Roberto Martins diz que Visita de Obama não Oculta Imperialismo dos EUA

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21/03/2011 - 14:11:46

Por: Bento Quinto

Eunápolis – 21/03/11 – Em entrevista concedida ao NossaCara.com na manhã desta segunda-feira, o jornalista, escritor, empresário e historiador Roberto Ribeiro Martins, disse que “falar da visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil no último final de semana é, sem dúvida, um tema dos mais relevantes da política, não digo nem brasileira, mas da política internacional, a relação de duas grandes nações, os dois países mais importantes das Américas”.

“A visita do presidente Barack Obama ao Brasil foi simpática e cheia de simbolismos positivos, particularmente a expressão dele enquanto cidadão, inclusive, pela particularidade de ser o primeiro governante negro do País das Américas que mais cultivou o racismo, mesmo depois da abolição da escravatura naquelas terras do Tio Sam”, analisa, acrescentando que “nesse sentido a eleição de Obama foi um fato muito positivo que nos faz lembrar que os EUA têm duas etapas ou duas grandes fases na sua História, sendo que a primeira é a da Constituição tornando-o o País de Washington, de Thomas Jefferson, de Abraham Lincoln, quer dizer, a Nação da liberdade, da construção da primeira democracia moderna antes mesmo da Revolução Francesa”. “Então”, prossegue, “nesse sentido é muito importante a História dos Estados Unidos para este conjunto de valores que nós prezamos tanto como os Direitos Humanos, a Democracia, a Liberdade, etc”.

Ao longo da História, no entanto, os “EUA se tornaram um país arrogante, prepotente, uma nação imperialista que impôs o seu domínio até mesmo na expansão territorial, pois, os Estados Unidos era um país bem menor, mas que abocanhou grande território do México, comprou o Alasca à Rússia, incorporou Porto Rico, o Havaí, quer dizer, é o País que mais cresceu nas Américas do ponto de vista territorial”. “Então a gente vê que”, continua, “os Estados Unidos dos tempos modernos é uma outra nação que deixou de ser símbolo da liberdade e da democracia estabelecidos na sua Constituição, tornando-se, ao contrário, num país opressor da liberdade e da democracia de povos no mundo inteiro, não só nas américas como em Cuba, em países outros da América Central e do Sul, mas, também, da Ásia e da África e, particularmente, nos últimos tempos exercendo essa mesma pressão nos países árabes onde tem adotado uma política muito agressiva”.

O jornalista enfatiza que “é preciso reconhecermos que há diferença dentro dos Estados Unidos moderno entre as duas grandes forças que dominam a política americana, que são os Democratas e os Republicanos, tornando inegável que existe diferença entre um Bush e um Obama, duas pessoas, duas personalidades distintas como o são também o Clinton e outros democratas, mas, especialmente o Obama por todo o simbolismo que ele representa e todas as tentativas que ele tem feito de governar, inclusive, governando com muita dificuldade porque o critério, o sistema, o esquema de poder das forças que dominam os Estados Unidos impedem muitas ações como a própria reforma que ele quis fazer mais ampla e profunda do sistema de saúde, sendo forçado a fazer algo mais limitado e mesmo assim a muito custo”.

Do ponto de vista do Brasil, discorre Martins, “eu acho, entendo que a nossa presidenta Dilma teve uma postura muito firme, clara e bem definida no seu discurso de recepção ao presidente norte-americano”. “Mas”, continua, “se por um lado, portanto, a diplomacia brasileira agiu com toda altivez e firmeza na defesa de suas prerrogativas em nossa relação com os Estados Unidos, por outro, ainda predominou um pouco da diplomacia da submissão”, acrescentando serem deploráveis alguns fatos como “a entrega completa da segurança do esquema da viagem de Obama às forças norte-americanas, que impuseram em Brasília, num determinado momento, durante ato com empresários que até ministros brasileiros fossem obrigados a tirar os sapatos, levando muitos deles a, dignamente, se recusarem a entrar e participar do ato”. “Isso é política de submissão, um contraste com a nova realidade brasileira que nos revela que somos uma Nação forte”.

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