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DO UOL SÃO PAULO
A eleição do palhaço Tiririca (PR) para deputado federal com 1,35 milhão de votos válidos foi destaque na imprensa internacional. O blog "Americas", da revista britânica "The Economist", afirmou ser "deprimente" e "estranho" um país que tem a "tecnologia maravilhosa" das urnas eletrônicas eleger Tiririca com um milhão de votos.
Afirma ainda que a lei eleitoral brasileira induz à corrupção já que os candidatos com grande votação ajudam a eleger outros candidatos do mesmo partido ou coligação. Esse sistema, diz o blog, cria "olheiros" em busca de candidatos "puxadores" de votos.
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O "Blog Post", do jornal americano "Washington Post", colocou o vídeo da propaganda eleitoral do Tiririca em seu site e afirmou que o palhaço deveria estar na lista dos "melhores anúncios políticos". O post também fala sobre a denúncia de suspeita de que o deputado eleito seja analfabeto.
A rede televisiva americana "CBS" afirmou em seu site que "os americanos podem achar que a nação é conduzida por um grupo de palhaços em Washington [EUA], mas milhares de cidadãos brasileiros foram às urnas no domingo para eleger um palhaço de verdade para o Congresso."
O site do jornal britânico "Financial Times" diz que Tiririca é um "sarcástico protesto do sistema político atual". O texto lembrou que atores e comediantes frequentemente se tornam políticos, como Arnold Schwarzenegger que foi eleito governador da Califórnia em 2003.
No entanto, para o jornal, Tiririca parecia não ter pretensão de ser eleito. "A campanha dele foi beneficiada com uma cobertura pesada da mídia e produziu bem e muitos vídeos engraçados que se tornaram virais na internet. Eles misturaram um cinismo brutal com uma sátira despreocupada da propaganda política", diz o texto.
A BBC diz que analistas explicam a popularidade de Tiririca como reflexo da desilusão com escândalos políticos. O texto do site da rede britânica diz que além de Tiririca, outras celebridades foram eleitas como os ex-jogadores de futebol Romário e Bebeto.
O jornal argentino 'Clarín' publicou o texto "Brasil: êxitos e fracassos dos candidatos exóticos" sobre a candidatura de Tiririca, da funkeira Mulher Melão e da atriz pornô Cameron Brasil.
O argentino chamou a candidatura de Tiririca de "manobra marqueteira". "Sua campanha se baseia na ignorância, no desconhecimento do que fazem os deputados, na honestidade brutal ("Quero ser deputado para ajudar minha família") e em um slogan que vai ficar na história", diz o texto.
O "Clarín" também lembrou que Tiririca é o segundo candidato mais votado da história do Brasil, perdendo apenas para Enéas Carneiro --morto em 2007--, eleito deputado em 2002 com 1,5 milhão de votos.
Todos os meios de comunicação destacaram nos textos os slogans da campanha: "Pior do que está não fica" e "Você sabe o que um deputado federal faz? Também não sei, mas vote em mim que eu te conto depois".
Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, foi desde o início da campanha um candidato controverso. Nesta segunda-feira, a Justiça Eleitoral de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público Eleitoral que levanta dúvida sobre a alfabetização do deputado eleito.