preparadas para os caminhões pegarem de manhã cedo”, conta.

A reportagem percorreu alguns locais na mata por onde os criminosos passaram deixando árvores caídas, vasilhas plásticas com restos de gasolina, de óleo, e diversos caminhos abertos. “Eles fazem também a rota de fuga, caso algo dê errado” revelou um dos zeladores da estação, Sebastião Francisco dos Santos Neto.

Além do desmatamento irregular, outro fator que preocupa é que lá não se vêem mais animais de pequeno porte em grandes quantidades devido a ação dos caçadores. Alem do IBAMA, a fiscalização local pode ser feita    pelas secretárias Estadual de Meio Ambiente e municipal de Meio Ambiente de Itabela.

José Diógenes Câmara Alves, major da Companhia Independente de Policia Ambiental da Bahia, espera que com a instalação de uma unidade de policia ambiental em Porto Seguro, prevista apara ocorrer no final deste ano, os criminosos se sintam intimidados. O efetivo da policia ambiental em Porto Seguro será de 90 policiais.

Ele informa que a Policia Ambiental da Bahia e o IBAMA têm patrulhado a reserva da Estação inclusive à noite, e que as rondas continuarão sistematicamente afim de coibir a extração ilegal.

O IBAMA considera que o importante também é a conscientização do consumidor, que, no momento da compra de algum material fruto de extração de madeira, deve pedir sempre a nota fiscal, que comprova que a madeira foi retirada de forma legal do meio ambiente.

 

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