
Por: Roberto Oliveira
ENVIADO ESPECIAL
À CHAPADA DIAMANTINA (BA)
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As pernas tremem e o coração parece saltar pela boca, enquanto os olhos... Estes encontram disposição, vagam por um penhasco de 280 m de altura e se perdem lá embaixo, seguindo o rabisco dourado do rio em meio ao verde da mata atlântica.
Trilha da cachoeira Encantada é nova aposta para o verão
Conheça a chapada sem suar (tanto) a camisa
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A caminhada por cima até o Cachoeirão, - que, nesta época do ano, se transforma em uma ducha gigantesca, com cerca de 20 quedas-d'água despencando de pontos difusos-, é apenas um dos inúmeros trajetos a percorrer nos cenários naturais do vale do Pati. Mais que uma aventura, ela constitui uma das melhores experiências sensoriais da chapada Diamantina, cravada no coração da Bahia.
Atravessá-la não é tarefa fácil. Durante cinco dias de trekking, são 76 km de trilhas a vencer do vale do Capão até a cidadezinha de Andaraí, no sentido noroeste-sudeste do parque nacional da Chapada Diamantina, quando o caminhante se depara com paisagens tão belas quanto ermas.
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Chapada Diamantina
COMIDA CASEIRA
Hospeda-se em casa de nativos -os chamados patizeiros. Parte dessas moradas perdeu o clima informal e se transformou em pousadas improvisadas, com refeitório e quartos coletivos.
Tal mudança ocupou demasiado os proprietários que eles mal conseguem arranjar tempo para jogar conversa fora com os turistas. Uma pena.
O banho, frio, é revigorante, com água que vem diretamente do rio. A energia solar abastece parcos pontos de luz, mas, com jeitinho, dá até para carregar a bateria da máquina fotográfica.
Nos quartos, as luzes vêm de velas. Não há sinal de celular, nem de rádio ou TV.
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Geralmente, em frente às casas, há uma área reservada para barracas, que também é alugada -os europeus, em especial, adoram!
A comida, caseira, é simples, porém saborosíssima. No jantar, há opções de carnes, legumes, arroz, feijão, macarrão, salada e sobremesa. E sucos naturais.
Cerveja, refrigerante e água mineral (caso não queira consumir água potável das fontes) são vendidos à parte. É bom levar uma grana. De preferência, dinheiro trocado. De manhã, há bolos, pães quentinhos, frutas, café e leite, sempre em pó.
O regulamento manda ir cedo para cama e despertar tão logo os galos anunciem. Se eles falharem, fique tranquilo. O guia te despertará.
Os dias costumam ser quentes, com o sol na cabeça. À noite, a temperatura cai um bocadinho. Portanto, mesmo no verão, leve um agasalho de garantia. E carregue sempre contigo uma boa capa de chuva.
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CHAPADA DE TRILHA
Não só gringos de diferentes idades como também, cada vez mais, brasileiros percorrem aqueles caminhos. Calcula-se que existam cerca de 35 trilhas, abertas desde o século 19 por garimpeiros, caçadores e tropeiros.
O trekking no vale do Pati é considerado por guias especializados, tanto nacionais quanto estrangeiros, como o mais belo do Brasil. O terreno é bem diversificado. Sobe aqui, desce ali. Caminha-se sobre areia, terra e pedras, muitas e variadas.
Córregos, rios e corredeiras pipocam por todo canto. Bromélias, sempre-vivas, cactos e orquídeas vão colorindo o trajeto. Dona de uma flora riquíssima, a chapada fica em uma região de transição de biomas. Abrange áreas de cerrado, caatinga, mata atlântica e campos rupestres.
Se falta fôlego no sobe e desce dos seus verdes vales, sobra a cantoria de pássaros e o barulhinho bom e relaxante da água corrente, principalmente nesta época.
Às vezes, parece que o corpo não aguenta mover um dedinho sequer. O suor nos encharca da cabeça aos pés. A roupa pesa, o corpo se exaure. Aí, você cruza um túnel sombreado, esculpido por ipês-amarelos, e dá de cara com uma baita cachoeira. Pronto, amenizou geral.
O cansaço físico até que tenta nos derrubar, só que o cérebro, recarregado constantemente, está tão leve que logo arranjamos forças para encarar a trilhar novamente.
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