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Por: Fabiana Maranhão
Do UOL, em São Paulo
Em tempos de falta de água nas torneiras, um técnico agropecuário tem dedicado seus dias a percorrer escolas, associações e comunidades na Grande São Paulo para repassar um conhecimento útil: como coletar água de chuva.
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Engana-se quem pensa que é só colocar um balde no quintal de casa quando começar a chover. A pessoa até pode fazer isso, mas com a água ela vai acumular folhas, insetos e outros tipos de sujeira.
Batizado de minicisterna, o equipamento criado pelo técnico Edison Urbano é feito de materiais simples e tem capacidade de acumular cerca de 200 litros de água. O custo para confeccioná-lo varia entre R$ 150 e R$300 e com ele é possível economizar até 50% da conta de água, segundo Urbano.
| Veja no desenho a seguir o esquema conceitual de um sistema correto e básico de Aproveitamento da Água de Chuva, onde é mostrado um modelo bem simples de filtro e separador das primeiras águas de chuva. Nesse modelo é usado uma peneira com malha fina, tipo tela mosquiteiro ou peneira grande de cozinha para barrar as sujeiras maiores; depois a água vai para um recipiente, que pode ser um vaso ou um balde com um registro instalado no fundo e um tubo na lateral conectado com a cisterna. O registro deverá ficar um pouquinho aberto para descartar as primeiras águas da chuva ou águas de chuvas fracas, que são as águas que vão lavar a atmosfera e o telhado. Após alguns minutos de chuva (forte), esse balde estará cheio e vai começar a transbordar a água da chuva, já bem mais limpa, para dentro da cisterna através do tubo lateral. |
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Ele integra o movimento Cisterna Já que tem uma meta ambiciosa: que exista uma minicisterna em toda casa. "O movimento surgiu com a ideia de fazer com que o máximo de pessoas nas cidades construa um sistema de aproveitamento de água de chuva para poupar as reservas que a gente tem, como o Cantareira, o Guarapiranga [no caso da Grande São Paulo]", explica.
"Nós estamos repassando o conhecimento de todas as formas que a gente encontra, por meio da imprensa, de cursos em lugares públicos. A gente faz mutirões em praças, escolas etc., onde fazemos a montagem passo a passo da minicisterna, para ensinar às pessoas como fazer", detalha.
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Existem cerca de 630 mil cisternas na região do semiárido, que engloba Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, além do norte de Minas Gerais.
A estimativa é da ASA (Articulação Semiárido Brasileiro), entidade que implanta cisternas com recursos do governo federal.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, cada família recebe R$ 1.600 para construir a cisterna. "Com capacidade para 16 mil litros de água, a cisterna supre a necessidade de consumo de uma família de cinco pessoas por um período de estiagem de oito meses", informa em sua página na internet.
"Os povos do semiárido sempre conviveram com a seca, realidade que você não muda, mas se adapta. Com essa crise [de falta de água] no Sudeste, o povo vai ter de passar a conviver com isso. É preciso armazenar água de chuva e que haja uma mudança de mentalidade para entender que a água é um bem precioso que tem de ser economizado", afirma Valquíria Lima, coordenadora executiva da ASA.