Banda larga no Brasil é a 2ª mais cara entre 15 países, diz pesquisa

Por: UOL / SP
14/05/2013 - 08:49:37

Do UOL / São Paulo

VERDADE - O cabo extensor ajuda um pouco porque permite que o modem fique posicionado longe do computador (em uma área com mais sinal, por exemplo). ""Em vez de movimentar todo o conjunto [computador e modem], o cabo pode dar flexibilidade para o usuário movimentar só o aparelho"", diz Marcelo Zanateli, professor de Engenharia Elétrica. Apesar de ajudar, o cabo não é mágico: se o sinal no local é inexistente ou muito fraco, não vai adiantar Arte UOL

O preço médio da banda larga no Brasil é um dos que mais pesam no bolso do consumidor, considerando a relação entre o valor cobrado por 1 Mbps (megabit por segundo) e a renda da população. É o que mostra um levantamento feito com 15 países.

O brasileiro precisa trabalhar 5,01 horas por mês para se conectar à rede de banda larga fixa de 1 Mbps. O país só perde para a Argentina, onde são necessárias 5,15 horas. O Japão aparece na última posição do ranking: naquele país, a população precisa trabalhar 0,015 hora para pagar pelo acesso.

O levantamento foi feito pelo economista e professor da FGV Samy Dana em parceria com o graduando em Economia pela UFV-MG (Universidade Federal de Viçosa) Victor Candido.

Os cálculos foram feitos com base nos dados do relatório The State of the Internet (da consultoria Akamai) e do Internet World Stats Broadband Penetration (do Internet World Stats). Para se chegar à renda média per capita de cada país, foram usados dados do Banco Mundial.

MITO - No caso de modems, soluções caseiras nem sempre funcionam. Mudar a posição do aparelho -- em relação ao cômodo onde está ou em relação à porta USB usada para conectá-lo -- pode ajudar um pouco a melhorar o sinal de internet captado, mas não há aumento drástico. ""O que atrapalha mesmo é usar modems de terceira linha, que não dispõem de uma antena boa"", diz Ruy Bottesi, presidente da AET (Associação de Engenheiros de Telecomunicações) Arte UOL

Segundo esses dados, o preço médio do acesso no Brasil a uma velocidade de 1 Mbps é de US$ 25,06, ou cerca de R$ 50,52 por mês segundo a cotação do último dia 10 de maio. Considerou-se uma renda média por hora, per capita, de US$ 5, ou R$ 10,08.

Para efeito de comparação, no Japão, o valor médio cobrado pelo acesso à internet é de US$ 0,27, ou R$ 0,55. Como a renda média per capita recebida por hora lá é mais alta (US$ 18, ou R$ 36,32), a quantidade de horas de trabalho necessárias para se fazer o acesso é bem menor.

Na pesquisa, foram selecionados países que lideram o acesso à internet no mundo, entre nações desenvolvidas e emergentes.

Muitos tributos e pouca concorrência

Para o economista Samy Dana, o alto preço cobrado no Brasil tem relação com a alta carga tributária: enquanto o país paga 40% de impostos sobre os serviços de banda larga, no Japão os tributos representam 5% do preço.

"De um lado, existe um governo que tributa muito. Por outro lado, o setor tem poucas empresas, o que faz com que a concorrência seja pequena para a dimensão que o país tem. Um setor de pouca competição e com regulação ineficiente deixa o consumidor refém do preço. O resultado é um serviço ruim e caro, que acaba sendo um entrave para o desenvolvimento do país", diz o economista.

Preço caiu 68% desde 2008

O diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), Eduardo Levy, questiona a comparação com países como o Japão.

Usar internet móvel no Brasil é um grande teste de paciência com as constantes quedas de sinal e instabilidade no serviço. Para tentar contornar o problema, alguns usuários fazem ""gambiarras"" para aumentar o sinal do 3G em seus smartphones e modems. Há também quem use até antenas externas e repetidores de sinal na tentativa de conseguir conexão. Veja a seguir o que realmente funciona e o que não passa de mito. Por Ana Ikeda Arte UOL

"O brasileiro também gasta mais tempo para comprar um automóvel ou um iPad do que um japonês. Mas pesquisas mostram que o preço da banda larga fixa caiu 68% desde 2008 no Brasil", afirma. "Se o serviço fosse tão caro, não haveria tanta gente usando."

Levy afirma que a cobrança de acesso a uma velocidade de 1 Mbps por US$ 25,06, ou pouco mais de R$ 50, não é realidade no país, sobretudo por causa das promoções feitas pelas empresas.

A associação cita dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), organismo da ONU, que mostram que o brasileiro gasta, em média, US$ 17,22 ao mês com banda larga, ou R$ 34,86. No Japão, segundo a UIT, o gasto médio mensal é de US$ 24,41, ou R$ 49,41. A pesquisa da UIT não fala em velocidade (considera apenas o valor mensal para fazer um download de 1 Gigabyte).

Os realizadores do estudo dizem que o valor usado é uma média geral, considerando cidades de todos os portes.

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