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Guilherme Silveira
Especial para UOL Carros
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Vejam no link abaixo a galeria de fotos
http://carros.uol.com.br/album/ford_mustang_2011_roush_album.jhtm#fotoNav=4
Para o construtor de hot rod e muscle car Alexandre Benevides, proprietário da HCB (Hot Company Brasil), de Salto (SP), trazer um Mustang dos Estados Unidos foi uma ótima forma de unir o útil ao agradável. Além de garantir sua diversão nas horas vagas, esse GT 5.0 2011 apimentado pela americana Roush Performance é mais uma bela imagem para o cartão de visitas de sua oficina. O visual é malvado, bem como o desempenho e o ronco do novíssimo V8 302, um cinco-litros bem nutrido por compressor. O pacote top na terra do Tio Sam, aliado ao preciso câmbio manual de seis marchas e a tração traseira fazem deste Ford um legítimo destruidor de asfalto.
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Lenda viva entre os preparadores americanos especializados em Ford para Nascar e Arrancada desde os anos 70, Jack Roush vende os Mustang zero-quilômetro em diferentes estágios de preparação e visual (1, 2 e 3). Embora Alexandre quisesse a mecânica com blower do nível 3, sua principal exigência não estava disponível: a cor azul. No nível 2, haveria pronta entrega, porém sem o kit blower. Após 45 dias, aportava no Brasil o azulão, com todo o kit visual e estrutural nível 2 e as rodas cromadas de 20 polegadas, opcionais.
O motorzão, que originalmente já falava alto com seus 405 cavalos, permaneceu aspirado por pouco tempo. O pacote de músculos extras veio pronto para instalar. Trata-se de um modelo de última geração, alta eficiência e baixo ruído: TVS 2.3L da Eaton, licenciado para a Roush. Embora possa desenvolver até 750 cv com o uso de mais pressão (1 kg máximo com polia opcional), oferece três anos de garantia de motor e câmbio quando desenvolve até 550 cv.
Após algumas voltas no interior de São Paulo, o Mustang foi enviado para a Herrera Motorsport, na capital. O preparador Bruno Herrera recomendou instalar todo o kit do jeito que veio. Apenas 0,4 de pressão máxima no compressor. Em outras palavras, rendeu 550 cv ao 302” de alumínio, aferidos no dinamômetro da Herrera Motorsports. O carro abre crateras no asfalto sem grandes esforços e tem durabilidade garantida, algo confirmado pelas palavras de Bruno Herrera: “Este kit de compressor é uma ótima opção para os Mustang. Instalação limpa, receita confiável, desempenho linear e pouco calor extra gerado no cofre são seus atributos. Para uso diário, 550 cv estão de bom tamanho. Tanto é que o dono nem pensa em colocar mais potência”, completou.
No kit gringo, tudo parece vir de fábrica, já que Roush foi responsável por muitos projetos e desenvolvimentos especiais da Ford: é formado por tomada de ar frio, aftercooler (esfria a mistura e não apenas ar), borboletas de admissão maiores e sensor MAF específico. Além, é claro, do blower, suas polias e esticadores, novos injetores, radiador de água específico para suportar a nova potência e até mesmo o escape de aço inox, em X, e dois abafadores. O ronco do V8 aguça os ouvidos e intimida, como deve ser um belo 302” otimizado. Rodando com o Roush, mais parece um aspirado de maior cilindrada, tamanha a disposição em baixos giros.
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Embora os engates na curta alavanca Roush sejam firmes e separados por poucos milímetros, se mostram certeiros e não demora muito para o piloto se acostumar a espetar marcha após outra, rapidamente. Por conta da embreagem macia e a suspensão acertada -- que bate menos seco do que um Camaro original --, sua mulher poderia sair para fazer compras com o Mustangão.
No caso de um cara corajoso ao volante, pode-se arrancar ao melhor estilo “Bullitt”, em primeira marcha, e logo encher o cano em segunda e terceira, bem curtas. Como o carro pouco destraciona quando o eficiente controle de tração está acionado, fica fácil superar os 200 km/h em quarta marcha. E ainda há quinta e sexta mais longas (a última é overdrive), para bater os 300 km/h se tiver pista liberada. Dotado de suspensão toda repensada (mais baixa e firme) com barras inferiores, de tração e estabilizadoras, este Stang é firme na medida certa e segue acelerando como se estivesse sob trilhos, com equilíbrio invejável em curvas.
Só falta um pouco de freio, já que após algumas frenagens mais fortes, os quatro discos originais começam a sofrer. Um sistema especial é opcional da preparadora até o estágio 3, mas em breve chegará um sistema completo da Brembo. Aliás, freios italianos sempre caem bem num esportivo, principalmente no Mustang, que assim como as famosas macchinas, ostenta um cavalo bravo rampante. Quem gostou do Mustang Roush, fica a dica: em breve a Hot Company Brasil trará os míticos Ford como revendedor autorizado da preparadora no Brasil. E o preço, considerando custo e performance, promete ser interessante.
Este texto foi publicado originalmente na edição 109 da revista Fullpower, de maio/2011