40% da carne consumida na Bahia vem de abate clandestino

Por: Via41.com.br
20/05/2013 - 09:16:46

As ações de apreensão de carnes clandestinas na Bahia não estão intimidando os infratores. Nos primeiros meses deste ano já foram apreendidas cerca de 20 toneladas a mais do que toda a carne apreendida em todo o ano passado.
Até agora, os órgãos de fiscalização já impediram que fossem comercializadas cerca de 65 toneladas de carne clandestina em todo o estado.

Mais de 50 toneladas foram apreendidas em uma única ação na capital baiana, no mês passado, no bairro de Valéria, em Salvador.

A apreensão foi feita pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Adab), em parceria com outros órgãos.

A elevada quantidade de carne apreendida reabriu o debate sobre o abate clandestino na Bahia. A Adab e o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados da Bahia (Sincar) estimam que entre 30% e 40% de toda a carne consumida no estado seja irregular.

"O maior consumo clandestino está no interior. Há uma cultura de consumir “carne quente”, diz o presidente do Sincar, Júlio Farias.

"Carne quente" é aquela abatida fora de matadouros frigoríficos e transportada sem a devida refrigeração. Por lei, abates em propriedades rurais são proibidos.

Os locais de abate devem ser registrados nos órgãos de serviços de inspeção e seguir normas de higiene, refrigeração, proteção ao trabalhador e verificação da saúde dos animais.

Na prática, é comum que os animais sejam abatidos dentro de propriedades rurais, sem nenhuma inspeção.

RISCO

"O consumidor corre o risco de estar exposto a zoonoses e contaminação de bactérias quando consome carne irregular. Nos frigoríficos, esse risco é minimizado", diz o diretor de inspeção de produtos agropecuários da Adab, Adriano Bouzas.

PRODUÇÃO

Na Bahia, existem 33 matadouros frigoríficos regulamentados, por onde passaram, em 2012, mais de 880 mil animais, entre bovinos (726 mil), suínos e caprinos.

Grande parte dos frigoríficos é da iniciativa privada e presta serviços para intermediários abaterem animais. A taxa de abate varia por região, mas custa, em média, R$ 70 por cabeça.

Produtores que abatem em locais inspecionados têm isenção fiscal na carne e ainda podem aproveitar as vísceras do animal.

Apesar dos benefícios de se abater legalmente, o presidente do Sincar atribui o grande número de abate ilegal no estado à falta de informação dos produtores e à falta de fiscalização das prefeituras.

"É ainda uma questão cultural e de desinformação", diz Júlio Farias. "Os prefeitos têm que ter vontade política para resolver o problema".

Fonte
Bahia40Graus

PUBLICIDADE

Últimas Notícias



PUBLICIDADE

Copyright © 2003 / 2026 - Todos os direitos reservados
NossaCara.com é propriedade da empresa Nossa Cara Ponto Comunicações e Serviços Ltda.
CNPJ: 07.260.541/0001-06 - Fone: (73) 98866-5262 WhatsApp