
A cama desfeita, desarrumada, contrastava com o silêncio e a paz que quedavam sobre o quarto. Uma leve brisa penetrava pela janela entreaberta fazendo tremular levemente a cortina, arejando aquele ambiente acolhedor.
A penumbra aconchegante escondia os duendes travessos e os acalmava, fazendo-os guardiões de um templo propício ao amor. O silêncio, a brisa, a penumbra, um ambiente mágico, habitado por um anjo confidente, conivente, perpetuador da vida e do prazer.
Num canto, as rosas. Como faltar? Frágeis, melindrosas, mas belas. Em tons carmim, a testemunhar uma paixão correspondida, vivida em toda sua plenitude.
As fotos, diversas, espalhadas por sobre um pequeno armário e iluminadas por um facho de luz vindo do abajur, que perpetuavam momentos de alegria vividos a dois.
Lá fora a chuva, imperceptível em razão do sono pesado, reconfortante, reparador das energias antes trocadas no roçar frenético dos corpos sedentos e suados, agora, inertes, entrelaçados sob os lençóis.