
Lamentando a perda da paciente e do seu filho na semana passada no Hospital Regional, o Secretário de Saúde de Eunápolis, Mário Gontijo, explicou na última sexta-feira (08/03) em entrevista em emissora de rádio local, os fatos que culminaram com o óbito.
Depois de evidenciar a cronologia dos acontecimentos, o Secretário divulgou uma nota oficial sobre o assunto.
NOTA PÚBLICA
A paciente falecida após o parto vaginal, ocorrido nas dependências do Hospital Regional de Eunápolis, no dia 06/03/2013, era acompanhada na cidade de origem (Itabela-BA), conforme documentação apresentada quando de seu atendimento.
Foi atendida no Hospital Regional de Eunápolis nos dois dias anteriores, mas não se apresentava em trabalho de parto. Havia apresentado problemas de saúde nos dois partos anteriores, sendo que no primeiro houve também óbito fetal, e no segundo teve o diagnóstico de doença hipertensiva gestacional.
Foi internada na noite do dia 05/03, sem estar em trabalho de parto, mas devido a dores não compatíveis com contrações uterinas. Após a internação, evoluiu com dilatação do colo uterino, o que ensejou fosse aguardado parto vaginal. Não havia sinais clínicos de morte fetal antes do parto, malgrado a criança ter vindo à luz já sem vida.
Posteriormente, a parturiente apresentou crise convulsiva, concomitante a hemorragia uterina vultosa, causando anemia aguda, que não respondeu às imediatas medidas de reposição, evoluindo com choque e parada cardiorespiratória, que se mostrou irreversível, apesar das manobras de ressuscitação e dos esforços de toda a equipe envolvida no momento, formada por um pediatra, um obstetra, um anestesista e um cirurgião.
Dadas as informações do caso, infere-se tratar-se de uma gestação de alto risco, com elevadas possibilidades de complicações pré e pós-parto, a despeito de todas e quaisquer medidas profiláticas que pudessem ser conduzidas durante o seu acompanhamento, embora as condições socioeconômicas tenham influência decisiva sobre a qualidade do atendimento pré-natal.
Ressalte-se que, em 2013, já houve aproximadamente 320 partos no Hospital Regional de Eunápolis, tendo ocorrido 5 óbitos fetais (dos quais 4 em que as pacientes já deram entrada com o feto morto, tendo sido realizada apenas a indução do parto), e apenas esta morte materna.
O Hospital Regional de Eunápolis, única maternidade pública da cidade, atua como maternidade de referência para os municípios circunvizinhos e até mesmo de outro Estado Federativo. Trata-se de uma maternidade que realiza em média 150 partos mês / 1800 partos/ano. Por se tratar de uma maternidade de porta aberta, recebe na maioria das vezes, gestantes sem referência ou sem assistência médica prévia o que dificulta a tomada de decisão acerca do tratamento clínico indicado diante de uma intercorrência obstetrícia, fato que não a inviabiliza.
No ano de 2012 ocorreram 1680 partos no HRE, sendo 1222 por via vaginal e 458 por via cesárea. Atingimos uma proporção de partos normais de 72,73%, ou seja, 12,73% a mais sobre a meta pactuada pelo SISPACTO 2012.
Até o momento, no ano de 2013, foram realizados 325 partos, com uma taxa de partos normais de 70,16%, limite aceitável, e uma taxa de cesárea de 29,84, ainda cima dos padrões recomendáveis. Contudo, a conduta clínica deve ser mantida independente dos índices pactuados tendo em vista a preservação da vida.
A Secretaria Municipal de Saúde continua acompanhando e investigando o caso, buscando esclarecer todos os fatos acontecidos de maneira transparente.