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Eunápolis – 26/10/11 – O tropeiro/mercador Cazuza do Prado, fez a diferença entrando para a História da Chapada Diamantina pelo simples fato de ter utilizado sua natural curiosidade e inteligente observação, fazendo intuitivamente comparações entre as paisagens/cenários que a natureza lhe apresentava na área geográfica por ele percorrida na sua rotina de trabalho.
Prado, que se deslocava de vila em vila conduzindo, entregando e vendendo mercadorias como farinha de mandioca, rapadura, outros gêneros alimentícios e, também, pedras preciosas, notou semelhança entre os cascalhos do leito do Riacho das Cumbucas e o da Chapada Velha, onde já existia garimpo. Assim, chegamos ao dia 25 de junho de 1844 quando ele descobriu diamantes no Rio Cumbucas e, no mês seguinte, reuniu 14 homens da sua inteira confiança sendo alguns deles parentes e amigos, e dedicaram-se a explorar os minérios. Encontraram pedras valiosíssimas de pura gema.
Pedro Antônio da Cruz, um dos exploradores do grupo de Cazuza do Prado, decidiu voltar a Chapada Velha a fim de vender uma partida de pedras. Ao oferecer tão limpas pedras a um comprador foi denunciado e preso sob a acusação de ter assassinado algum pedrista de Minas Gerais ou de Salvador para tomar-lhe as gemas e, possivelmente, procurava naquela oportunidade passa-la adiante. O garimpeiro foi forçado a contar a verdade às autoridades revelando o segredo do amigo Prado, o local onde haviam encontrado tão puras gemas. É claro, isso gerou a famosa “corrida do ouro”, promovendo a expansão da população ou o povoamento do “lugar” e, em apenas três anos, de 1844-1847, já haviam entre 25 mil a 30 mil moradores na comunidade baiana hoje conhecida por Mucugê.
É importante dizer que a sociedade inicial foi consequência da junção de pessoas de diversas regiões do Brasil, sobretudo veteranos garimpeiros do Serrano do Tijuco, em Minas Gerais, da Zona do Recôncavo da Bahia, além de estrangeiros como franceses, árabes, judeus e africanos que chegaram como escravos. Assim, formou-se em Mucugê uma sociedade heterogênea composta de fazendeiros, pedristas ou capangueiros, garimpeiros e escravos.