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Por: Guilherme Balza
Do UOL, em Assunção
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http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2012/06/22/democracia-foi-ferida-profundamente-diz-lugo-ao-deixar-a-presidencia.htm
"A democracia foi ferida profundamente, de maneira covarde, de maneira aleivosa", disse o ex-presidente paraguaio Fernando Lugo, 61, em discurso após seu impeachment nesta sexta-feira (22) em Assunção.
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O impeachment de Lugo foi aprovado no Senado com 39 votos a favor, 4 contra e duas ausências. O Senado precisava apenas de 30 votos (maioria de dois terços) para concretizar o impeachment. O julgamento político teve início após a Câmara dos Deputados ter aprovado a abertura de impeachment contra ele na quinta-feira (21), acusando-o de "mau desempenho" de suas funções. Cinco deputados atuaram como promotores e, em apenas meia hora, definiram os cinco motivos para destituir o presidente. O motivo mais recente, e estopim para a abertura do processo de impeachment, foi o conflito agrário sangrento em Curuguaty, que resultou em 17 mortos na última semana.
"Como sempre, atuei de acordo com a lei, ainda que ela tenha sido retorcida", afirmou em discurso no Senado. Lugo aceitou a decisão do Congresso.
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"Estou disposto a responder pelos meus atos como ex-mandatário", disse o presidente deposto. "Depois de quatro anos, me despeço como presidente, mas não como cidadão", continuou.
Lugo agradeceu ainda aos movimentos sociais, homens e mulheres, que "sustentam o país" e, em seguida, agradeceu aos jornalistas. "Não quero deixar de agradecer aos companheiros de imprensa, independemente de compartilhar ideias.
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"Fernando Lugo não responde a classes políticas, não responde à máfia, nem ao narcotráfico", disse ainda o ex-mandatário no Palácio do Governo, em uma crítica referência a opositores de direita que se uniram para derrubá-lo.
"Esta noite saio pela maior porta da pátria, pela porta do coração, do coração de meus compatriotas. Quero dizer que podem seguir contando com Fernando Lugo. Muita força. Viva Paraguai!", disse o ex-presidente ao encerrar seu discurso".
Trajetória de Lugo
Depois do conflito da última semana, que foi o ponto culminante para a Câmara abrir o processo de impeachment, Fernando Lugo demitiu o ministro do Interior, Carlos Filizzola, e o chefe da Polícia, Paulino Rojas. Mas os aliados liberais de Lugo não gostaram da escolha do ex-promotor Rúben Candia Amarilla, ligado ao Partido Colorado, para ocupar a vaga no Ministério do Interior. Lugo negou que a escolha tenha sido feita em nome da legenda, disse que seu governo é pluralista e que a designação de Amarilla foi “a título pessoal”.