Gilberto do frigorifico Frigopar fala sobre seu desaparecimento da região

Por: Redação
17/05/2012 - 14:41:17

Gilberto, dono do frigorifico Frigopar, fez contato com nossa cara para falar a respeito de seu desaparecimento da região, em entrevista direto de Foz do Iguaçu (PR), onde reside e trabalha.

Nossa Cara.com - Por que o senhor saiu  de cena de forma rápida e abrupta da região, quando a empresa estava indo bem e o senhor com muito prestigio pela obras social que praticava?

Gilberto - Em razão da luta interminável para colocar a empresa entre as melhores da região. Sofri de uma doença bastante comum, depressão profunda. A luta contra os que atiraram em mim, a luta contra um sistema que se estabelecera há mais de cinquenta anos, tudo me levou a desistir de tão árdua e inglória luta.

Nossa Cara.com - Mas o senhor, durante algum tempo, frequentou a empresa com seu carro, após ter capotado um Fiat Siena novo.

Gilberto - Sim, vinha a empresa feito um autômato, ficava em uma pequena mesa de canto, lendo todos os dias umas três revistas. Chegava as nove, almoçava as onze e trinta e as doze voltava a minha casa em Porto Seguro, onde me trancava e tomava remédios que me adoeciam mais ainda, administrados pela hoje arrendatária da empresa e seus dois maridos: José Moreira e o policial miliar, que hoje comanda a empresa e é o terror dos açougueiros e magarefes.

Nossa Cara.com - Quando resolveu sumir definitivamente e para onde foi?

Gilberto - No dia 6 de maio de 2000 fui trancado na sala da arrendatária da empresa e esmurrado de formas violenta por seu marido, o policial militar. Cena de novela. Ela, histérica, gritava e todos de fora ouviam, que aquela era a surra que sempre sonhou me dar. Levei trinta e três murros pelo rosto e pelo corpo, de um policial forte, armado com revólver da corporação. Tive o gesso que usava no braço esquerdo, quebrado e os dentes da boca amolecidos em razão dos fortes golpes sofridos. Do lado de fora, alguns trabalhadores tentavam arrombar a porta do escritório, mas era blindada e nada conseguiram. Finda a surra, fui colocado para fora da sala, com recomendação expressa de que deveria ir embora de Porto Seguro, pois em vinte e quatro horas estaria morto pelos homens do policial militar. Assim, doente, cabisbaixo, no dia seguinte, sedado, fui embarcado em voo para o Rio de Janeiro, onde permaneci em tratamento por um longo período. Acumulava então, vinte e três doenças e pesava 112 quilos. Tinha o braço quebrado, hérnia ignal, pólipos de cólon, dentes soltos, forte estado alérgico, impotência sexual, dentre outros males maiores, dentre estes, uma depressão profunda.

Nossa Cara.com - E hoje, como se sente vendo a empresa entregue em mãos estranhas, sendo julgada como uma empresa do mal, onde se portam revolveres da corporação, segundo informam açougueiros que  já foram ameaçados e estão dispostos a irem as vias legais pedir o seu retorno, pois sentem que a retirada de carnes de cada animal abatido é grande e é vendida em kits nos restaurantes da cidade?

Gilberto - Muito triste, pois dediquei anos de minha vida a fazer com que a região tivesse um bom e moderno polo de carnes. Tinha contatos com dekassegs que estavam retornando ao Brasil, em razão da crise no Japão. Tinha ainda - e tenho - ligações com fabricantes de botas que quiseram que eu produza couros e fabrique aqui as famosas botinas.

Nossa Cara.com - O frigorifico, segundo se fala, foi arrendado a sua mulher e seu atual marido. Por quanto tempo será este arrendamento?

Gilberto - O contrato foi firmado em 01 de maio de 2010 por vinte anos. Mas nesse período, todas as clausulas contratuais foram quebradas pela arrendatária e seu  marido, inclusive se utilizando da marca registrada - minha Frigopar - e sujando-a, deixa de pagar meus valores de arrendamento, desmanchando minha sala de desossa, construída ainda por Jerônimo e Ademir Lima e eu. Destruíram ainda as obras de construção de novas câmaras frias, projeto de crescimento que se visualizava, e usaram materiais meus, tais como containers e outros, para construírem baias de cavalos que criam e outros mimos mais.

Assim, tudo estará sendo levado a  tribunais do Rio de Janeiro e de Salvador, onde tenho apoio de autoridades fortes que querem que seja construído na região o polo da carne, o polo da indústria alimentícias e uma unidade de curtume industrial.

Tenho contato com Massas Adria, de gente da família, que acena com a possibilidade de construir aqui uma unidade fabril de seus produtos, e ainda abrir uma filial de sua distribuidora gigante. Penso ainda em trazer máquinas que tenho guardadas para fabricar artigos em couro para exportação - já os fabriquei.

Nossa Cara.com - E que tipo de ação pretende tomar para assumir a empresa hoje tida como falida, com equipamentos indo a leilão neste mês?

Gilberto - Segundo meus advogados e membros da família, é tudo muito fácil, pois lendo o contrato se nota de forma nítida que tudo o que declaro aqui é verídico. Fotos aéreas de 2001, quando sobrevoava a região de helicóptero e fotos feitas ano passado por uma fotógrafa que trabalhava para a vaquejada, mostram tudo do alto, tudo claro e bem visível.

Nossa Cara.com  -  como recuperará a empresa, endividada e com a fama que hoje tem, onde magarefes e açougueiros preferem abater no mato?

Gilberto - Tenho gente forte e com dinheiro suficiente para alavancar meus projetos. O estado da Bahia, através do governador Jaques Wagner, também oferece crédito a quem gera empregos. E eu creio, por alto, que em cinco anos, estaremos com algo em torno de uns cinco mil trabalhadores diretos e indiretos no ciclo produtivo da carne.


Nossa Cara.com - E quanto ao seu envolvimento em furto de carro, tomado de Ademir Lima, no pátio do Rondelli, pelo soldado PM que é casado com a arrendatária da empresa. Procede a denúncia?

Gilberto - Documentos que Ademir tem e mãos e que eu tenho em arquivo mostram que uma grande armação feita pelo marido da arrendatária da empresa, junto com o soldado PM Roberto e outro, ambos seus amigos fiéis, armados, cercaram Ademir no pátio de estacionamento do Rondelli, chamando-o de ladrão e dando voz de prisão a ele.

Ademir alegou que tinha em mãos os documentos de propriedade do veiculo e que nada havia de errado, exceto o fato de que haviam prestações atrasadas junto ao Bradesco, visto que o veículo, de minha propriedade, foi refinanciado para suprir as dificuldades decorrentes da compra e reforma da mansão onde mora o casal, na avenida Ipirangas.

Nossa Cara.com - o senhor retornou à região em meados de novembro, e não sabemos como e porque foi conduzido preso e algemado, no camburão de uma viatura até a Depin, onde ficou detido em cela junto com outros criminosos por mais de cinco horas. O que ocorreu de fato?

Gilberto - Mais uma vez entra Ademir e documentos que tem em sua posse. Fui à região rever amigos e desde que cheguei, de ônibus, fui seguido por gente do soldado. Ademir, vendo que eu corria riscos, me levou a Porto Seguro, onde fiquei inicialmente no Solar do Imperador, depois, me mudei para uma pousada, também de um amigo.

No dia em que fui conduzido no camburão, tentei contato com Carli, mas ela mandou que seu filho viajasse urgente do Rio de Janeiro a Eunápolis, para me levar de volta ao Rio, pois estava correndo riscos de vida, caso o PM, seu marido, me encontrasse pelas ruas. Estava no escritório do contador Bissoli, conversando com ele, quando chegou o filho que exigiu, diante de Bissoli, que eu fosse com ele a Porto Seguro, onde um bilhete aéreo me seria entregue para voltar ao Rio. Destemperado com tal gesto, saí de moto alugada de um amigo de Porto e fui ao frigorifico falar com a arrendatária da empresa. Lá chegando, sua porta blindada estava trancada e ela se recusando a me receber. Então, tomado por forte crise de fúria, quebrei um fax, uma televisão, um  computador e um aquário, o que ensejou a vinda dos amigos do PM e me conduziram sob forte pressão  ao presidio local. Saindo de lá, fui de mototaxi ao Ministério Publico pedir proteção, dado que havia sido ameaçado de morte, mas não encontrei os promotores. Então segui ao Batalhão, onde, por duas horas prestei depoimentos, sendo ao final, recebido e aconselhado pelo tenente- coronel Roosevelt, que, após duas goras de conversa e conselhos, me levou ao Hotel Portal.

No dia seguinte, cedo, meu filho me pegou na rua e me levou ao aeroporto, onde me entregou um bilhete, acompanhou meu embarque e disse-me que no Rio de Janeiro, eu receberia algum dinheiro. No Rio, tive que ir a pé do aeroporto Santos Dumont ao meu endereço, pois o dinheiro não estava me esperando.

Nosa Cara.com - Existem ainda outros planos para a empresa?

Gilberto - Por certo que sim. Trabalhos feitos por profissionais do ramo frigorifico me mostram que somos hoje a empresa mais bem localizada no contexto, estamos na porta da maior rede hoteleira do interior do país, em fase de crescimento muito grande; temos terrenos sobrando e parceiros querendo se estabelecer no entorno de minhas terras, visto que sabem que nada sairá da região sem ser industrializado, gerando aqui empregos e melhorando o perfil econômico de Eunápolis.

Nossa Cara.com - E quando se dará esta ação tão benéfica para nossa terra? 

Gilberto - Estou em negociações com a arrendatária da empresa. Temos números fechados para que ela me entregue a empresa até o dia 30 de junho próximo, mediante indenização solicitada e por mim e aceita. Isso me permitirá, em breve, ter novamente o comando do Frigorifico Paraná e levar adiante um sonho: de trabalhar para obras sociais, dentre eles, a campanha nacional de combate a miséria e a fome, lançada pela presidente Dilma, em solenidade com o governador Jaques Wagner, em meados de novembro passado.


Nossa Cara.com - Tem algo mais a declarar?

Gilberto - Gostaria de conclamar as autoridades do município para que atentem para o fato de que existem normas rígidas quanto ao trabalho de policiais em empresas privadas, portando armas e se utilizando de veículos oficiais em trabalhos pessoais. Ainda temos o policial ocupando cargo de chefia, o que é proibido legalmente, pois não contribui com previdência, não declara Imposto de Renda, mostra visíveis sinais de enriquecimento e ocupa cargos que poderiam ser ocupados por profissionais liberados para tal conforme a lei.

Finalizo, informando que dentro de pouco tempo, o militar será, em função de erros cometidos, recolhido ao quartel, e proibido de utilizar-se de viaturas e armas em trabalho privado. Peço ainda aos açougueiros, que tenham um pouco de paciência, pois em breve estaremos nos reunindo para discutir taxas de abate, formas de comercialização de seus produtos, incremento em seu mix de produtos ofertados, dentre outros tópicos que servirão para melhorar os ganhos de todos.

Agradeço a oportunidade de levar à população da região, um pedaço pequeno de minha saga. Em breve, estaremos publicando livros dando maiores detalhes de minha vida, uma espécie de autobiografia.

 

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