Sem Terras fazem protesto e paralisam trânsito nas BR’s 101 e 367

Por: Bento Quinto
14/10/2011 - 17:09:24

Por: Bento Quinto

Eunápolis – 14/10/11 – A manhã desta sexta-feira na Cidade foi marcada por fortes protestos feitos por pelo menos duzentas famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem terras que, sob a Bandeira da FETAG abriram o manifesto por volta das 09h00s, interditando a BR-101 e a BR-367, na altura do entroncamento em frente ao local conhecido popularmente por “Maria Amélia”, perímetro urbano de Eunápolis. Portando faixas, cartazes e gritando palavras de ordem homens, mulheres e até crianças e idosos chamaram a atenção para a situação “das mais de mil e quinhentas famílias”,  expulsas do Acampamento 2 de Julho, área de mais de 400 hectares localizada a uma distância de aproximadamente 10 quilômetros depois do Bairro Alecrim-I, reivindicada pela Veracel Celulose como sendo de sua propriedade. A desocupação foi através de mandato judicial cumprido esta semana pelo comando da 7ª CIPM.

Protestos foram realizados de forma ordeira e pacífica sob as lideranças de Tico Lisboa, secretário de Política Agrária da FETAG-Ba e Wellington Santos, titular da Delegacia Sindical da Entidade no Extremo Sul do Estado. As polícias Rodoviária Federal, Militar e Civil da Bahia acompanharam atentamente os manifestos. O trânsito que esteve interditado nas duas rodovias por cerca de uma hora, foi normalizado depois de negociação pacífica entre a PRF e a liderança do movimento.  Manifestantes deslocaram-se por um pequeno trecho da Rua Floriano Peixoto, entrando pela Rua Castro Alves até atingir a Avenida Porto Seguro, por onde seguiram até a Praça da Bandeira. A Polícia Militar esteve presente em todo o percurso.

Os sem terras distribuíram aipim, abóbora, abacaxi e cana junto à população como forma de demonstrar a força da produtividade na área onde estiveram acampados durante cerca de três anos. Em seu discurso na Praça da Bandeira, Tico Lisboa, que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Eunápolis, protestou contra “a forma brutal como a Veracel fez retirar esse grande contingente de famílias pacíficas e trabalhadoras, sem lhes dar a chance de sequer, colherem o que plantaram, o que lhes possibilitaria uma condição mínima de sobrevivência temporária”, lamentou. Na sua fala, o sindicalista anunciou que “acabamos de receber ligações do Dr. Enilson Piau e do secretário de Relações Institucionais do Governo, Cézar Lisboa, confirmando audiência nossa com o governador Jaques Wagner, agendada para o próximo dia 20, quinta-feira”. Segundo ele, vão estar presentes na audiência com o governador, um representante da CONTAG-Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura; um representante da FETAG-Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura do Estado da Bahia; um representante do STTR-Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, Florestais e Silvicultores de Eunápolis; e, um representante do Acampamento 2 de julho.

O delegado sindical Wellington Santos, também discursou na Praça chamando a atenção para a necessidade de manter a luta com mobilização e procurar o diálogo como forma de concretizar o sonho dos trabalhadores. Para ele “não tem porque manter nosso povo na cidade porque a realidade nossa é o campo, é o plantio e o cultivo de alimentos e fora da terra não temos perspectivas de sobrevivência”, ressalta.

O Acampamento 2 de Julho é considerado “acampamento mãe”, por agregar   em seu entorno os chamados “acampamentos células” denominados Sapucaieira, José Domingos dos Santos, Terra Cheirosa, além de outros três. Somando esse conjunto de acampamentos, segundo Tico, o número de famílias mobilizadas sob a Bandeira da FETAG alcança três mil famílias de Sem Terras e suas localizações estão em áreas de Eunápolis, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália.

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