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Por: Gil Rocha – Jornal O Farol
Desde muito tempo que parte da imprensa eunapolitana vem tentando alertar as autoridades locais, especialmente da saúde e mais especificamente da Vigilância Sanitária, sobre o perigo que corre a população no que se refere ao consumo de lanches na cidade. A Vigilância já foi alertada por várias vezes e até foi chamada pelo Ministério Público para regularizar a situação dos vendedores de lanches espalhados por todos os cantos da cidade.
Há mais ou menos uns quatro anos a diretora da Vigilância Sanitária de Eunápolis, a médica veterinária Cecy Guerrieri, que está no cargo desde a 2ª gestão do Ex-prefeito Gediel Sepúlveda, garantiu que todos os vendedores de lanches, tanto os de pontos fixos como os itinerantes (bicicleteiros), seriam cadastrados e assim, teria um acompanhamento mais criterioso da qualidade do que se é vendido nas ruas de Eunápolis.
A nossa reportagem saiu às ruas na data de 29 de dezembro e constatou um aumento significativo do número de pontos, carrinhos e bicicletas de lanches espalhadas em pontos estratégicos. Tem lugar que já oferece até marmitex. A população desconhece a qualidade desses alimentos que são preparados em casa, não se sabe as condições de higiene como são feitos e muito menos a qualidade da água utilizada no preparo dos mesmos. A gordura onde são fritos os salgados não é do conhecimento de ninguém, muito menos dos agentes responsáveis pela qualidade do que se consome.
Para o promotor público Dinalmari Mendonça, procurado pela nossa reportagem, o Ministério Público não pode agir sem estar respaldado por uma denúncia, uma vez que a Lei que trata do assunto, é uma Lei Penal branca que não especifica punições para esse tipo de atividade, exceto se constatado, por exemplo, qualquer dano à saúde do indivíduo proveniente do consumo de um desses alimentos. Mas o promotor adverte que se faz necessário que a Vigilância Sanitária proceda ao encaminhamento de alguns desses alimentos a laboratório para análise, assim como também deverá realizar o cadastramento de todos os vendedores de lanches para daí facilitar o acompanhamento da qualidade dos alimentos vendidos ao público.
A reportagem esteve também na Vigilância Sanitária, mas ninguém quis falar com a imprensa, sobre o assunto, já que a diretora do órgão municipal não estava presente. Um funcionário deixou escapar que todos os vendedores de lanches serão cadastrados a partir de 2011, o que supõe que o cadastramento prometido em 2006 não aconteceu.
É necessário que as autoridades competentes se atentem para o caso. A cada dia aparecem mais vendedores de lanches. São coxinhas, pastéis, quibes, enroladinhos, empadas e tantos outros, que são vendidos acompanhados de sucos, chamados de geladinhos, sem que ninguém tome conhecimento da procedência desses alimentos tão disputados pela população, especialmente os visitantes.
É sabido por todos que Eunápolis não dispõe de uma estrutura na área da saúde para diagnosticar o surgimento de uma bactéria e muito menos sua origem. É sabido também os riscos de se contrair graves doenças ao ingerir alimentos estragados.
Para se informar melhor sobre a atuação da Vigilância Sanitária na fiscalização a esse segmento a nossa reportagem esteve na empresa de salgados Giovanna Congelados e conversou com a diretora, e a mesma confirmou a atuação dos agentes da Vigilância periodicamente nas dependências da indústria. Ela não opinou sobre a atuação dos vendedores de lanches ambulantes, mas expressou sua preocupação no que se refere à saúde da população, especialmente das camadas que mais dependem da saúde pública, e que são, na maioria os que mais consomem lanches nas ruas. Giovanna garante que se cerca de todos os cuidados para manter o padrão de qualidade em seus produtos, uma vez que sua empresa já atua no ramo há tempos e hoje conta com uma carteira de clientes em todo o Extremo Sul da Bahia e outras localidades em Minas Gerais e Espírito Santo.
O certo é que algo tem que ser feito antes que alguém tenha que pagar com a própria vida para que as autoridades tomem providência e trate o assunto com a importância que o mesmo merece. É a saúde de milhares de consumidores; de cidadãos, que está em jogo. Pode até ser que alguém já tenha pagado caro pelo descaso das autoridades e ninguém ficou sabendo, principalmente se depender dos órgãos de saúde pública do município.